# Casa das 4 Cabeças

By [Charroque Web3](https://paragraph.com/@charroque-web3) · 2023-05-26

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GPS 38.5244191077699, -8.89529832270449

Salientam-se no respetivo cunhai, sob a imposta de pedra que separa o rés do chão do piso superior, três cabeças esculpidas.

![Vista da esquina do edifício onde se podem contemplar 3 das 4 cabeças esculpidas.](https://storage.googleapis.com/papyrus_images/2a1a773b5cea725010430da7191d13a5b028a170b1d06befd2fe9ac26fc645f3.png)

Vista da esquina do edifício onde se podem contemplar 3 das 4 cabeças esculpidas.

A maior apresenta-se como que sublinhada por um listel no qual está a seguinte inscrição latina: “ESPER ATHE DEO” \[Espero em Deus\].No dintel da porta com o número de polícia 44 da Rua Fran Pacheco está outra cabeça com inscrição, igualmente em latim medieval: “SI DEUS PRO NOBIS QUIS CONTRA NOS” \[Se Deus está connosco, quem poderá ser contra nós\].

![Lintel da porta do nº 44 da Rua Fran Pacheco, em Setúbal, representando uma figura humana que, segundo a tradição, poderá ser D. Joâo II](https://storage.googleapis.com/papyrus_images/6fc1fc012c49dfd63e27f972008da3adb1a0b093cf894e868be098eb568c1207.png)

Lintel da porta do nº 44 da Rua Fran Pacheco, em Setúbal, representando uma figura humana que, segundo a tradição, poderá ser D. Joâo II

O conjunto escultórico de interpretação controversa vem ligado, tradicionalmente, à tentativa de assassinato de D. João II (rei entre 1481 e 1495), quando este caminhava na procissão do Corpus Christi, a 22 de agosto de 1484.

O atentado fora urdido por seu cunhado D. Diogo, Duque de Viseu, o qual, após descoberto, foi morto pelo próprio monarca.

![Edificio no anúncio da recuperação](https://storage.googleapis.com/papyrus_images/03da81dd5890424be55cb5c6c014cec9f05943d599cae1d2dd595e3c1c646631.jpg)

Edificio no anúncio da recuperação

**A histórica Casa das Quatro Cabeças Reabe como alojamento**, depois de uma profunda recuperação liderada pela Câmara Municipal, que incluiu o restauro e conservação da fachada do edifício com mais de cinco séculos.

![](https://storage.googleapis.com/papyrus_images/da90d8a7d5fb12367cf9a1a2049c58277ef8bff57092c81634d5c25ba41fce98.jpg)

A reabertura da Casa das Quatro Cabeças, imóvel de Interesse Municipal desde 1977, implantado no centro histórico da cidade, no Bairro de Troino, pôs fim ao cenário de degradação e abandono, servindo agora como extensão da Casa do Largo – Pousada da Juventude.

Localizada na esquina entre a Rua Fran Paxeco e a Travessa do Carmo, a Casa das Quatro Cabeças foi utilizada, durante vários anos, como habitação em forma de arrendamento, não tendo tido qualquer tipo de manutenção pelos sucessivos proprietários.

_“Era imprescindível preservar e requalificar este forte elemento da identidade setubalense”_, realçou a presidente da autarquia, ao frisar que, _“com a integridade estrutural comprometida, e em face da inexistência de condições de habitabilidade, a Câmara Municipal requereu, com caráter de urgência, a declaração de utilidade pública da expropriação do imóvel e a respetiva posse administrativa”_.

O processo foi, por isso, longo e a intervenção global, passando pela reconstrução do interior e reabilitação e preservação do exterior de um edifício com mais de cinco séculos de história e famoso pelas quatro cabeças esculpidas em diferentes pontos da fachada.

Antes da reabilitação uma equipa de arqueologia da autarquia efetuou trabalhos de estudo e investigação no interior e exterior do imóvel de três pisos.

![Figura que ladeia, do lado direito, a suposta cabeça de D. João II, representando um dos supostos conspiradores contra a vida do rei.](https://storage.googleapis.com/papyrus_images/7db7d5da81d486f71229cc0666b3808e98158ad8fcb9a763361c259dcbc0a276.png)

Figura que ladeia, do lado direito, a suposta cabeça de D. João II, representando um dos supostos conspiradores contra a vida do rei.

A lenda que justifica as quatro cabeças esculpidas na fachada, que dão nome ao edifício, ganhou força de verdade com o passar dos anos, acreditando-se que as pequenas esculturas remetem para a tentativa de regicídio frustrada que, naquela mesma zona da cidade, teve lugar contra D. João II.

![Figura que ladeia, do lado esquerdo, a suposta cabeça de D. João II, representando um dos supostos conspiradores contra a vida do rei](https://storage.googleapis.com/papyrus_images/308494157c3b93044eaf8412bdd273636e7d4b250593d401ef31ed019950b0b0.png)

Figura que ladeia, do lado esquerdo, a suposta cabeça de D. João II, representando um dos supostos conspiradores contra a vida do rei

história diz que a única cabeça intacta no final desse episódio foi a do monarca, acabando os quatro protagonistas, incluindo el-rei, cinzelados em pedra, numa espécie de pedagogia eterna.

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