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        <title>Criptada</title>
        <link>https://paragraph.com/@criptada-2</link>
        <description>Ajudando você a entender a tecnologia blockchain de forma simples.</description>
        <lastBuildDate>Thu, 14 May 2026 21:27:32 GMT</lastBuildDate>
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            <title>Criptada</title>
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        <copyright>All rights reserved</copyright>
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            <title><![CDATA[#12 Unichain]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/12-unichain</link>
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            <pubDate>Tue, 06 May 2025 13:02:18 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[A Uniswap continua sendo uma das exchanges mais usadas do mundo. Só na última semana, movimentou mais de 20,7 bilhões de dólares.Mas o mais interessante é que, mesmo sempre no topo, esse ano o time resolveu construir uma nova blockchain. Por quê? Porque, mesmo com todo o otimismo em torno do DeFi, ainda tem coisa básica que não anda. E o pior: virou normal. Foi daí que veio a Unichain — uma L2 criada pela Uniswap Labs pra mexer na base onde o DeFi roda hoje. Mais uma L2? Sim. Mas com decisões...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>A Uniswap continua sendo uma das exchanges mais usadas do mundo. Só na última semana, movimentou mais de 20,7 bilhões de dólares.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/3a30dcf1ce30d7adb6d5c07efe59328d2956864d203f60be8f5091f6c9b1f5d2.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Mas o mais interessante é que, mesmo sempre no topo, esse ano o time resolveu construir uma nova blockchain.</p><p>Por quê?</p><p>Porque, mesmo com todo o otimismo em torno do DeFi, ainda tem coisa básica que não anda. E o pior: virou normal.</p><p>Foi daí que veio a <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.unichain.org/">Unichain</a> — uma L2 criada pela Uniswap Labs pra mexer na base onde o DeFi roda hoje.</p><p>Mais uma L2? Sim. Mas com decisões técnicas que vão na raiz de problemas que a maioria preferiu empurrar.</p><p>Vamos a elas.</p><p><strong>A ordem das transações pode ser manipulada</strong></p><p>Antes de uma transação ser confirmada, ela passa por uma fila de espera pública chamada mempool.Quem sabe ler essa fila consegue agir antes de você. Bots especializados escaneiam o que está prestes a acontecer, preveem o impacto da sua transação e se antecipam — comprando ou vendendo antes que você consiga apertar “confirmar”. É o que chamam de MEV. A blockchain não proíbe. Pelo contrário, permite.</p><p>Você não vê esse custo no recibo, mas ele existe. E quem não tem bot, script ou acesso privilegiado ao sequencer, joga sempre em desvantagem.</p><p><strong>Se sua transação falhar, você paga do mesmo jeito</strong></p><p>Você pode errar o valor, o contrato pode falhar, o preço pode escapar — não importa. O gas já era.Testar é arriscado. Explorar também. E pra quem tá começando, esse tipo de punição mata a curiosidade antes dela virar uso real.</p><p><strong>Cada L2 virou um território próprio</strong></p><p>A proposta era escalar o Ethereum. Mas a prática virou outra: ecossistemas separados, cada um com sua liquidez, seu sequencer, seu token e sua ponte.Mover recursos entre redes exige tempo e muita atenção. Pra quem tá fora do dia a dia cripto, parece que está usando várias redes diferentes. Porque está.</p><p><strong>Um único operador decide tudo</strong></p><p>A maioria das L2s depende de um único sequencer. É ele que organiza a fila, monta os blocos, publica na rede. E, mesmo quando segue as regras, não tem ninguém olhando de fora.O sistema funciona — até não funcionar.</p><hr><p>Diante de tudo isso, a Uniswap podia simplesmente seguir em cima da estrutura que já existe. Mas quando você lidera em volume, em liquidez e em uso real — e ainda assim decide montar sua própria blockchain — é porque cansou de contornar problema.</p><h3 id="h-a-unichain-nasce-desse-incomodo" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">A Unichain nasce desse incômodo.</h3><p>Uma L2 construída do zero pra atacar esses pontos de frente.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/9a9f6f81ecd6e69d842aff2b9ad6641e4910f20a9d35f35be4ad5a206949807e.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>A primeira mudança começa no bloco. Literalmente.Em vez de deixar a ordenação nas mãos de um sequencer, a Unichain <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://blog.uniswap.org/rollup-boost-is-live-on-unichain">passa tudo por um TEE</a> — um ambiente seguro que impõe regras claras de prioridade. É como colocar um fiscal entre o usuário e o sequencer. Não entra quem tem acesso. Entra quem paga mais taxa. E ponto.</p><p>Isso já ataca direto uma parte do problema do MEV. Quando a ordem da fila é transparente e verificável, o espaço pra manipulação diminui. Quem antes jogava com vantagem perde terreno. E quem só quer fazer uma transação normal tem mais previsibilidade no que vai receber de volta.</p><p>O segundo ponto é menos falado, mas talvez mais importante: <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://docs.unichain.org/whitepaper.pdf">o custo do erro.</a> Na Unichain, transações são simuladas antes de serem executadas. Se vão falhar, nem entram no bloco. O usuário não paga. É uma coisa simples, mas deveria ter existido há muito tempo. Porque uma rede que penaliza experimentação é uma rede que trava novos usuários na borda.</p><p>Com isso, vem a terceira camada: velocidade.Os Flashblocks — blocos menores emitidos a cada 200 milissegundos — permitem execuções mais rápidas e precisas.Pra quem depende de tempo e liquidez, isso faz toda diferença.</p><p>E pra não repetir o erro de concentrar tudo em um único ponto de controle, a Unichain criou uma <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://uniswapfoundation.mirror.xyz/CdxJ2f5oTC5cWDGhOCM6z5ikcHCyrSrAzKc0QQihogI">rede de validadores chamada UVN</a>. Eles acompanham o que o sequencer faz — em tempo real — e recebem por isso.</p><blockquote><p>Tem, finalmente, gente olhando pro que o sequencer tá fazendo.</p></blockquote><p>E isso é só o começo.</p><p>Segundo o time da Uniswap Labs, outras mudanças já estão no roadmap — e todas seguem a mesma lógica: ajustar o que foi aceito como normal, mas nunca fez sentido.</p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[#11 Reboot do Ethereum]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/11-reboot-do-ethereum</link>
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            <pubDate>Wed, 26 Mar 2025 14:24:06 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[O Ethereum já escalou. Essa é a frase que muita gente usa para descrever o estágio atual da rede — como se o problema estivesse resolvido, como se já tivéssemos chegado onde queríamos. Por muito tempo, a própria Ethereum Foundation abraçou essa ideia. A arquitetura rollup-centric foi aceita como solução padrão, mesmo com todas as suas imperfeições. Não por má fé, mas por falta de maturidade intelectual — palavras deles, não minhas. Era o que dava pra fazer com o conhecimento e as ferramentas ...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>O Ethereum já escalou. Essa é a frase que muita gente usa para descrever o estágio atual da rede — como se o problema estivesse resolvido, como se já tivéssemos chegado onde queríamos.</p><p>Por muito tempo, a própria Ethereum Foundation abraçou essa ideia. A arquitetura rollup-centric foi aceita como solução padrão, mesmo com todas as suas imperfeições. Não por má fé, mas por falta de maturidade intelectual — <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.youtube.com/watch?v=0TOnHHnB6Ro&amp;t=407s">palavras deles, não minhas</a>. Era o que dava pra fazer com o conhecimento e as ferramentas que existiam na época.</p><p>Só que o ecossistema cresceu. E, com ele, vieram os aprendizados. Vieram os testes reais, os limites, as fricções. E agora, depois de muito estudo, experimentação e debate, a Ethereum está pronta para ajustar o curso.</p><p>Está na hora de reescrever o que significa escalar. E de fazer isso sem deixar pra trás o que mais importa: segurança, interoperabilidade e descentralização.</p><p>Hoje, o que temos é um ecossistema <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://criptada.substack.com/p/rollups-explicado?utm_source=publication-search">baseado em rollups</a> — camadas de execução que rodam fora da rede principal, mas que dependem da L1 para segurança e disponibilidade de dados. Funciona, sim. Mas funciona como um quebra-galho elegante. Porque se por um lado a escalabilidade foi conquistada, por outro, surgiram novos pontos de atrito que não dá mais pra ignorar.</p><p>A interoperabilidade entre rollups, por exemplo, é quase inexistente. Optimism e Arbitrum são duas redes que compartilham os mesmos princípios básicos, mas que, na prática, vivem em universos paralelos. Aplicações que rodam em uma precisam ser recriadas na outra. Os usuários que estão em uma precisam usar pontes para acessar a outra. A promessa de um Ethereum modular virou uma coleção de pequenos mundos isolados.</p><p>E essa fragmentação abriu espaço pra uma série de problemas. Cada rollup é responsável por ordenar suas próprias transações — o que chamamos de sequencer. E hoje, na maioria dos casos, esses sequencers são centralizados. Operados por empresas ou fundações. O que na prática significa que, mesmo rodando em cima de uma rede descentralizada, a execução de transações passa por um ponto único de controle. Isso não é sustentável.</p><p>Além disso, cada rollup precisa desenvolver sua própria lógica de validação — a chamada State Transition Function — e criar um sistema de provas compatível com a Ethereum L1. Isso exige tempo, coordenação, governança e, muitas vezes, decisões técnicas difíceis de auditar. E quando algo precisa ser atualizado? A maioria depende de um Security Council — um grupo de pessoas, geralmente multisig, que decide quando e como algo muda. Em outras palavras: segurança por confiança social, e não por garantias criptográficas.</p><p>É justamente a partir desses problemas que nasce a proposta dos <strong>Native Rollups</strong>. E aqui, a mudança é de postura. De mentalidade. Em vez de deixar cada rollup reinventar sua própria base, a Ethereum propõe criar uma estrutura nativa dentro do próprio protocolo para padronizar a validação. Uma precompile — função nativa, embutida — que permite a verificação de uma STF comum a todas as rollups que quiserem aderir a esse modelo.</p><p>Com isso, as rollups passam a usar um mesmo mecanismo de validação, atualizado junto com a própria Ethereum. Quando o protocolo evolui, todas as rollups que usam essa precompile evoluem junto. Sem multisig, sem token governance, sem conselho. A segurança, a padronização e a governança são herdadas diretamente da L1.</p><p>Mas isso não significa travar a inovação. Cada rollup ainda pode competir por experiência do usuário, pelo sequenciamento, por ferramentas e uso de MEV. O que muda é que a base fica mais segura, mais simples e mais alinhada com os valores originais da rede.</p><p>Claro que isso exige ajustes técnicos. A forma mais simples de validar essas execuções seria reexecutar as transações na própria Ethereum — o que não escala por causa do limite de gás. Por isso, a solução real está nas zero knowledge proofs. Ao verificar ZKPs em vez de reexecutar tudo, a Ethereum mantém a segurança e ganha escalabilidade. A L1 só precisa validar a prova. O custo cai. A confiança sobe.</p><p>E esse novo modelo também fortalece o ETH. Rollups que quiserem herdar essa segurança e validação da Ethereum precisarão usar ETH para garantir a disponibilidade de dados. Isso significa mais uso do token, mais queima, mais valor capturado pelo próprio protocolo.</p><p>A rede deixa de ser apenas uma base de dados imutável e se torna uma infraestrutura de verdade. Um sistema que não só abriga, mas dá forma, direção e segurança aos projetos que constroem sobre ele.</p><p>Esse é o reboot. Não um recomeço do zero, mas um redesenho consciente rumo à maturidade. E isso muda a forma como vamos usar a rede daqui pra frente.</p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Pluralidade: O Futuro da Tecnologia Colaborativa e da Democracia]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/pluralidade-o-futuro-da-tecnologia-colaborativa-e-da-democracia</link>
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            <pubDate>Mon, 06 Jan 2025 13:26:04 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[“Quando virmos a “Internet das coisas”, vamos transformá-la em uma Internet dos seres. Quando virmos a “realidade virtual”, vamos torná-la uma realidade compartilhada. Quando virmos “aprendizado de máquina”, vamos transformá-lo em aprendizado colaborativo. Quando virmos “experiência do usuário”, vamos transformá-la em experiência humana. Quando ouvirmos “a singularidade está próxima”, vamos nos lembrar: A pluralidade está aqui”.A pluralidade está aqui. E com ela, a oportunidade de repensar as...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“Quando virmos a “Internet das coisas”, vamos transformá-la em uma Internet dos seres. Quando virmos a “realidade virtual”, vamos torná-la uma realidade compartilhada. Quando virmos “aprendizado de máquina”, vamos transformá-lo em aprendizado colaborativo. Quando virmos “experiência do usuário”, vamos transformá-la em experiência humana. Quando ouvirmos “a singularidade está próxima”, vamos nos lembrar: A pluralidade está aqui”.</p></blockquote><p>A pluralidade está aqui. E com ela, a oportunidade de repensar as tecnologias que usamos, os sistemas que nos governam, as conexões que criamos.</p><p>Por tanto tempo seguimos caminhos extremos: o de quem busca uma verdade universal, ignorando a complexidade da vida humana; ou o de quem fragmenta o mundo em pedaços desconexos.</p><p>Mas e se pudéssemos trilhar um terceiro caminho? Um onde nossas vozes, ideias e diferenças não competissem, mas se encontrassem para criar algo maior. Não se trata apenas de tecnologia; se trata de como queremos viver juntos. Porque o futuro não é inevitável. Ele será escrito por quem se atrever a criar. E essa criação começa agora.</p><h2 id="h-pluralidade-o-futuro-da-tecnologia-colaborativa-e-da-democracia" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Pluralidade: O Futuro da Tecnologia Colaborativa e da Democracia</h2><p>A última década foi marcada por uma relação tensa entre tecnologia e democracia. Ferramentas como mídias sociais e criptografia, inicialmente celebradas por sua capacidade de conectar pessoas e promover liberdade, tornaram-se ameaças à coesão social.</p><blockquote><p>&quot;Tecnologias que antes eram vistas como promessas de liberdade se tornaram ameaças à coesão social, corroendo os laços que sustentam nossas comunidades.&quot;</p></blockquote><p>Por um lado, essas tecnologias fragmentaram o tecido social, amplificando a polarização e a desinformação. Por outro, inovações como aprendizado de máquina e a Internet das Coisas centralizaram o poder em poucas mãos, permitindo vigilância em massa e reduzindo o espaço para participação democrática significativa.</p><p>Esses dois extremos — a fragmentação e a centralização — formam o cerne das crises democráticas que enfrentamos hoje. As democracias se tornaram hostis à tecnologia, tratando-a como uma ameaça, em vez de uma ferramenta de transformação. Enquanto isso, governos autoritários a utilizam para reforçar o controle e a vigilância.</p><p>Daron Acemoglu e James Robinson descrevem esse fenômeno como o “corredor estreito” da democracia:</p><blockquote><p><em>“As sociedades democráticas livres existem em um &apos;corredor estreito&apos; entre o colapso social e o autoritarismo.”</em></p></blockquote><p>Hoje, as tecnologias modernas estão comprimindo esse corredor, ameaçando tanto a liberdade quanto a coesão social. Mas, como o próprio livro sugere, essa não é uma história apenas de ameaças. É também uma oportunidade para reimaginar o papel da tecnologia em sociedades democráticas.</p><p>Para isso, precisamos repensar nossas fundações.</p><p>Historicamente, fomos condicionados a seguir dois modelos que moldaram a humanidade de maneira desigual: <strong>o monismo e o atomismo.</strong></p><p>O monismo, com sua busca por uma verdade universal, ignora a riqueza da diversidade humana. Em contrapartida, o atomismo fragmenta o mundo em partes desconectadas, negligenciando as interdependências que sustentam nossas comunidades.</p><blockquote><p><em>&quot;Por tanto tempo seguimos caminhos extremos: o de quem busca uma verdade universal ignorando a complexidade da vida humana, ou o de quem fragmenta o mundo em pedaços desconexos.&quot;</em></p></blockquote><p>Uma alternativa? a pluralidade.</p><p>A pluralidade, afirmam os autores, é tanto um princípio filosófico quanto uma estratégia prática para redesenhar nossas tecnologias e instituições.</p><p>A ideia de pluralidade está diretamente ligada à maneira como direitos humanos são concebidos. No livro, <strong>os direitos são comparados a um sistema operacional</strong>. Assim como sistemas operacionais definem o que é possível em dispositivos digitais, os direitos humanos moldam as interações sociais e políticas. Contudo, os direitos que conhecemos foram criados em um mundo analógico e hoje enfrentam lacunas significativas no mundo digital.</p><blockquote><p><em>&quot;Se quisermos que os direitos tenham relevância no mundo digital, precisamos integrá-los diretamente às infraestruturas que usamos todos os dias.&quot;</em></p></blockquote><p>Essa integração exige protocolos abertos, seguros e dinâmicos, que respeitem a privacidade enquanto permitem interações confiáveis.</p><p>Aqui, <strong>a natureza nos ensina algo valioso.</strong> Suzanne Simard, em suas pesquisas sobre florestas, revelou que árvores compartilham recursos por meio de redes subterrâneas de fungos, criando um ecossistema resiliente e interconectado.</p><blockquote><p><em>&quot;Em florestas vibrantes, uma única &apos;árvore-mãe&apos; pode estabelecer conexões com centenas de outras árvores, garantindo a continuidade de toda a floresta como um organismo coletivo.&quot;</em></p></blockquote><p>Para os autores, assim como essas redes subterrâneas de fungos conectam árvores para compartilhar recursos essenciais, sistemas digitais precisam operar de maneira colaborativa, aberta e regenerativa, criando um ecossistema resiliente que sustente a pluralidade e respeite nossas interdependências.</p><p>Mas isso exige que democracias mudem sua visão sobre tecnologia. Hoje, muitos governos tratam-na como ameaça, restringindo seu uso, em vez de explorá-la como uma ferramenta de transformação.</p><p>Audrey Tang oferece uma perspectiva mais esperançosa:</p><blockquote><p>&quot;Democracia é uma tecnologia. E como qualquer tecnologia, ela melhora quando mais pessoas se esforçam para aperfeiçoá-la.&quot;</p></blockquote><p>Para que as democracias prosperem, é necessário abandonar o medo da tecnologia e usá-la como ferramenta para fortalecer a governança participativa e os direitos humanos. O livro nos lembra que o potencial transformador da democracia está na colaboração, na criação de sistemas que permitam que as vozes diversas encontrem espaço para diálogo, construção e inovação.</p><p>No entanto, essa reimaginação depende, em grande parte, de como lidamos com a questão da identidade no mundo.</p><p>A identidade digital é uma das partes mais complexas do livro. Os sistemas atuais, muitas vezes controlados por governos ou corporações, reduzem a identidade a perfis estáticos, ignorando a complexidade das experiências humanas.</p><p>Então é proposto uma abordagem descentralizada, onde a identidade seja construída por redes de confiança e experiências compartilhadas.</p><p>Afinal, o que você é sem as suas interações sociais?</p><blockquote><p><em>&quot;A identidade não é apenas um atributo biométrico; é construída por interações sociais, experiências compartilhadas e redes de confiança.&quot;</em></p></blockquote><p>Assim como redes distribuídas oferecem robustez, identidades descentralizadas podem criar um ecossistema digital mais inclusivo.</p><p>Para que isso funcione, precisamos reimaginar como trabalhamos juntos através do conceito de <strong>supermodularidade</strong> - a ideia de que o todo pode ser maior do que a soma de suas partes.</p><p>Essa perspectiva, emprestada da matemática e amplamente explorada no livro, sustenta que quando elementos diversos colaboram, eles geram algo mais significativo do que poderiam alcançar isoladamente.</p><p>Na prática, supermodularidade significa que a diversidade não é apenas uma característica a ser tolerada, mas uma força a ser aproveitada. É o que vemos em exemplos históricos e científicos — desde a interseção entre disciplinas acadêmicas, como psicologia e economia, que gerou a economia comportamental, até ecossistemas naturais, onde cada espécie desempenha um papel complementar para sustentar a vida. Como os autores argumentam:</p><blockquote><p><em>&quot;A colaboração baseada na supermodularidade é a chave para criar soluções inovadoras e regenerar diversidade em sistemas sociais e digitais.&quot;</em></p></blockquote><p>Mas para que a colaboração funcione, precisamos superar barreiras como diferenças culturais e crenças conflitantes. Com isso, os autores nos lembram que a chave para superar essas barreiras não é apagá-las, mas construir pontes sobre elas.</p><p>Isso exige ferramentas, sistemas e práticas que promovam empatia, diálogo e compreensão mútua, permitindo que as diferenças deixem de ser divisoras e se tornem catalisadoras de inovação.</p><p>Tecnologias como interfaces cérebro-a-cérebro ou modelos deliberativos online, oferecem possibilidades para criar conexões mais profundas, facilitando o entendimento mesmo entre grupos com visões conflitantes.</p><p>Exemplos práticos disso podem ser encontrados em Taiwan, que, logo no início do livro, é apresentado como um exemplo notável de como a tecnologia pode ser usada para fortalecer a coesão social e a democracia.</p><p>Por meio do movimento cívico <strong>g0v</strong>, cidadãos taiwaneses demonstraram como iniciativas tecnológicas podem transformar o relacionamento entre governo e sociedade. Criando versões alternativas de sites governamentais, eles promoveram transparência e incentivaram a participação pública. O lema do movimento:</p><blockquote><p><em>&quot;Não pergunte por que ninguém está fazendo isso. Você é o &apos;ninguém&quot;</em>.</p></blockquote><p>Em outras palavras, se você identifica algo errado, não espere que outra pessoa tome a iniciativa - vá lá e faça.</p><p>No entanto, o livro também nos alerta para o perigo inerentes à colaboração. Quando mal equilibrada, ela pode consumir a própria diversidade que a torna poderosa. A globalização, por exemplo, trouxe ganhos econômicos significativos, mas ao custo de uma homogeneização cultural que apagou diferenças capazes de inspirar novas ideias e soluções.</p><p>A pluralidade exige que pensemos em sistemas como ciclos vivos: eles devem aproveitar a diversidade existente, regenerá-la e expandi-la continuamente.</p><blockquote><p>&quot;A colaboração não deve apenas consumir a diversidade; ela deve regenerá-la, criando novas formas de interconexão.&quot;</p></blockquote><p>Esse é o desafio mais profundo do livro — não apenas preservar o que temos, mas criar um futuro onde a diversidade seja uma fonte inesgotável de inovação e resiliência.</p><p>E não estamos falando de idealismo; exemplos concretos mostram que a pluralidade pode ser alcançada com intenção e design.</p><p>A Estônia, por exemplo, aparece como modelo a seguir, com sua infraestrutura digital avançada que integra identidade, governança e acesso universal.</p><p>Para uma tentativa de replicar esse modelo globalmente, precisamos de ferramentas e sistemas que não apenas respeitem a diversidade, mas que a regenerem continuamente, garantindo sua sustentabilidade ao longo do tempo.</p><p>Entre as propostas do livro estão:</p><ol><li><p><strong>Protocolo de Identidade Digital</strong>: Um sistema seguro, descentralizado e adaptável para múltiplos contextos.</p></li><li><p><strong>Governança Algorítmica</strong>: Algoritmos projetados para respeitar valores humanos, promovendo empatia e colaboração, em vez de manipulação.</p></li><li><p><strong>Modelos de Governança Descentralizada</strong>: Ferramentas como DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas) para decisões mais democráticas e participativas.</p></li></ol><p>Essas ferramentas devem ser projetadas com um propósito claro: proteger associações humanas, equilibrar privacidade e publicidade e, acima de tudo, criar novas formas de colaboração em escala global.</p><p>Como Paul Baran uma vez afirmou:</p><blockquote><p><em>&quot;Sistemas distribuídos não são apenas uma arquitetura técnica; eles são a base para a resiliência em redes de todos os tipos.&quot;</em></p></blockquote><p>O livro termina com um convite: o futuro não é inevitável. Ele será escrito por aqueles que ousarem imaginar e criar algo novo. Nesse sentido, lembremos a frase de André Gide:</p><blockquote><p>&quot;Confie naqueles que buscam a verdade, mas tema aqueles que a encontraram.&quot;</p></blockquote><p>A pluralidade não é uma solução mágica ou um estado fixo, mas um processo contínuo que exige atenção, compromisso e ação.</p><hr><p><strong>Nota:</strong> A obra, embora técnica e voltada para a estruturação de governos, traz insights fundamentais sobre a criação da internet e como tecnologia, democracia e pluralidade podem coexistir.</p><p>Recomendadíssimo!</p><p>Livro: <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.plurality.net/">Plurality</a></p><h4 id="h-" class="text-xl font-header !mt-6 !mb-3 first:!mt-0 first:!mb-0"></h4>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[#10 Espetáculo da Validação]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/10-espet-culo-da-valida-o</link>
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            <pubDate>Fri, 29 Nov 2024 15:16:59 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Há rumores de que o palco de expressão criativa cedeu lugar a um ciclo interminável de validação momentânea. Na &apos;sociedade do cansaço&apos;, a lógica da performance transforma o ato criativo em um espetáculo voltado para métricas. O conteúdo social é mercantilizado, carregando o peso de expectativas infinitas. Cada ideia precisa ser moldada para caber em um formato consumível, facilmente compartilhável, mas raramente profundo. Theodor Adorno, acertadamente, observou que a indústria cultu...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Há rumores de que o palco de expressão criativa cedeu lugar a um ciclo interminável de validação momentânea.</p><p>Na <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.amazon.com.br/Sociedade-do-cansa%C3%A7o-Byung-Chul-Han/dp/8532649963"><em>&apos;sociedade do cansaço&apos;</em></a>, a lógica da performance transforma o ato criativo em um espetáculo voltado para métricas. O conteúdo social é mercantilizado, carregando o peso de expectativas infinitas. Cada ideia precisa ser moldada para caber em um formato consumível, facilmente compartilhável, mas raramente profundo.</p><p>Theodor Adorno, acertadamente, observou que a indústria cultural transforma a criatividade em repetição e conformidade, substituindo o novo pelo familiar, o autêntico pelo utilitário. Ele apontou que a repetição destrói a inovação e aliena o criador que deixa de ser um explorador de horizontes desconhecidos para se tornar um operário do imediatismo.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/1bae2a11e9546b6585d5b791508865b64dd376c7f66794f9cf2d0f447c88fb80.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Essa crítica, feita no contexto da indústria cultural do século XX, ressoa ainda mais forte na sociedade atual, onde conteúdos são projetados para atender às exigências de algoritmos.</p><p>Em plataformas como TikTok, por exemplo, o sucesso de criadores depende de adequar-se a tendências e padrões que favorecem o consumo rápido, promovendo mais do mesmo em detrimento da inovação.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/a29f96d8bf97a183426a7850fecda51678bb80ab50ea9b733d266765676fc4e4.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>O impacto desse modelo é amplamente documentado, mas poucos estudos oferecem soluções verdadeiramente sustentáveis. Empresas como a Adobe sugerem <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://news.adobe.com/news/news-details/2022/adobe-future-of-creativity-study-165m-creators-joined-creator-economy-since-2020">abordagens contraditórias</a>, como postar ainda mais conteúdo, com a justificativa de que “quanto mais tempo os criadores passam criando e compartilhando conteúdo, mais felizes eles se sentem”.</p><p>Essas recomendações abordam os sintomas, mas deixam intocadas as estruturas que perpetuam o desgaste.</p><p>Pedir às grandes empresas de tecnologia soluções para o esgotamento criativo é como pedir à indústria do açúcar que nos ajude a consumir menos doces. Para essas plataformas, marcas e o ecossistema de investidores que lucram com o ciclo incessante de produção, há muito em jogo.</p><p>No entanto, ainda que as empresas tentem minimizar o problema, é justamente dessa mesma dinâmica de saturação que germina o embrião de sua própria ruptura.</p><p>A repetição, ao alienar, também gera uma saturação existencial que pode despertar o desejo de buscar alternativas mais significativas. É no ponto de exaustão que emerge o potencial para a inovação, para a subversão das estruturas vigentes.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/68993db78bff5b105d601cdc1165f239675f620f6d2ad9faafc56fb225619abe.jpg" alt="O ato criativo: uma forma de ser" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="">O ato criativo: uma forma de ser</figcaption></figure><p>Um exemplo concreto dessa reação ao esgotamento digital é o movimento italiano <em>Reclaim the Tech</em>. Surgido como uma resposta crítica à concentração de dados e contra as lógicas de mercantilização, esse coletivo propõe uma reconfiguração das tecnologias digitais. Priorizando o bem comum, suas iniciativas incluem o desenvolvimento de plataformas alternativas para compartilhamento de conteúdo, como ferramentas de código aberto que priorizam a privacidade do usuário, a criação de comunidades criativas que rejeitam métricas de engajamento tradicionais, e espaços para debates comunitários focados em inovação ética.</p><p>Movimentos como esse mostram que a resistência à lógica da performance não precisa ser apenas uma crítica destrutiva; ela pode se tornar um ato de construção.</p><p>Plataformas como Discord, Reddit e Mastodon são alternativas onde a interação não é ditada por métricas de engajamento, mas pela criação de espaços comunitários e conversas orgânicas.</p><p>Paralelamente, há um movimento crescente que busca tornar os algoritmos mais transparentes e controláveis pelo usuário. Plataformas como o BlueSky já começam a explorar essa possibilidade, permitindo que os usuários ajustem seus feeds ou escolham entre diferentes tipos de algoritmos, adaptando a experiência digital aos seus próprios valores e interesses.</p><p>A própria expansão da inteligência artificial, ainda que frequentemente percebida como ameaça à autenticidade, revela a possibilidade de uma mediação diferente, onde o humano não desaparece, mas se redescobre.</p><p>A redescoberta acontece na intersecção entre o que a IA é capaz de fazer e o que ela jamais alcançará: a imperfeição única da experiência humana, a emoção que escapa à lógica algorítmica, e o gesto criativo que não visa eficiência, mas significado.</p><p>Margaret Boden certa vez nos desafiou a imaginar a IA como uma parceira criativa, ampliando nossas capacidades criativas, mas sem jamais substituir a profundidade da experiência humana. Assim, em vez de alienar, a IA pode se tornar um catalisador para redescobrirmos o essencial: nossa capacidade de contemplar, criar e nos conectar com o sublime.</p><p>Essa é, talvez, a maior ironia da modernidade: a ferramenta que aliena também pode ser transformada em instrumento de emancipação.</p><p>A emancipação, no entanto, não é um ato isolado. Ela ocorre no coletivo, no encontro entre criadores e públicos que se recusam a aceitar o banal como inevitável. É no ato comunitário de questionar, imaginar e construir que novas linguagens surgem, desafiando os limites do que entendemos por cultura.</p><p>O que é a arte, afinal, senão um convite para ver o mundo com outros olhos? E o que é a tecnologia, senão uma extensão desse convite, quando utilizada com intenção e cuidado?</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/b9bd8a29504982089d15b4b9aa2b6c6885d485dc16e960fab6a077efe0394513.jpg" alt="O ato criativo: uma forma de ser" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="">O ato criativo: uma forma de ser</figcaption></figure><p>Talvez a maior resistência ao espetáculo da validação momentânea seja a escolha deliberada pela profundidade. É a recusa em ceder ao apelo do imediato e a decisão de cultivar o que leva tempo para crescer — ideias, relações, significados.</p><p>Essa escolha é, em si, uma forma de arte, uma forma de existência que, mesmo silenciosa, ecoa mais alto do que qualquer métrica digital pode capturar.</p><p>E assim, o ciclo da repetição pode ser rompido não com um grito de ruptura, mas com o sussurro persistente de quem insiste em criar com autenticidade. Pois o novo não é algo que se impõe; é algo que surge quando damos espaço para que ele aconteça. E, nesse espaço, entre o esgotamento e a possibilidade, reside o verdadeiro poder da criatividade humana.</p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
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            <title><![CDATA[#9 Não é sobre eficiência]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/9-n-o-sobre-efici-ncia</link>
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            <pubDate>Thu, 03 Oct 2024 11:44:58 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Por que, apesar de todas as promessas de descentralização, plataformas centralizadas como a Coinbase ainda dominam as transações no universo cripto? A resposta é simples: transações praticamente instantâneas e taxas acessíveis. A rapidez das transações é, talvez, o maior obstáculo para o Bitcoin se tornar a moeda global de pagamento que muitos imaginam. No Bitcoin, os blocos são confirmados a cada dez minutos, o que significa que você pode esperar esse tempo ou até mais para que sua transação...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Por que, apesar de todas as promessas de descentralização, plataformas centralizadas como a Coinbase ainda dominam as transações no universo cripto?</p><p>A resposta é simples: transações praticamente instantâneas e taxas acessíveis.</p><p>A rapidez das transações é, talvez, o maior obstáculo para o Bitcoin se tornar a moeda global de pagamento que muitos imaginam. No Bitcoin, os blocos são confirmados a cada dez minutos, o que significa que você pode esperar esse tempo ou até mais para que sua transação seja concluída.</p><p>No Ethereum, o tempo de bloco é supostamente de 13 segundos. Mas, devido à ineficiência do mercado de gás, a espera pode ser de alguns minutos, e as taxas podem acabar sendo mais altas do que se gostaria.</p><p>Mesmo assim, é muito melhor do que esperar 5 dias úteis para uma transferência internacional pelo SWIFT. Ou pior, perder completamente sua privacidade quando o <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/SWIFT">governo americano</a> decide dar uma olhada nas suas transações.</p><p>É, a descentralização tem suas limitações. Mas a promessa da tecnologia blockchain vai além de sua capacidade de processamento: ela se trata de um mundo onde as pessoas retomam o controle sobre seu próprio dinheiro, identidade e dados.</p><h2 id="h-nao-e-sobre-eficiencia" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Não é sobre eficiência</h2><p>Quando falamos em blockchain, é comum ouvir que se trata de uma &quot;tecnologia eficiente&quot; que promete resolver todos os problemas financeiros, com transações rápidas, baratas e seguras.</p><p>Embora essa narrativa tenha sido bastante popular quando a tecnologia surgiu, hoje entendemos que seu papel é bem diferente.</p><p>Se formos pensar em termos de eficiência, já existem várias plataformas de pagamento centralizadas que estão funcionando cada vez melhor. PayPal, Wise, cartões de crédito - todos são rápidos, práticos e não exigem conhecimento técnico como entender o que é uma chave privada. E, sim, elas funcionam muito bem para a maioria das pessoas. Quando comparado a elas, o blockchain nem sempre é a opção mais rápida ou barata.</p><p>Mas a blockchain tem buscado maneiras de se aproximar desse nível de eficiência, principalmente por meio das soluções de camada 2. A <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://lightning.network/">Lightning Network</a> é um bom exemplo disso para o Bitcoin, enquanto o <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.optimism.io/">Optimism</a> faz o mesmo pelo Ethereum.</p><p>Ainda assim, a grande força dessas blockchains não está na eficiência, mas na sua resiliência e na capacidade de recriar a complexa rede de relacionamentos que define as finanças tradicionais.</p><p>É uma rede que opera independentemente de governos e bancos, permitindo que as pessoas transacionem valor de forma direta, sem a necessidade de terceiros para validar ou controlar suas transações. É um sistema que simplesmente funciona, não importa o que aconteça do outro lado.</p><p>E isso muda muita coisa. Com a blockchain, a internet não só contorna as falhas das velhas estruturas, como faz um trabalho de construir alternativas melhores. Pela primeira vez, as pessoas têm opções e não precisam confiar cegamente no setor bancário.</p><p>Uma dessas opções são as <strong>carteiras descentralizadas</strong> como a <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.walletofsatoshi.com/">Wallet of Satoshi</a> para Bitcoin ou a <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://metamask.io/">Metamask</a> para as outras blockchains.</p><ul><li><p>Se você quer se proteger dos riscos do setor bancário e ter mais independência, pode aprender a fazer a auto-custódia dos seus fundos.</p></li><li><p>Agora, se prefere ter uma camada de segurança contra possíveis erros pessoais (como perder suas chaves), pode optar pelas carteiras centralizadas.</p></li><li><p>E se você quiser o melhor dos dois mundos - ser independente e ter uma proteção extra — existem as carteiras multisig. Com multisig, você tem várias chaves (por exemplo, seis) e precisa de um número específico delas (como quatro) para aprovar uma transação. Isso permite distribuir as chaves entre amigos, familiares ou em locais seguros, e até definir regras como usar apenas uma chave para transações pequenas. Assim, você cria um sistema seguro, flexível e que não depende de um único ponto de falha.</p></li></ul><p>Isso representa uma verdadeira reestruturação da nossa relação com o dinheiro e a confiança. No mundo Web2, confiamos em instituições centralizadas para gerir nosso patrimônio e garantir nossa segurança. No mundo Web3, a blockchain nos dá a opção de transferir essa confiança para um sistema distribuído, mantendo, até mesmo, o anonimato em nossas transações.</p><p>Um exemplo disso é a carteira <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.railway.xyz/">Railway</a>, que utiliza o sistema zk-SNARK para permitir o envio de fundos e interações com aplicativos descentralizados de forma totalmente privada.</p><p>Essas inovações deixam claro que a blockchain e as soluções descentralizadas não estão tentando competir diretamente com soluções centralizadas em termos de pura eficiência — mas está oferecendo uma nova forma de pensar sobre confiança, liberdade e controle pessoal sobre os próprios ativos.</p><p>Talvez a descentralização ainda tenha desafios a superar, mas a direção em que estamos indo é clara: um futuro onde as pessoas não são obrigadas a confiar cegamente em sistemas que não podem controlar. E isso, por si só, é o começo de uma grande transformação.</p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
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            <title><![CDATA[#8 Intermediários de Dívida]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/8-intermedi-rios-de-d-vida</link>
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            <pubDate>Fri, 06 Sep 2024 20:38:47 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Somente reconhecendo as fragilidades inerentes ao modelo atual das instituições bancárias poderemos nos concentrar em encontrar nossa saída. Portanto, começaremos por aí. Desde o início da década de 1970, a dívida pública global triplicou de cerca de 30% para mais de 90% do PIB até 2022, refletindo a crescente dependência dos governos em empréstimos para sustentar suas economias e atender a compromissos sociais e políticos. Ao longo das últimas décadas, essa estratégia tem gerado um efeito bo...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Somente reconhecendo as fragilidades inerentes ao modelo atual das instituições bancárias poderemos nos concentrar em encontrar nossa saída. Portanto, começaremos por aí.</p><p>Desde o início da década de 1970, a <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.imf.org/en/Blogs/Articles/2023/09/13/global-debt-is-returning-to-its-rising-trend">dívida pública</a> global triplicou de cerca de 30% para mais de 90% do PIB até 2022, refletindo a crescente dependência dos governos em empréstimos para sustentar suas economias e atender a compromissos sociais e políticos.</p><p>Ao longo das últimas décadas, essa estratégia tem gerado um efeito bola de neve, onde novos empréstimos são contraídos para pagar os juros dos anteriores, sem que haja uma solução definitiva à vista.</p><p>Infelizmente, essa situação não afeta apenas a estabilidade financeira das economias nacionais, mas também repercute diretamente na vida dos indivíduos.</p><p>Para arcar com o custo dos juros, os governos são forçados a aumentar impostos, reduzir gastos essenciais, ou, na maioria dos casos, imprimir mais moeda, o que pode levar à inflação e desvalorização do dinheiro.</p><p>O peso dessa dívida recai, inevitavelmente, sobre os cidadãos, que acabam financiando essa dinâmica por meio de impostos ou perda de poder de aquisitivo.</p><p>Essas medidas paliativas, no entanto, não resolvem a raiz do problema. Ao contrário, ao buscar soluções de curto prazo, como o aumento de impostos e a impressão de moeda, os governos acabam agravando sua própria vulnerabilidade financeira. Essa vulnerabilidade os força a depender ainda mais dos mercados de crédito, criando um ciclo de endividamento infinito.</p><p>À medida que a dívida cresce e as despesas se acumulam, os governos se veem cada vez mais inclinados a adotar políticas que favorecem a liberalização e desregulamentação do sistema financeiro.</p><p>Foi exatamente isso que aconteceu na década de 1980, quando políticas neoliberais incentivaram a desregulamentação dos mercados financeiros, oferecendo maior liberdade aos bancos para expandir suas operações de crédito.</p><p>Em vez de adotar uma abordagem prudente, esses bancos plantaram as sementes de uma dívida crescente. Passaram a transitar do mantra de “ganhar dinheiro a partir do próprio dinheiro” para criar a nova fórmula de “ganhar dinheiro a partir do nada”.</p><p>Isso porque no centro do modelo de negócios deles está um sistema de reserva fracionária que permite que os bancos mantenham apenas uma fração dos depósitos à vista em reserva enquanto emprestam ou investem o restante.</p><p>Esse sistema facilita a transformação de vencimento, que é a técnica de converter o dinheiro dos depositantes de curto prazo em instrumentos de dívida de longo prazo.</p><p>No entanto, o que os bancos descrevem como um jogo de equilíbrio é, na realidade, um ato de criação de dívida.</p><p>Quando um banco empresta dinheiro, ele não está simplesmente utilizando os depósitos existentes, mas sim criando um novo crédito. Isso acontece porque o valor do empréstimo é depositado na conta do tomador, que pode gastar ou investir esse dinheiro. Esses fundos são então depositados em outros bancos, que, por sua vez, podem emprestar uma parte desses depósitos, iniciando um ciclo contínuo de criação de crédito.</p><p>Embora os bancos prometam que os depósitos estarão sempre disponíveis para saque, a realidade é que boa parte desses fundos está comprometida em empréstimos de longo prazo.</p><p>Esse descompasso entre a liquidez prometida e os prazos dos empréstimos é a causa dos colapsos bancários e das crises financeiras sistemáticas.</p><p>Dados do <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2012/wp12163.pdf">FMI</a> indicam que, entre 1970 e 2011, ocorreram 147 crises bancárias, uma média de mais de 4 crises bancárias por ano. Esses eventos mostram como esse modelo de negócios pode ser um terreno fértil para instabilidades financeiras, já que a confiança na capacidade dos bancos de honrar suas promessas de liquidez é frequentemente abalada por crises de confiança.</p><p>A crise financeira global de 2008 serviu como um dramático lembrete das fragilidades desse sistema. A expansão descontrolada do crédito e a falta de regulamentação adequada resultaram em um colapso global, com os bancos enfrentando dificuldades imensas para honrar seus compromissos.</p><p>Da mesma forma, a crise na Venezuela, que começou em 2014, viu os bancos lutarem para manter reservas adequadas e garantir liquidez, resultando em severas restrições na concessão de empréstimos e no acesso dos clientes aos seus próprios fundos.</p><p>O mais surpreendente, porém, é que, mesmo diante das lições amargas que as crises financeiras nos oferecem, a crença na arte bancária persiste.</p><p>Persiste porque a complexidade dos mercados financeiros e a promessa de progresso por parte dos governos frequentemente ofuscam as lições do passado.</p><p>Em parte, isso também se deve à falta de alternativas amplamente acessíveis.</p><p>Embora as redes blockchains sejam projetadas para oferecer maior transparência, isso não significa que sejam acessíveis.</p><p>No entanto, ao contrário do sistema bancário tradicional, as blockchains promovem maior autonomia, permitindo que cada pessoa tenha controle direto sobre seu próprio destino financeiro.</p><p>Ao adotar soluções descentralizadas, como carteiras digitais que permitem a custódia própria dos fundos, podemos nos afastar da dependência dessas instituições que frequentemente revelam suas fragilidades em momentos de crise.</p><p>Portanto, em vez de confiar cegamente em um sistema financeiro que sobrevive a partir de dívidas, podemos depositar nossa confiança em nossa própria capacidade de manejar uma tecnologia que oferece mais transparência, controle e soberania.</p><p>Mas, para isso, devemos abraçar a arte do aprendizado e autonomia.</p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
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            <title><![CDATA[#7 Mostre-me o incentivo e eu lhe mostrarei o resultado]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/7-mostre-me-o-incentivo-e-eu-lhe-mostrarei-o-resultado</link>
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            <pubDate>Thu, 08 Aug 2024 13:58:16 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[O incentivo é motivacional. É a força invisível que orienta nossas escolhas e molda nosso comportamento. Seja a nível pessoal ou profissional, determina como e por que fazemos o que fazemos. Hoje, o sucesso das estratégias empresariais depende, em grande parte, da capacidade de alinhar os incentivos com os objetivos organizacionais. Dentro desse princípio, desenhar instituições que ofereçam bons incentivos econômicos tornou-se crucial para o crescimento sustentável das empresas. O mesmo se ap...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>O incentivo é motivacional. É a força invisível que orienta nossas escolhas e molda nosso comportamento. Seja a nível pessoal ou profissional, determina como e por que fazemos o que fazemos.</p><p>Hoje, o sucesso das estratégias empresariais depende, em grande parte, da capacidade de alinhar os incentivos com os objetivos organizacionais. Dentro desse princípio, desenhar instituições que ofereçam bons incentivos econômicos tornou-se crucial para o crescimento sustentável das empresas.</p><p>O mesmo se aplica à construção das redes blockchain. Tal como qualquer outra empresa, as redes blockchain dependem da criação de mecanismos de incentivo bem estruturados para garantir a participação ativa e a cooperação entre seus membros.</p><p>No entanto, há uma diferença fundamental: enquanto as empresas tradicionais precisam procurar fontes externas de financiamento para ajustar os seus incentivos, as blockchains têm o seu próprio mecanismo de incentivo incorporado para financiar os seus desenvolvedores.</p><h2 id="h-incentivos-sao-importantes" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>Incentivos são importantes</strong></h2><p>Historicamente, os primeiros protocolos da internet, como o TCP/IP, HTTP, foram desenvolvidos por uma rede de pesquisadores que colaboraram em projetos financiados por governos e instituições de pesquisas.</p><p>Esses esforços culminaram na criação de uma infraestrutura fundamental para a comunicação global, possibilitando a troca de dados entre diferentes sistemas. No entanto, a limitação de recursos financeiros muitas vezes restringiu a capacidade de transformar inovações tecnológicas em soluções comercializáveis em grande escala.</p><p>Foi nesse cenário que as corporações entraram em cena, trazendo consigo os recursos financeiros necessários para acelerar o desenvolvimento da infraestrutura da internet.</p><p>Com investimentos substanciais, essas empresas foram capazes de atrair e reter talentos altamente qualificados, oferecendo-lhes vantagens competitivas que a rede de pesquisadores não podia proporcionar.</p><p>Hoje, a dinâmica mudou com a introdução de mecanismos integrados em blockchain que financiam desenvolvedores diretamente através de uma infraestrutura de incentivos baseados em tokens. Ao distribuir recompensas em forma de tokens, essas redes conseguem alinhar os interesses dos desenvolvedores com o sucesso da plataforma.</p><p>A fonte de financiamento torna-se intrínseca ao próprio ecossistema, eliminando a dependência de financiamento externo e criando uma relação direta entre o valor gerado e a recompensa recebida.</p><p>Quando um token se valoriza, ele atrai novos desenvolvedores e investidores, que se tornam partes interessadas na plataforma, motivados pela oportunidade de obter incentivos financeiros e contribuir para um projeto em crescimento. A diversidade de ideias e habilidades aumenta, trazendo novos usuários e, possivelmente, investidores de capital de risco (VCs).</p><p>O aspecto significativo dessa dinâmica é a capacidade das redes blockchain de oferecer incentivos diretamente aos desenvolvedores.</p><p>Antes, para lucrar com um protocolo, era necessário criar um software que o implementasse e, em seguida, tentar vendê-lo ou buscar financiamento adicional. Com os tokens, essa barreira é removida, permitindo que os desenvolvedores sejam recompensados instantaneamente por suas contribuições.</p><p>Além disso, esse sistema de incentivos não beneficia apenas os desenvolvedores, mas também os usuários. À medida que as redes blockchain recompensam os primeiros participantes com tokens, esses usuários têm a chance de lucrar com a valorização dos tokens ao longo do tempo.</p><p>O outro lado do espectro, no entanto, são os riscos associados ao crescimento impulsionado pela especulação. Muitos tokens são projetados para serem escassos, e a crescente demanda pode criar expectativas de valorização que atraem indivíduos em busca de lucros rápidos.</p><p>Embora a especulação possa ser um motor positivo para a adoção tecnológica, ela também pode resultar em flutuações de preço voláteis e na formação de bolhas especulativas que não refletem o verdadeiro valor do projeto.</p><p>Ainda assim, os tokens são ferramentas poderosas que, como qualquer instrumento, podem ser empregados tanto para fins positivos quanto negativos.</p><p>Por isso, a indústria precisa de regulamentação claras para garantir transparência e proteger tanto investidores quanto desenvolvedores. No entanto, essas regulamentações devem respeitar a ideologia de descentralização, essencial para o ethos das redes blockchain; caso contrário, há o risco de comprometer a inovação no setor.</p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
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            <title><![CDATA[#6 Reimaginando a Coordenação]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/6-reimaginando-a-coordena-o</link>
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            <pubDate>Wed, 17 Jul 2024 13:34:03 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Éris, uma antiga deusa grega-romana, sempre acusada de semear discórdia e confusão, uma vez foi invocada por Malaclypse, um mortal desesperado com os males da sociedade humana. “Todos estão se machucando, o planeta está repleto de injustiças, sociedades inteiras saqueiam grupos de seu próprio povo, mães aprisionam filhos, crianças morrem enquanto irmãos guerreiam.” A Deusa responde: “Qual é o problema com isso, se é isso que vocês querem fazer?” Malaclypse replica: “Mas ninguém quer! Todo mun...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Éris, uma antiga deusa grega-romana, sempre acusada de semear discórdia e confusão, uma vez foi invocada por Malaclypse, um mortal desesperado com os males da sociedade humana.</p><p>“Todos estão se machucando, o planeta está repleto de injustiças, sociedades inteiras saqueiam grupos de seu próprio povo, mães aprisionam filhos, crianças morrem enquanto irmãos guerreiam.”</p><p>A Deusa responde: “Qual é o problema com isso, se é isso que vocês querem fazer?”</p><p>Malaclypse replica: “Mas ninguém quer! Todo mundo odeia!”</p><p>A Deusa observa: “Ah. Bem, então parem.”</p><p>Essa antiga <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://principiadiscordia.com/book/45.php">parábola</a> sublinha a ideia de que, se a maioria das pessoas está insatisfeita com o estado atual das coisas, elas possuem a chave para destravar a mudança em seus comportamentos. Essa é uma crítica à passividade, ressaltando que a mudança começa com a decisão coletiva de agir de maneira diferente.</p><p>Inspirado por essa visão, Scott Alexander, um psiquiatra americano, propõe em seu <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://slatestarcodex.com/2014/07/30/meditations-on-moloch/">blog</a> uma reinterpretação das palavras de Malaclypse como metáforas para as falhas de coordenação e alinhamento de objetivos.</p><p>Para Alexander, a raiz do problema não está na natureza humana, mas na tecnologia inadequada. Segundo ele, “todo cidadão odeia o sistema, mas por falta de um bom mecanismo de coordenação, ele perdura”.</p><p>Desde então, muitos empreendedores e desenvolvedores passaram a buscar soluções tecnológicas que ofereçam uma melhor coordenação. Experimentos inovadores baseados em blockchain começaram a tomar forma com o objetivo de transformar a maneira como a sociedade se organiza. Assim, temos agora uma solução prática para os desafios que Alexander destacou: as Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs).</p><h2 id="h-governanca-web3" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Governança Web3</h2><p>Independentemente de qualquer definição equivocada, as organizações autônomas descentralizadas representam uma ruptura com as formas de coordenação anteriores. As governanças anteriores do blockchain presumiam um modelo centralizado, onde decisões eram tomadas por uma minoria detentora do poder.</p><p>Esse controle excessivo sobre recursos e informações criava, quase inevitavelmente, um ambiente propício para a corrupção, minando a transparência necessária para uma governança que alinha interesses e promove a confiança entre os participantes.</p><p>As blockchains, por outro lado, possibilitam a criação de sistemas sem um único proprietário, sendo governados coletivamente pelos usuários por padrão.</p><p>As DAOs, que representam a forma como a maioria dos projetos de blockchain são administrados, normalmente dão aos detentores de seus tokens o poder de votar em propostas e decisões. Essas decisões podem ser de alto risco, uma vez que envolvem questões críticas como alocação de recursos, direções estratégicas e até mudanças nos protocolos.</p><p>No início de um projeto Web3, é comum que os desenvolvedores estabeleçam uma constituição, que é um conjunto de regras e diretrizes definindo quais decisões a DAO pode tomar e qual o processo para isso. Essa constituição é codificada diretamente no software do projeto, o que significa que todas as regras de governança são programadas em smart contracts.</p><p>Assim, quando uma votação é realizada pelos detentores de tokens, os resultados são automaticamente executados de acordo com essas regras pré-estabelecidas.</p><p>Entretanto, o simples design da tecnologia não garante que os resultados sociais serão positivos ou justos. A governança automatizada pode ainda ser influenciada por fatores como a concentração de poder entre os detentores de tokens, interesses conflitantes ou a falta de diversidade nas vozes que participam do processo de decisão.</p><p>No entanto, essa realidade apresenta uma oportunidade real para reverter a hierarquia tradicional de governança.</p><p>As DAOs, por sua vez, têm impulsionado um crescimento considerável de plataformas e iniciativas democráticas que promovem uma maior participação e engajamento da comunidade.</p><p>Entre fraudes e vulnerabilidades, emergem inúmeros experimentos de governança online, mais frequentes do que em qualquer outra época da história da internet.</p><p>Graças à natureza pública das atividades em blockchain, o código de projetos bem-sucedidos se dissemina rapidamente, permitindo que outros o reproduzam e adaptem com facilidade.</p><p>Como resultado, a blockchain tem impulsionado inovações significativas em governança, incluindo:</p><ul><li><p>Flexibilidade para experimentar</p></li><li><p>Processos de tomada de decisão quase em tempo real</p></li><li><p>Sistemas de votação avançados</p></li><li><p>Mecanismos de alinhamento de incentivos</p></li><li><p>Resolução descentralizada de disputas</p></li><li><p>Participação sem permissão</p></li><li><p>Responsabilidade e distribuição de benefícios amplamente compartilhados</p></li><li><p>Transparência nas atividades registradas na blockchain</p></li></ul><p>Mas, mais uma vez, o aumento dos métodos de governação não garante que estas novas abordagens resultem em práticas justas ou eficazes.</p><p>Muitas vezes, as DAOs são acusadas de falharem em representar verdadeiramente os interesses de seus membros. Críticas surgem em relação à plutocracia, onde a influência nas decisões é desproporcionalmente concentrada nas mãos de poucos detentores de tokens.</p><p>Além disso, a complexidade das estruturas de governança pode desencorajar a participação ativa, resultando em um engajamento limitado e, muitas vezes, em decisões que não refletem a vontade coletiva.</p><p>Exatamente por essa razão, é essencial que esses novos projetos de governança não apenas experimentem novas metodologias, mas também reflitam criticamente sobre os princípios que as fundamentam. Como Kurt Lewin, o pai do Desenvolvimento Organizacional, uma vez afirmou, &quot;não há nada tão prático quanto uma boa teoria&quot;.</p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[#5 Organizacional]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/5-organizacional</link>
            <guid>Mqt6iFlrylPKNZrQ1S2v</guid>
            <pubDate>Tue, 28 May 2024 18:53:01 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Esta é uma breve história sobre a evolução da organização social.Painting by H. ReinholdComo seres humanos, somos movidos por uma necessidade intrínseca de nos unir, de nos organizar e de colaborar para alcançar objetivos comuns. Ao longo da história, essa necessidade tem sido expressa de várias formas, desde as tribos antigas até as complexas corporações modernas. As tribos surgiram como os alicerces das primeiras comunidades há cerca de 5.000 anos. Era uma época marcada pela união e simplic...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Esta é uma breve história sobre a evolução da organização social.</strong></p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/ee0d179c1b7d3792ea232ea6d11afa26992eee33f2df6d14fa3cc36673096e25.jpg" alt="Painting by H. Reinhold" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="">Painting by H. Reinhold</figcaption></figure><p>Como seres humanos, somos movidos por uma necessidade intrínseca de nos unir, de nos organizar e de colaborar para alcançar objetivos comuns. Ao longo da história, essa necessidade tem sido expressa de várias formas, desde as tribos antigas até as complexas corporações modernas.</p><p>As tribos surgiram como os alicerces das primeiras comunidades há cerca de 5.000 anos. Era uma época marcada pela união e simplicidade, onde laços de parentesco constituíam a base da estrutura social.</p><p>Seu objetivo principal era proporcionar um sentido de identidade coletiva e, ao mesmo tempo, assegurar a sobrevivência e o bem-estar do seu povo. Isso se manifestava na disponibilidade do acesso aos recursos naturais, na preservação das suas tradições, na salvaguarda da sua língua e território, bem como na garantia da segurança das suas comunidades.</p><p>A essência das tribos residia na igualdade e na segmentação - cada parte refletia o todo, sem líderes centrais dominantes ou especializações distintas. Esse modelo de organização permitia uma interdependência saudável entre os membros, promovendo a colaboração em prol do bem-estar comum.</p><p>No entanto, à medida que as comunidades cresceram e se tornaram mais complexas, essa estrutura básica de organização social revelou-se ineficaz para lidar com os desafios de governança e administração.</p><p>Gerenciar grandes atividades agrícolas, estabelecer relações diplomáticas com tribos vizinhas e governar territórios conquistados exigiam abordagens mais coordenadas. Assim, as tribos deram lugar a estruturas mais complexas de organização social, dando origem a sociedades hierarquizadas.</p><p>Na transição para a hierarquia, a ancestralidade compartilhada foi substituída pela figura do governante, resultando em uma reconfiguração da sociedade para uma estrutura de liderança de cima para baixo.</p><p>Essas hierarquias viabilizaram a formação de exército, a defesa de nações e a administração de vastos territórios. O poder e a autoridade tornaram-se centralizados, dando início à formação de Estados e suas burocracias.</p><p>O monopólio foi uma consequência direta desse centralismo de poder, pois, ao consolidar o controle sobre recursos essenciais e setores-chave da economia, os Estados podiam manipular preços e até mesmo explorar os consumidores.</p><p>No entanto, essa estrutura revelou-se insustentável diante das complexas transações econômicas, como o aumento do comércio internacional e a diversificação dos mercados, que demandavam respostas rápidas para aproveitar as novas oportunidades.</p><p>Além disso, os avanços tecnológicos aceleraram os fluxos de informação, tornando crucial uma gestão mais eficiente para se adaptar a essa nova realidade econômica.</p><p>Como resultado, essas estruturas hierárquicas se tornaram cada vez mais inadequadas para lidar com as complexidades do sistema, exigindo uma revisão de modelos organizacionais em direção à flexibilidade.</p><p>Foi nesse cenário que o mercado livre e as economias de mercado se tornaram mais prevalentes, permitindo que novos conceitos de competição e liberdade econômica florescessem.</p><p>Os mercados trouxeram inovação, diversidade e produtividade. A concorrência aberta permitiu que diferentes agentes processassem trocas complexas de maneira mais eficiente do que nas formas tribais e hierárquicas.</p><p>Assim, o conceito de mercado introduziu novas ideias sobre como uma sociedade deveria ser organizada.</p><p>As hierarquias tradicionais evoluíram para se adaptar às dinâmicas do mercado livre, onde novos mecanismos de regulação permitiram que a inovação e a eficiência prosperassem dentro de estruturas organizacionais modernizadas.</p><p>Bancos e empresas comerciais começaram a operar em um sistema onde a concorrência e a cooperação coexistiam.</p><p>Enquanto isso, a sociedade civil emergia como um novo domínio de atividade que funcionava de forma independente, fortalecendo a democracia liberal.</p><p>Associações não governamentais, grupo de interesses e movimentos sociais, começaram a incentivar a participação cívica, os direitos humanos e a responsabilidade governamental. Esses grupos passaram a atuar como intermediários entre os cidadãos e o Estado, influenciando políticas públicas e responsabilizando os governantes por suas ações.</p><p>O avanço das descobertas tecnológicas ajudou a revolucionar a atuação desses grupos sociais, ampliando seu alcance e impacto.</p><p>Através da crescente conectividade e colaboração facilitadas pelas novas tecnologias, surgiram diferentes tipos de organizações com uma estrutura mais horizontal, muitas vezes denominadas como organizações em rede.</p><p>Essas estruturas promoveram uma forma mais descentralizada de operar, permitindo que múltiplas entidades trabalhassem juntas de maneira coordenada, mesmo que estejam geograficamente dispersas.</p><p>Consequentemente, a natureza da hierarquia dentro das organizações passou por transformações significativas, uma vez que na dinâmica das organizações em rede, a tomada de decisões tende a ser mais descentralizada e democrática.</p><p>Esse processo de transformação reflete-se atualmente no surgimento das Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs), que representa um novo meio operacional de organização baseado em princípios de autonomia e descentralização.</p><p>À medida que nos adaptamos às mudanças e desafios trazidos por cada evolução organizacional, torna-se evidente um padrão de comportamento: a constante busca humana por estruturas de colaboração eficazes que atendam tanto às necessidades coletivas quanto individuais.</p><hr><p><strong>Referência:</strong></p><p>Ronfeldt, David. <em>Tribes, Institutions, Markets, Networks: A Framework about Societal Evolution</em>. Santa Monica: RAND Corporation, 1996.</p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[#4 Implementando aplicativos]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/4-implementando-aplicativos</link>
            <guid>U9BYeNArFhAwKX9PbQhU</guid>
            <pubDate>Mon, 15 Apr 2024 15:48:51 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Desde sua criação em 3 de janeiro de 2009, o Bitcoin promoveu um avanço significativo na pesquisa e desenvolvimento relacionados ao blockchain. Por ter sido a primeira aplicação ativa da tecnologia, a criptomoeda serviu de laboratório para desenvolvedores que buscavam explorar seu potencial em áreas além das transações monetárias. No entanto, ao longo do tempo, começaram a perceber que, apesar de sua eficácia como moeda digital, o Bitcoin tinha suas limitações quando se tratava de inovação e ...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Desde sua criação em 3 de janeiro de 2009, o Bitcoin promoveu um avanço significativo na pesquisa e desenvolvimento relacionados ao blockchain.</p><p>Por ter sido a primeira aplicação ativa da tecnologia, a criptomoeda serviu de laboratório para desenvolvedores que buscavam explorar seu potencial em áreas além das transações monetárias. No entanto, ao longo do tempo, começaram a perceber que, apesar de sua eficácia como moeda digital, o Bitcoin tinha suas limitações quando se tratava de inovação e escalabilidade.</p><p>Parte disso se deve ao fato de seu script ter sido intencionalmente projetado como Turing incompleto, ou seja, incapaz de executar todos os tipos de códigos visando reforçar sua segurança.</p><p>Mas isso não foi um motivo para impedir a comunidade de buscar soluções alternativas para aprimorar sua funcionalidade. Um dos primeiros projetos a abordar essas limitações foi o Mastercoin, que mais tarde foi renomeado para <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.omnilayer.org/">Omni Layer</a>.</p><p>A ideia por trás do Mastercoin era propor uma solução de escalabilidade que permitisse a criação de tokens personalizados e a execução de contratos inteligentes diretamente no blockchain do Bitcoin, adicionando uma camada de protocolo sobre ele.</p><p>Então você pode imaginar o que aconteceu, né?</p><p>Uma grande catarse no pensamento da comunidade, abrindo caminho para o desenvolvimento de novas formas de aproveitar o potencial do blockchain e até mesmo criar blockchains completamente novos.</p><p>Foi a partir daí que surgiu o primeiro blockchain criado especificamente para o desenvolvimento de aplicativos descentralizados (dApps).</p><h2 id="h-implementando-aplicativos" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>Implementando Aplicativos</strong></h2><p>Uma ideia rejeitada pode mover montanhas. Um exemplo vivido disso é a trajetória de Vitalik Buterin, que quando sua proposta de adicionar <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.linkedin.com/pulse/ideias-revolucion%C3%A1rias-de-vitalik-buterin-como-ele-vem-mudando/">recursos extras</a> ao protocolo Mastercoin foi essencialmente &quot;rejeitada&quot;, ele optou por uma ação mais audaciosa: criar uma nova blockchain para implementar essas ideias.</p><p>A fundação Ethereum emergiu desse movimento, tornando-se na primeira plataforma para a execução eficiente de contratos inteligentes e o desenvolvimento de aplicações descentralizadas (dApps).</p><p>Diferente do Bitcoin, seu ambiente de execução é <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Turing_completude">Turing completo</a>, o que significa que pode executar qualquer programa determinístico arbitrário. Essa característica oferece uma flexibilidade muito maior para desenvolvedores, permitindo a execução de contratos inteligentes escritos em linguagem como Solidity.</p><p>Podemos explicar contratos inteligentes como contratos tradicionais, mas em vez de serem documentos em papel, são escritos em código e executados automaticamente em um blockchain.</p><p>Cada vez que um contrato inteligente é executado na rede Ethereum, há um custo associado a isso, denominado &quot;gás&quot;. O gás é uma unidade de medida que corresponde à quantidade de esforço ou recursos computacionais consumidos para executar uma operação.</p><p>Basicamente, o gás pode ser considerado uma taxa que você deve pagar em ether, a criptomoeda nativa do Ethereum, para que os validadores processem suas transações.</p><p>Este sistema de gás desempenha um papel fundamental na eficiência e segurança da rede, pois controla a quantidade de processamento que pode ser realizado num determinado período de tempo, evitando sobrecargas e protegendo-a contra ataques de <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ataque_de_nega%C3%A7%C3%A3o_de_servi%C3%A7o">negação de serviço</a> (DoS).</p><p>Quando um desenvolvedor decide implementar uma aplicação no Ethereum - digamos, uma exchange descentralizada ou plataforma de jogos- ele utiliza um ambiente de desenvolvimento integrado na própria rede para criar contratos inteligentes.</p><p>Este ambiente oferece uma série de ferramentas que permitem aos desenvolvedores escrever, depurar, compilar e distribuir código tanto para a rede principal quanto para as redes de teste.</p><p>As redes de teste servem como ambientes de simulação onde os desenvolvedores podem experimentar e testar seus contratos inteligentes sem o risco de afetar a rede principal Ethereum.</p><p>Então, após testes bem-sucedidos, os desenvolvedores poderão ativar seus contratos onde estarão disponíveis para uso.</p><hr><p>Para interagir com algum aplicativo descentralizado, você precisará de uma carteira Ethereum.</p><p>A <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://metamask.io/">Metamask</a> é a carteira mais popular para isso, na qual ela armazena uma cópia das suas sementes e chaves privadas localmente em seu dispositivo ou computador. É crucial fazer uma cópia física da semente (por exemplo, escrever em papel) e armazená-la em um local seguro para redundância e seguranças adicionais.</p><p>E aqui encerro os artigos explicando sobre a infraestrutura de um blockchain.</p><p>Agora meu próximo passo é apresentar as novidades sendo construídas nesse ecossistema para que você possa entender como funciona e até mesmo implementá-las no seu dia a dia.</p><p>Nos vemos na próxima newsletter!</p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[#3 Segurança sob consenso]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/3-seguran-a-sob-consenso</link>
            <guid>Ng6yhYYIZWKafkWSPgnt</guid>
            <pubDate>Fri, 05 Apr 2024 13:28:27 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Uma das funções de um blockchain é fornecer um mecanismo que alinhe o comportamento dos participantes para garantir a segurança da rede. Isso pode ser alcançado por meio de um algoritmo de consenso que engloba um conjunto de ideias, protocolos e incentivos, permitindo-lhes chegar a um acordo sobre a validade das transações e sua ordem no registro compartilhado. Neste artigo, vamos explorar o processo que torna necessário implementar esse consenso. Boa leitura!Segurança Sob ConsensoBlockchains...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Uma das funções de um blockchain é fornecer um mecanismo que alinhe o comportamento dos participantes para garantir a segurança da rede. Isso pode ser alcançado por meio de um algoritmo de consenso que engloba um conjunto de ideias, protocolos e incentivos, permitindo-lhes chegar a um acordo sobre a validade das transações e sua ordem no registro compartilhado.</p><p>Neste artigo, vamos explorar o processo que torna necessário implementar esse consenso.</p><p>Boa leitura!</p><h2 id="h-seguranca-sob-consenso" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Segurança Sob Consenso</h2><p>Blockchains podem ser utilizados em uma variedade de aplicações em diferentes setores, como finanças, gerenciamento da cadeia de suprimentos, saúde e governança.</p><p>Então para atender a essas diferentes necessidades, existem tipos distintos de blockchains, incluindo os privados e os públicos.</p><p>Em um <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://developer.oracle.com/pt-BR/learn/technical-articles/permissioned-blockchain">blockchain privado</a>, apenas entidades específicas têm permissão para participar na validação de transações, sendo necessário que sejam identificadas e conhecidas por todos os membros da rede. Geralmente, as transações nesse tipo de blockchain passam por um processo de validação mais formal, no qual as mensagens de verificação são transmitidas através de canais de comunicação autenticados.</p><p>Essa característica torna esse tipo de blockchain mais centralizado em comparação com o blockchain público, uma vez que o controle sobre a rede é mantido por um grupo restrito de participantes.</p><p>Por outro lado, em um blockchain público, não há mecanismo de controle de acesso que determine quais participantes podem ingressar no sistema, permitindo que entrem e saiam livremente a qualquer momento.</p><p>Como não há necessidade de identificação, pois as mensagens não são transmitidas por canais autenticados e não possuem destino específico, os participantes não têm conhecimento prévio um do outro, tornando-os suscetíveis a ataques na rede.</p><p>Um exemplo comum é o <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ataque_Sybil">ataque Sybil</a>, no qual um único usuário controla vários nós do protocolo, criando a ilusão de que são controlados por várias entidades diferentes. Tais ataques podem permitir que o invasor obtenha uma parcela injusta e desproporcionalmente grande dos recursos que deveriam ser distribuídos equitativamente entre todos na rede.</p><p>Para mitigar esse risco, tornou-se imperativo implementar mecanismos que façam uso de recursos escassos para garantir a segurança das operações em um ambiente auto-organizado que não depende de uma autoridade central controlando sua execução.</p><p>Nesse sentido, são comumente utilizados mecanismos como a prova de trabalho (PoW) e a prova de participação (PoS). No caso da prova de trabalho, o recurso escasso é o poder computacional, enquanto na prova de participação são os tokens nativos do sistema.</p><h3 id="h-mas-como-funcionam-esses-mecanismos" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Mas como funcionam esses mecanismos?</h3><p>Na prova de trabalho, os participantes da rede, chamados de mineradores, competem entre si para resolver problemas matemáticos complexos. Esses problemas exigem uma quantidade significativa de poder computacional para serem resolvidos. O primeiro minerador que encontrar a solução correta é recompensado com uma quantidade específica de criptomoeda, além das taxas de transação e o direito de adicionar um novo bloco ao blockchain.</p><p>Esse processo requer muita energia e recursos computacionais para que um invasor possa controlar a maioria do poder computacional da rede. O que torna um desafio, por exemplo, incluir transações inválidas em um bloco, já que tal bloco poderia ser rejeitado pela rede, resultando na perda da recompensa associada à criação do bloco, além dos custos operacionais associados à mineração.</p><p>Por outro lado, a ideia central da prova de participação é que a segurança da rede não provém da queima de energia, como no caso da prova de trabalho, mas sim da acumulação de <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="">valor econômico em risco</a>.</p><p>Nesse mecanismo, os participantes, chamados de validadores, são selecionados para validar transações com base na quantidade de criptomoedas que possuem e estão dispostos a &quot;apostar&quot; como garantia. Quanto mais criptomoeda um validador tiver, maior será sua probabilidade de ser escolhido para validar transações e receber recompensas.</p><p>Para desencorajar comportamentos maliciosos por parte dos validadores, a prova de participação estabelece mecanismos de penalidade que podem ser centenas ou até milhares de vezes maiores do que as recompensas que receberam, tornando os ataques economicamente inviáveis.</p><p>Dessa forma, os dois mecanismos, embora difiram significativamente na forma como funcionam, compartilham o objetivo comum de mitigar os riscos associados aos ataques, alcançando um consenso sobre as transações válidas, garantindo assim a segurança da rede.</p><hr><p>Com todos os detalhes operacionais definidos, novos desenvolvedores se juntam à rede para criar aplicações e explorar suas possibilidades.</p><p>Mas este será o tema da próxima newsletter!</p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[#2 Transações organizadas e distribuídas]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/2-transa-es-organizadas-e-distribu-das</link>
            <guid>WJIcwR3Ci8xuBjFKQFYU</guid>
            <pubDate>Thu, 28 Mar 2024 13:14:39 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Na semana passada, publiquei um artigo sobre os fundamentos da máquina-estado, seus modelos de representação e os mecanismos de atualização do blockchain. Como continuação da compreensão sobre os fundamentos da máquina-estado, explicarei sobre o armazenamento das transações e como os dados da rede são distribuídos. Boa leitura!Transações Organizadas e DistribuídasVocê provavelmente já deve ter escutado que o blockchain é um livro razão que registra transações de criptomoedas. No entanto, a me...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, publiquei um artigo sobre os <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://open.substack.com/pub/criptada/p/1-os-alicerces-da-obra?r=iywnt&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web">fundamentos da máquina-estado</a>, seus modelos de representação e os mecanismos de atualização do blockchain.</p><p>Como continuação da compreensão sobre os fundamentos da máquina-estado, explicarei sobre o armazenamento das transações e como os dados da rede são distribuídos.</p><p>Boa leitura!</p><h2 id="h-transacoes-organizadas-e-distribuidas" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Transações Organizadas e Distribuídas</h2><p>Você provavelmente já deve ter escutado que o blockchain é um livro razão que registra transações de criptomoedas. No entanto, a menos que você tenha experiência na área de contabilidade ou finanças, pode ser difícil compreender exatamente a função de um livro razão.</p><p>Então pense em uma planilha que mantenha um registro de todas as transações que ocorrem em uma instituição de forma organizada e sistemática. Um livro razão pode ser comparado a isso, exceto pelo fato de sua estrutura e precisão serem muito mais complexas do que uma simples planilha.</p><p>Além de fornecer uma visão detalhada e cronológica das transações que ocorreram ao longo do tempo, um livro razão serve como um registro centralizado de todas as atividades financeiras de uma empresa, incluindo entradas como receitas, despesas, ativos e passivos.</p><p>E essencialmente é isso que um blockchain faz, só que de forma descentralizada.</p><p>A descentralização significa que em vez de existir uma única autoridade central responsável pela manutenção e controle do livro razão, como nos sistemas tradicionais, o controle é distribuído entre vários participantes da rede.</p><p>Mas como essa distribuição acontece?</p><p>Para compreender essa dinâmica, vamos voltar um pouco ao conceito máquina-estado.</p><p>Em um blockchain, cada participante (conhecido como nó) mantém uma cópia idêntica do estado atual da rede com o objetivo de processar as transações na mesma ordem e alcançar um consenso sobre a integridade das operações realizadas.</p><p>Uma maneira eficiente de organizar as transações para que possam ser processadas simultaneamente é agrupá-las em <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://ethereum.org/en/developers/docs/blocks/"><strong>blocos</strong></a>.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/43c707a75d39ee8787f31949f7976e760c79e8d9019960e1488111992547559d.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Quando as transações são submetidas para inclusão em um bloco, elas devem passar por um processo chamado validação, que será discutido na camada de consenso. Mas o importante aqui é que durante esse processo, várias etapas são executadas para garantir a autenticidade das transações, e uma dessas etapas inclui a verificação da <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://ethereum.org/en/developers/tutorials/eip-1271-smart-contract-signatures/#what-is-a-signature%3F"><strong>assinatura digital</strong></a>.</p><p>A assinatura digital é uma medida de segurança, na qual, quando um usuário envia uma transação, ela é assinada digitalmente como garantia de que o usuário realmente concorda com a transação.</p><p>Até agora parece simples, né? No entanto, as coisas se complicam quando percebemos que um bloco não é composto apenas de transações.</p><p>Isso porque, para garantir a integridade e a imutabilidade de um blockchain, cada bloco deve ser atribuído um <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.investopedia.com/terms/h/hash.asp"><strong>hash</strong> <strong>criptográfico único</strong></a>.</p><p>Um hash criptográfico funciona como uma espécie de impressão digital que garante que qualquer modificação nos dados de um bloco seja detectada imediatamente. Além disso, para preservar a conexão sequencial entre todos os blocos da cadeia, esse hash é incorporado ao próximo bloco. Assim, esses hashes se tornam o elemento fundamental que mantém uma blockchain segura.</p><p>Geralmente, a <strong>estrutura de dados do bloco</strong> contém o conjunto de transações verificadas, o hash fazendo referência ao bloco anterior, o carimbo de data/hora e a raiz Merkle (um resumo de todas as transações dentro do bloco).</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/d071091424e7fbba8fb44886d676007d49dc807d5429d25e97e1edb84d2fa176.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Agora sim! Transações verificadas, blocos criados e protegidos pelo hash, chegou o momento de distribuí-los para todos os nós da rede.</p><p>A distribuição ocorre através da comunicação ponto a ponto (P2P) entre os nós, onde cada nó está conectado uns aos outros, formando uma rede descentralizada.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/45b58f8e7352750de34d578e70814ca00eb8c13db8e474974b7b4fe80be07890.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Os nós podem encontrar-se e conectar-se por meio de diferentes métodos, como listas de nós conhecidos, protocolo de descoberta de pontos ou conexões diretas.</p><p>Esses meios de comunicação ponto a ponto garantem que as transações e os blocos sejam propagados pela rede de forma eficiente, mantendo todos os nós atualizados com o estado atual do blockchain.</p><p>Para alcançar um acordo sobre o estado da rede, os nós devem participar de um protocolo de consenso. Com isso, chegamos na quarta camada da estrutura.</p><p>Até a próxima newsletter!</p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[#1 Os alicerces da obra]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/1-os-alicerces-da-obra</link>
            <guid>e25yN6FPeDVzuYRFM2qA</guid>
            <pubDate>Mon, 18 Mar 2024 14:31:06 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Vamos começar nossa aventura de descoberta sobre a natureza fundamental do blockchain, lançando luz em seu complexo mecanismo de funcionamento. Para isso, tente imaginá-lo como uma estrutura física de cinco andares, cada um com uma função específica: o primeiro andar é dedicado à execução, o segundo aos dados, o terceiro à rede, o quarto ao consenso e o quinto às aplicações.Hoje, concentraremos nossos esforços em explorar exclusivamente a estrutura da Execução para tornar a compreensão gradua...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Vamos começar nossa aventura de descoberta sobre a natureza fundamental do blockchain, lançando luz em seu complexo mecanismo de funcionamento.</p><p>Para isso, tente imaginá-lo como uma estrutura física de cinco andares, cada um com uma função específica: o primeiro andar é dedicado à execução, o segundo aos dados, o terceiro à rede, o quarto ao consenso e o quinto às aplicações.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/a65332d7add195678ff947f7dedf96f8395f868b57af2aa6b6632091b41648a4.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Hoje, concentraremos nossos esforços em explorar exclusivamente a estrutura da Execução para tornar a compreensão gradual. Então organizei o conteúdo da seguinte forma:</p><ol><li><p>Máquina-Estado</p><p>1.1 UTXO e Modelo de Conta</p><p>1.2 Hard e Soft Fork</p></li></ol><h2 id="h-maquina-de-estado" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Máquina de Estado</h2><p>Cada blockchain tem como base um modelo abstrato responsável por gerenciar o comportamento do sistema, conhecido como <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1quina_de_estados_finita">máquina-estado</a>. Embora o termo possa parecer complicado, entender a ideia torna-se mais clara quando percebemos que interagimos com esses sistemas todos os dias.</p><p>Consideramos, por exemplo, a tarefa de uma catraca que é um <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Finite-state_machine#:~:text=Considered%20as%20a%20state%20machine,possible%20states%3A%20Locked%20and%20Unlocked.">sistema com dois estados</a> possíveis: bloqueado e desbloqueado. O estado inicial da catraca é “bloqueado”. Permanece bloqueada até receber uma nova entrada do tipo &quot;moeda&quot;, momento em que muda para o estado &quot;desbloqueado&quot;. Enquanto estiver desbloqueada, permanece assim até receber uma outra entrada do tipo “empurre”, momento em que volta para o estado &quot;bloqueado&quot;. Sendo assim, o estado da catraca é determinado pelas entradas que recebe: &quot;moeda&quot; a desbloqueia e “empurra” a bloqueia novamente. Deu uma simplificada, né?</p><p>Então, basicamente, a máquina-estado é um sistema que segue um conjunto de regras definidas para controlar seu comportamento em diferentes estados quando eventos específicos acontecem. O &quot;estado&quot; se refere à situação atual do sistema, enquanto &quot;eventos&quot; são as mudanças que levam de um estado para outro (ou transições).</p><p>As máquinas-estado podem variar de sistemas simples a complexos, mas os princípios fundamentais são os mesmos em todos os casos.</p><p>Em um sistema blockchain, ela é responsável por manter e atualizar o estado da rede com base nas transações validadas pelos participantes e no consenso alcançado. Isso envolve a implementação de uma ampla variedade de regras, que geralmente incluem garantias de que as transações possuam assinaturas válidas por parte dos <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://ethereum.org/en/developers/docs/nodes-and-clients/client-diversity/">softwares clientes</a> autorizados, a prevenção de “gastos duplos” e a validação de transações de acordo com as regras do protocolo de consenso adotado.</p><p>Além das regras básicas, a máquina-estado de um blockchain pode incorporar a capacidade de executar diversos tipos de códigos, conhecidos como contratos inteligentes. Estes contratos são desenvolvidos pelos programadores utilizando uma linguagem de programação disponibilizada pela plataforma. Posteriormente, esses contratos são executados por todas as réplicas da rede e o resultado precisa ser validade e acordado por consenso antes de modificar o estado do sistema conforme necessário.</p><h3 id="h-utxo-vs-modelo-de-conta" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>UTXO vs Modelo de Conta</strong></h3><p>Existem dois métodos comuns para representar o estado da máquina-estado em um blockchain: o modelo UTXO, usado pelo Bitcoin, e o modelo de conta, usado pelo Ethereum.</p><p>No <strong>modelo UTXO,</strong> o estado da rede é mantido através do rastreamento de todas as saídas de transações não gastas. Cada UTXO representa uma &quot;saída&quot; de uma transação anterior que ainda não foi gasta como “entrada” em uma nova transação. Assim, o estado da rede pode ser representado por todas as UTXOs existentes e não gastas.</p><p>Para ilustrar como funciona as UTXOs no contexto de uma transação, suponha que você tenha duas notas de R$ 100 e R$ 50. Essas notas representam duas UTXOs diferentes, uma de R$ 100 e outra de R$ 50, que você possui em sua carteira.</p><p>Agora, você quer enviar R$ 125 para o Paulo. Para fazer isso, você seleciona suas duas notas como entradas (UTXOs), totalizando R$ 150 (R$ 100 + R$ 50). Em seguida, você cria duas saídas: uma de R$ 125 para o Paulo e outra de R$ 25 para si mesmo, que seria o troco.</p><p>Durante essa transação, suas duas notas originais de R$ 100 e R$ 50 são &quot;destruídas&quot;, ou seja, elas se tornam entradas na transação e não podem mais ser usadas em outras transações. E então, duas novas notas são criadas: uma de R$ 120 para o Paulo e outra de R$ 25 que é devolvida a você como troco.</p><p>Assim, a transação é realizada com sucesso, e o estado da sua carteira é atualizado para refletir as novas notas que você possui: R$ 25, que é o troco da transação.</p><p>Uma das vantagens do método UTXO é que, ao enviar o &quot;troco&quot; para você mesmo em uma transação, você não está limitado a usar o mesmo endereço de onde a transação foi enviada. Em vez disso, você pode criar um novo endereço em sua carteira e enviar o &quot;troco&quot; para lá. Essa prática contribui com a privacidade, pois evita a associação direta de todos os fundos armazenados a um único endereço.</p><p>Por outro lado, o método <strong>baseado em Conta</strong> é mais simples e direto. Cada endereço possui um saldo associado a ele, e ao realizar uma transação, você simplesmente indica a quantidade que deseja enviar de um endereço para outro. Não há necessidade de selecionar entradas específicas (como no método UTXO) ou calcular troco.</p><p>Esse modelo opera de forma semelhante a uma conta bancária convencional, onde cada pessoa tem sua própria conta e pode enviar qualquer quantia entre si de uma só vez. Como resultado, o saldo em cada conta reflete o estado atual dessa conta na rede.</p><p>Essa simplicidade torna o modelo baseado em Conta mais acessível e intuitivo para muitos usuários, facilitando a compreensão e o gerenciamento das transações no blockchain. No entanto, embora seja mais simples superficialmente, ambos os métodos têm suas vantagens e desvantagens.</p><h3 id="h-hard-fork-e-soft-fork" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>Hard Fork e Soft Fork</strong></h3><p>Para que as transações sejam realizadas em um sistema blockchain, todos os validadores da rede devem concordar com as regras da máquina-estado. No entanto, ao longo do tempo, essas regras podem ser atualizadas ou modificadas para promover mudanças no sistema ou para melhorar seu funcionamento.</p><p>Essas atualizações podem ser implementadas através de mecanismos como hard forks ou soft forks.</p><p>Um Hard Fork é uma alteração significativa e irreversível nas regras de uma blockchain e pode levar a divisão da rede. Geralmente são utilizados para implementar mudanças importantes, como a introdução de novos recursos ou a correção de falhas críticas.</p><p>Já o Soft Fork é uma alteração menos invasiva e mantém a compatibilidade com versões anteriores do software. Normalmente são utilizados para implementar mudanças mais suaves, como correções de bugs menores ou a introdução de recursos adicionais que não afetam a compatibilidade com versões anteriores.</p><hr><p>Espero que até este momento você tenha conseguido aprimorar sua compreensão da máquina-estado, seus modelos de representação e os mecanismos de atualização da rede blockchain.</p><p>A seguir, discutirei os princípios fundamentais dos dados e redes, elementos essenciais para uma comunicação eficiente na blockchain.</p><p>Até a próxima newsletter!</p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O Argumento da Cultura]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/o-argumento-da-cultura</link>
            <guid>tCGBptn468Ob9FKPC2s5</guid>
            <pubDate>Mon, 11 Mar 2024 14:15:48 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Se você quer mudar o mundo, comece mudando a cultura. - Edward T. HallUma das belezas do blockchain reside em sua capacidade de redesenhar práticas culturais existentes numa variedade de aspectos. Essa habilidade de reconfiguração, impulsionada pelo princípio da descentralização, desafia os modelos convencionais de autoridade e hierarquia ao abrir portas para um novo conceito de governança institucional democrática. Agora temos um modelo de organização que sugere que todas as vozes são import...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Se você quer mudar o mundo, comece mudando a cultura. - Edward T. Hall</em></p></blockquote><p>Uma das belezas do blockchain reside em sua capacidade de redesenhar práticas culturais existentes numa variedade de aspectos.</p><p>Essa habilidade de reconfiguração, impulsionada pelo princípio da descentralização, desafia os modelos convencionais de autoridade e hierarquia ao abrir portas para um novo conceito de governança institucional democrática. Agora temos um modelo de organização que sugere que todas as vozes são importantes e necessárias para orientar o sistema organizacional de uma instituição.</p><p>Como resultado, testemunhamos o florescimento de uma cultura mais colaborativa, na qual nos sentimos mais empoderados para contribuir com ideias e perspectivas, independentemente de nossa posição hierárquica.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/89961cb1f46177596e2a9ae9d6cbc84f97776468b3ae1ac5f79daee35b3634f2.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Além disso, a introdução de novos instrumentos financeiros está democratizando o acesso a oportunidades econômicas ao eliminar barreiras de entrada, tais como altos custos de participação ou requisitos de qualificação específicos. Pense em quantas pessoas perderam a oportunidade de participar do mercado financeiro tradicional simplesmente por terem pouco dinheiro para investir em determinados ativos ou por não terem histórico de crédito.</p><p>Redes blockchain permitem o desenvolvimento de plataformas mais abertas e inclusivas, expandindo as oportunidades de participação no mercado para um número maior de pessoas.</p><p>É claro que há muito a ser aprimorado, especialmente quando as complexidades excessivas de plataformas dificultam para usuários sem experiência entenderem como os produtos funcionam em diferentes cenários. Mas apenas o fato de agora existir um novo espaço que estimula a experimentação e a inovação dentro do setor financeiro é algo que está mudando nossa perspectiva sobre dinheiro.</p><p>O Bitcoin, por exemplo, tem sido um catalisador para uma maior conscientização financeira, provocando mudanças em nossas atitudes em relação ao consumo. Quantos de nós começamos a priorizar o investimento depois de reconhecer o valor da escassez e a oportunidade de aumentar nossa riqueza no longo prazo.</p><p>Este foi o impulso inicial para a formação de uma cultura verdadeiramente engajada em investir em criptomoedas, refletindo uma mudança significativa em nossa mentalidade financeira.</p><p>Da mesma forma, os novos modelos de negócios que incentivam a economia colaborativa moldam os valores de equidade e co-criação, resultando em uma transformação na maneira como nos relacionamos socialmente e percebemos a propriedade.</p><p>Embora para alguns ainda possa parecer um pouco distante da realidade, esse é o caminho para o qual estamos sendo guiados.</p><p>Há uma nova cultura sendo criada. E quando voltamos nossa atenção para o contexto, por exemplo, dos sistemas blockchain focados em questões ambientais, percebemos como as comunidades promovem uma polinização cruzada de ideias e práticas para que a interação e o compartilhamento de conhecimento sejam vistos como essenciais para o desenvolvimento coletivo.</p><p>Todas essas questões me inspiraram a decidir iniciar uma série de ensaios sobre as usabilidades do blockchain e sua influência na transformação social, visando identificar áreas promissoras de oportunidade, tanto para a aplicação da tecnologia em nossos projetos profissionais quanto pessoais.</p><p>Portanto, as próximas newsletters se concentrarão em compreender a natureza disruptiva do blockchain, que tem impactado diversas áreas, desde finanças e governança até arte, educação e muito mais.</p><p>Então vejo você na próxima newsletter.</p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[A Era da IA e o Nosso Futuro Humano]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/a-era-da-ia-e-o-nosso-futuro-humano</link>
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            <pubDate>Wed, 31 Jan 2024 19:06:21 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[A razão não é mais uma característica exclusiva da mente humana. Por muito tempo, esse tema foi alvo de intensos debates em diversas correntes filosóficas, que sustentavam a ideia de que o ser humano era, acima de tudo, o único ser inteligente capaz de pensar logicamente, compreender, analisar e tomar decisões fundamentadas. No entanto, à medida que exploramos novas formas de inteligência, como as desenvolvidas em sistemas de inteligência artificial, nos vemos diante da necessidade de reavali...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>A razão não é mais uma característica exclusiva da mente humana. Por muito tempo, esse tema foi alvo de intensos debates em diversas correntes filosóficas, que sustentavam a ideia de que o ser humano era, acima de tudo, o único ser inteligente capaz de pensar logicamente, compreender, analisar e tomar decisões fundamentadas. No entanto, à medida que exploramos novas formas de inteligência, como as desenvolvidas em sistemas de inteligência artificial, nos vemos diante da necessidade de reavaliar profundamente o significado da racionalidade.</p><p>A preocupação central do livro &quot;The Age of AI and our human future&quot;, de Henry Kissinger, Eric Schmidt e Daniel Huttenlocher, reside na exploração de perspectivas históricas e filosóficas com o objetivo de iluminar a relação evolutiva entre razão, fé e realidade em comparação com a era da inteligência artificial.</p><p>Confesso que meu interesse pela leitura deste livro foi despertado pelo autor Henry Kissinger, um dos mais importantes diplomatas do século XX, que faleceu recentemente, aos 100 anos. Então é difícil começar o resumo do livro sem antes explicar um pouco quem foi Kissinger.</p><p>Kissinger foi uma figura controversa, frequentemente criticada por priorizar os interesses nacionais acima de quaisquer considerações éticas. Desempenhou um papel crucial na aproximação entre a China e os EUA durante a Guerra Fria e apoiou ativamente as ditaduras na América do Sul para fortalecer os EUA contra o movimento comunista. Apesar de ter sido fortemente julgado, especialmente devido ao impacto das suas políticas em milhões de vidas, Kissinger foi reconhecido como um diplomata notável pela sua eficácia na política externa.</p><p>Aos 95 anos, conforme <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.washingtonpost.com/opinions/2023/05/25/henry-kissinger-100th-birthday-appreciation/">relatado por seu filho</a>, Henry Kissinger ficou obcecado com as implicações filosóficas e práticas da inteligência artificial. Esta obra, portanto, surge como uma manifestação de suas preocupações éticas e morais em relação à IA.</p><p>Embora possa parecer controverso que um livro marcado por preocupações éticas tenha vindo de um homem frequentemente associado ao genocídio, achei brilhante toda a sua abordagem histórica e filosófica da humanidade, fazendo do esforço para resumir a obra a minha própria recompensa.</p><p>Sem mais delongas.</p><h3 id="h-a-era-da-ia-e-o-nosso-futuro-humano" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>A Era da IA e o Nosso Futuro Humano</strong></h3><p>O livro começa conquistando a minha atenção ao apresentar duas realizações incríveis da inteligência artificial, até então desconhecidas por mim:</p><ul><li><p>Em 2017 ,o AlphaZero, uma IA desenvolvida pelo Google DeepMind, venceu o Stockfish, até então o programa mais poderoso de xadrez. O aspecto mais interessante dessa vitória era que as táticas que o AlphaZero implantou eram pouco ortodoxas - na verdade, originais. Sacrificou peças que os jogadores humanos consideravam vitais, incluindo a sua própria rainha.</p></li><li><p>Em 2020, pesquisadores do MIT revolucionaram a busca por novos antibióticos ao incorporarem IA no processo. A IA analisou dados sobre moléculas conhecidas, identificando características eficazes contra bactérias e, como resultado, conduziu à descoberta eficiente e econômica do antibiótico halicina. Os líderes do projeto enfatizaram que alcançar a halicina por métodos tradicionais teria sido exorbitantemente caro; em outras palavras, não teria ocorrido.</p></li></ul><p>A narrativa prossegue, explorando o contexto histórico da incessante busca humana pelo conhecimento, abrangendo desde a Grécia e Roma antigas, passando pela Idade Média, até o Renascimento. O ponto central dessa análise, se encontra na percepção que as culturas concebiam uma relação intrínseca entre os poderes visíveis, como as estações, fenômenos naturais e astros, e os elementos invisíveis da natureza.</p><p>Nas civilizações antigas, acreditava-se que os movimentos planetários, as mudanças climáticas e outros eventos naturais eram guiados por divindades ou forças cósmicas detentoras de poder sobre o mundo visível. Essa concepção frequentemente se manifestava por meio de formas simbólicas, mitológicas e ficcionais, visando tornar compreensível para as sociedades da época.</p><blockquote><p>Embora os filósofos clássicos tenham ponderado tanto a natureza da divindade como a divindade da natureza, raramente postularam uma única figura ou motivação subjacente que pudesse ser definitivamente nomeada ou adorada.</p></blockquote><p>Com o advento das religiões monoteístas, o equilíbrio de longa data entre razão e fé, que há muito dominava a busca clássica pelo conhecimento do mundo, sofreu uma transformação completa. Contudo, a invenção da imprensa tornou possível fazer circular materiais e ideias diretamente para grandes grupos de pessoas, agora em línguas compreensíveis, em vez do latim utilizado pelas classes acadêmicas. Esse avanço anulou a histórica confiança das pessoas em relação à igreja para interpretar conceitos e crenças. Então auxiliados pela tecnologia, os líderes da Reforma Protestante declararam que os indivíduos eram capazes de, de fato, definir o divino para si próprio.</p><blockquote><p>A redescoberta da ciência e da filosofia gregas inspirou novas investigações sobre os mecanismos subjacentes do mundo natural e os meios pelos quais eles poderiam ser medidos e catalogados. Essa exploração também inspirou uma era de exploração geográfica, em que o mundo ocidental se expandiu, encontrando novas sociedades, formas de crença e tipos de organização política. As sociedades mais avançadas e as mentes eruditas da Europa foram subitamente confrontadas com um novo aspecto da realidade.</p></blockquote><p>Para a mente ocidental, moldada na convicção da sua própria centralidade, essas sociedades organizadas de forma independente colocaram profundos desafios filosóficos. Como o que ocorreu durante a era do Iluminismo, quando a razão se tornou o método central de interação com o ambiente. Por exemplo, em &quot;A Crítica da Razão Pura&quot;, Kant propôs que a razão humana, apesar de sua capacidade para uma compreensão profunda, é inerentemente limitada pela dependência do pensamento conceitual e da experiência vivida. Logo depois da era do Iluminismo, o período do Romantismo emergiu como uma reação a essas ideias, dando ênfase ao sentimento e à imaginação humana. E no final do século XIX e no início do século XX a humanidade testemunhou revelações científicas, particularmente no domínio da física, que desafiaram as noções tradicionais da realidade.</p><p>À medida que a narrativa avança para o final do século XX e o início do século XXI, os autores exploram a ascensão da IA e da aprendizagem automática. Discutem como essas tecnologias, influenciadas pelas filosofias do final do século XX, buscam se aproximar e, por vezes, ultrapassar a percepção e a razão humana.</p><p>São discutidas questões sobre até que ponto a IA pode ampliar a capacidade cognitiva humana e remodelar as estruturas sociais. Nesse contexto, fazem uma comparação entre as mudanças provocadas pelos avanços na impressão na Europa e os desafios da era da IA.</p><p>A imprensa desencadeou uma revolução que ressoou em todos os países, esferas da vida ocidental e, eventualmente, global.</p><blockquote><p>À medida que os livros impressos se tornaram amplamente disponíveis, a relação entre os indivíduos e o conhecimento mudou. Novas informações e ideais poderiam espalhar-se rapidamente. Os avanços na ciência e na matemática poderiam ser transmitidos rapidamente, em escala continental.</p></blockquote><p>Com o avanço contínuo da IA, se aproxima uma nova era. Nesse cenário, a tecnologia mais uma vez moldará os domínios do conhecimento, da descoberta, da comunicação e do pensamento individual. A partir dessa reflexão, os autores debatem sobre suas preocupações, recomendações e visão de futuro.</p><h4 id="h-avanco-da-ia-plataformas-de-rede-global-seguranca-e-identidade-humana" class="text-xl font-header !mt-6 !mb-3 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>Avanço da IA, Plataformas de Rede Global, Segurança e Identidade Humana</strong></h4><p>Desde a pioneira proposta de avaliação da inteligência das máquinas em 1950 por Alan Turing, a busca por replicar o pensamento humano tem sido marcada por inúmeras dificuldades.</p><p>Os programas tradicionais demonstravam habilidades para organizar vastos volumes de dados e realizar cálculos complexos, mas falharam na identificação de imagens simples ou na adaptação a entradas imprecisas. Entretanto, na última década, avanços na computação deram origem a sistemas de inteligência artificial que começaram a igualar e até mesmo superar as realizações humanas nesses domínios.</p><p>Os pesquisadores identificaram a necessidade de uma abordagem que possibilitasse às máquinas aprenderem autonomamente. Em resumo, houve uma mudança conceitual: abandonaram a tentativa de codificar diretamente insights humanos nas máquinas e passaram a delegar o próprio processo de aprendizagem humana às máquinas. Em outras palavras, reconheceram que a melhor maneira de treinar as máquinas é por meio da experiência.</p><blockquote><p>Mas o treinamento de redes neurais exige muitos recursos. O processo requer um poder computacional substancial e algoritmos complexos para analisar e ajustar grandes quantidades de dados. Ao contrário dos humanos, a maioria dos IAs não conseguem treinar e executar simultaneamente. Em vez disso, dividem o seu esforço em duas etapas: treino e inferência.</p></blockquote><p>Além disso, diferentes funções requerem diferentes técnicas de treinamento. Atualmente, já existem diversas técnicas, como Aprendizagem Supervisionada, Aprendizagem Não Supervisionada e Aprendizagem por Reforço. Estes modelos permitiram a aplicação da IA em várias áreas da sociedade.</p><ul><li><p>Agricultura: na gestão de pesticidas e detecção de doenças.</p></li><li><p>Medicina: na descoberta de medicamentos e previsão de doenças, incluindo o câncer.</p></li><li><p>Finanças: eficiência de processos de investimentos, empréstimos e detecção de falências.</p></li><li><p>Tradução de línguas.</p></li><li><p>Redes Neurais Geradoras: na criação de novos textos e imagens.</p></li></ul><p>À medida que testemunhamos soluções incríveis para a sociedade, também presenciamos o crescimento de plataformas de redes globais. Estas, ao longo dos anos, têm empregado a IA, desenvolvendo técnicas avançadas de aprendizado de máquina para coletar dados dos usuários, frequentemente de maneiras não completamente evidentes, tudo visando aprimorar a qualidade e a usabilidade das plataformas.</p><blockquote><p>As redes sociais, as pesquisas na Web, o streaming de vídeo, a navegação, a partilha de viagens e inúmeros outros serviços on-line não poderiam funcionar como funcionam sem o uso extensivo e crescente da AL. Ao usar esses serviços on-line para as atividades básicas da vida diária – oferecer recomendações de produtos e serviços, selecionar rotas, estabelecer conexões sociais e chegar a insights ou respostas – pessoas de todo o mundo estão participando de um processo que é ao mesmo tempo mundano e revolucionário. Contamos com Al para nos ajudar na realização de tarefas diárias sem necessariamente compreender precisamente como ou por que está funcionando em um determinado momento.</p></blockquote><p>Além disso, eles exploram com muita clareza como a sociedade está se encaminhando para uma dependência das facilidades proporcionadas pelas máquinas, ao mesmo tempo em que as plataformas de redes globais, em grande parte, não incentivam uma compreensão em relação aos aspectos da IA. Isso significa que assim como a IA soma, ela subtrai.</p><blockquote><p>Acelera dinâmicas que corroem a razão humana tal como a entendemos: as redes sociais, que diminuem o espaço para reflexão, e a pesquisa online, que diminui o ímpeto para a conceptualização. Os algoritmos pré-Al eram bons para fornecer conteúdo &quot;viciante&quot; aos humanos . A IA de hoje é excelente nisso.</p></blockquote><p>É realizada uma reflexão sobre a significativa influência social e, por conseguinte, política que as plataformas de redes obtêm através dos dados pessoais dos usuários, o que as impulsiona a transcender para domínios de governança e estratégia nacional. E sobre os efeitos transformadores da digitalização no pensamento humano, destacando os desafios decorrentes do acesso instantâneo a grandes quantidades de informação e a redução da reflexão na era digital.</p><p>Quando entram no contexto histórico da segurança e da ordem mundial, os autores comparam os resultados catastróficos da Primeira Guerra Mundial com a potencial gravidade de uma guerra cibernética impulsionada pela IA. Além disso, estabelece uma comparação entre armas cibernéticas, biológicas e químicas, em termos de efeito não intencionais.</p><p>As principais preocupações em relação à IA em contextos de guerra incluem o uso de armas automáticas sem autorização humana, o aumento da imprevisibilidade nas relações de segurança devido à capacidade avançada da IA em perceber padrões, combates aéreos pilotados por IA, ataques DDoS e suas implicações nos sistemas de comunicação, bem como os desafios na identificação das verdadeiras fontes de ataques cibernéticos, exemplificado pela sabotagem industrial cibernética, como no caso do Stuxnet contra os esforços nucleares iranianos.</p><p>Então como um alerta, em diversos momentos do livro, é destacado a preocupação sobre a importância da regulação da IA e do debate entre os governos para estabelecer controles éticos na área. Os autores ressaltam que o adiamento dessas medidas por muito tempo pode resultar em consequências prejudiciais, sobretudo em contextos militares.</p><p>Do lado positivo, desde que a IA esteja sujeita a treinamento e regulamentação, os benefícios resultantes do avanço da tecnologia proporcionarão uma satisfação na superação da razão tradicional. Haverá aqueles que enxergarão a IA como uma espécie de deus, enquanto outros poderão rejeitar essa visão, mantendo a perspectiva do Romantismo de que a emoção humana é a fonte primordial de verdade.</p><blockquote><p>Os humanos constroem e dirigem a IA . Mas à medida que nos habituamos e dependemos da IA, restringi-la pode tornar-se mais dispendioso e psicologicamente desafiante ou mesmo tecnicamente mais complicado.</p></blockquote><p>A nossa tarefa consiste em compreender a transformação que a IA introduz na experiência humana, os desafios que coloca à identidade humana, e quais as facetas desses desenvolvimentos que requerem regulação ou contrapeso em relação a outros compromissos humanos.</p><p>Independentemente disso, perceberemos uma necessidade intrínseca de reavaliar a ênfase na centralidade da razão humana diante da inteligência artificial, ao mesmo tempo em que diminuímos nossa dependência nas relações humanas devido à presença das máquinas.</p><p>Desta forma, as duas formas tradicionais pelas quais as pessoas conhecem o mundo, a fé e a razão, a IA acrescenta uma terceira. Essa mudança irá desafiar - e, em alguns casos, transformar - os nossos pressupostos fundamentais sobre o mundo e o nosso lugar nele.</p><hr><p><em>Espero que este resumo tenha oferecido uma compreensão clara do tema central do livro &quot;The Age of AI&quot; de Henry Kissinger, Eric Schmidt e Daniel Huttenlocher. Caso tenha alguma dúvida ou queira mais informações sobre algum aspecto específico, por favor, me avise! 💚</em></p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Reflexões sobre minha jornada em 2023]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/reflex-es-sobre-minha-jornada-em-2023</link>
            <guid>lK38GgHhRYltgIt7vEMC</guid>
            <pubDate>Mon, 15 Jan 2024 21:55:52 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Estou numa ponte entre a minha vida atual e a vida que estou construindo. Todos os dias, tento intencionalmente melhorar meus hábitos, avançar em direção aos meus objetivos e me perdoar quando faço alguma besteira. Na minha jornada, entendi que uma das melhores maneiras de me desenvolver é tentar coisas novas. Explorar diferentes ideias, desafios e perspectivas ajuda-me a desenvolver um sentido de autodescoberta e, ao abraçar novas experiências, moldo não apenas quem sou, mas também quem dese...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Estou numa ponte entre a minha vida atual e a vida que estou construindo. Todos os dias, tento intencionalmente melhorar meus hábitos, avançar em direção aos meus objetivos e me perdoar quando faço alguma besteira. Na minha jornada, entendi que uma das melhores maneiras de me desenvolver é tentar coisas novas. Explorar diferentes ideias, desafios e perspectivas ajuda-me a desenvolver um sentido de autodescoberta e, ao abraçar novas experiências, moldo não apenas quem sou, mas também quem desejo me tornar.</p><p>No final de 2023 percebi que este ano tinha sido um dos melhores em termos de conhecimento. Aprendi com tantas pessoas, livros e vídeos que senti a necessidade de documentar os aprendizados que foram decisivos para mim. Analisei então cinco experiências mais memoráveis, aquelas que me consumiram durante horas e dias em profundas reflexões e consequentemente me mudaram como pessoa.</p><ol><li><p><strong>Ter a mente mais aberta:</strong> sem dúvida, aprender a abrir mão das certezas foi um dos meus maiores aprendizados de 2023. Muitas vezes me deparei com padrões de pensamento que, quando submetidos à pesquisa, à leitura e ao diálogo com os outros, fizeram com que todas as certezas que existiam anteriormente desaparecessem. O mais interessante foi perceber a diferença entre confrontar as minhas próprias ideias fixas, um processo pragmático e relativamente fácil ao ler ou fazer pesquisas, e confrontar pessoas com pensamentos completamente diferentes dos meus, um processo um pouco mais complexo. Aprendi que a incerteza é um verdadeiro exercício de humildade e que a humildade não nos torna mais fracos, ela nos torna mais fortes. Por isso, percebendo essa força que vem da flexibilidade e aceitação de ideias opostas às minhas, passei a praticar o diálogo construtivo com conhecidos e desconhecidos, sempre com o objetivo de aprender mais com essas pessoas e compreender meus próprios padrões de pensamento.</p></li><li><p><strong>Ou investe ou não cresce:</strong> sair de uma origem marcada pela extrema pobreza para alcançar uma posição em uma classe superior demanda mais do que uma simples determinação; exige sabedoria nos investimentos financeiros, mas, sobretudo, nos investimentos intelectuais. Desde o momento em que compreendi que direcionar meus esforços para investir em meu conhecimento, seja por meio de cursos formais ou por autodidatismo, equivale a construir a base do meu desenvolvimento pessoal, percebi que o retorno desse investimento é a mais valiosa recompensa que eu poderia receber.</p></li><li><p><strong>John Fullerton tem razão, mas a minoria se importa:</strong> outro marco significativo no meu ano foi o contato com um artigo de John Fullerton intitulado &apos;<a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://capitalinstitute.org/wp-content/uploads/2015/04/2015-Regenerative-Capitalism-4-20-15-final.pdf">Regenerative Capitalism</a>&apos;, no qual ele argumenta que estamos guiando o mundo com base em teorias econômicas fundamentalmente defeituosas. Fullerton destaca sobre a perigosa névoa da economia neoclássica, que enxerga o mundo não como ele é, mas conforme supõe ser. Ele afirma que a profissão de economista nunca reconheceu que a física newtoniana não é a base correta para a economia, e os sintomas disso são muitos, desde a grotesca desigualdade existente até a quebra das fronteiras planetárias. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-59214427">As mudanças climáticas representam apenas uma das nove fronteiras planetárias</a>, e estamos violando as outras de maneira ainda mais intensa do que no ciclo do carbono. Apesar do interesse de vários participantes nesse conceito, me entristece perceber que ainda é uma minoria que se preocupa com essa questão. Transformar o paradigma, migrando do pensamento reducionista e da visão do mundo como uma máquina, para o pensamento holístico, entendendo o mundo como um ecossistema alinhado com a verdade que nossa ciência e sabedoria indígena nos mostram, é um trabalho que, infelizmente, está apenas nos primeiros passos.</p></li><li><p><strong>Estar a serviço:</strong> para quem me conhece, sabe do meu amor por livros de psicologia que sempre leio com objetivo de compreender as características da minha própria mente. Este ano, tive um insight mágico através da leitura de <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="">&quot;O que a vida deveria significar para você&quot;</a>, livro do qual compartilhei um resumo aqui em nossa página. O livro aborda uma questão fundamental que transformou minha atitude em relação ao meu círculo social: a prática da contribuição e cooperação. Embora já tivesse uma intenção natural de colaborar com as pessoas ao meu redor, compreender a importância de atos genuinamente práticos em relação ao próximo e como isso nos afeta emocionalmente de maneira positiva me colocou conscientemente em um posição de busca pelo bem-estar coletivo, indo além do meu próprio benefício (apesar de, sem dúvida, também contribuir pra ele).</p></li><li><p><strong>Que beleza tem a literatura brasileira!</strong> Costumo dizer que ingressar no curso de escrita criativa me deixou mais <em>cult.</em> As aulas incentivam a imersão na literatura brasileira, proporcionando uma exploração das nuances da escrita entre diferentes autores, o que me levou a perceber, pela primeira vez, a riqueza intrínseca do nosso país. As diferentes referências ideológicas, baseadas nos contextos históricos, políticos e sociais das suas épocas, realçam a diversidade de pensamento, ao mesmo tempo que revelam uma semelhança entre os novelistas. O século XVIII, marcado por uma explosão de estilos literários, foi também o período que testemunhou o surgimento do maior escritor brasileiro de todos os tempos: Machado de Assis. Foi no seu livro “Um Homem Célebre” que fiquei maravilhada com a sua reflexão sobre como a busca pela perfeição pode criar conflitos internos desnecessários, transformando-nos em nossos próprios inimigos. Seu maior inimigo é você mesmo! Em 2023, ficou claro para mim que o Brasil, com sua riqueza cultural única, é o lugar ideal para contribuir para o meu desenvolvimento na escrita.</p></li></ol><p>No final, percebo que a maioria das minhas mudanças foram impulsionadas por outras pessoas, indivíduos que me ensinaram e demonstraram formas mais eficazes de viver a vida e fazer as coisas. Isto me lembra um trecho do artigo de Fullerton que diz que &quot;A humanidade é parte integrante de uma rede interconectada de vida na qual não existe uma verdadeira separação entre &quot;nós&quot; e &quot;aquilo&quot;. Pensando nisso, espero que minhas experiências possam retribuir de forma semelhante a você. Se houver algo que você recomendaria para eu ler ou aprender em 2024, deixe um comentário abaixo que ficarei grata pelas sugestões.</p><p>Ótimo 2024! 💚</p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
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        </item>
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            <title><![CDATA[Humanizando a Web3]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/humanizando-a-web3</link>
            <guid>4c59k6ffvUJMyCLyffAY</guid>
            <pubDate>Sat, 21 Oct 2023 21:51:57 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Em meio à complexa dinâmica virtual, já parou para pensar na quantidade de contas falsas que circulam na internet? Não estou falando apenas daqueles incômodos bots que assolam as redes sociais, mas também de contas falsas que causam um impacto negativo em diversos aspectos online, principalmente no ecossistema do blockchain. Essas "contas", ou como são denominadas no contexto do blockchain, "carteiras", têm o potencial de distorcer informações, influenciar opiniões e até mesmo manipular tendê...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Em meio à complexa dinâmica virtual, já parou para pensar na quantidade de contas falsas que circulam na internet?</p><p>Não estou falando apenas daqueles incômodos bots que assolam as redes sociais, mas também de contas falsas que causam um impacto negativo em diversos aspectos online, principalmente no ecossistema do blockchain. Essas &quot;contas&quot;, ou como são denominadas no contexto do blockchain, &quot;carteiras&quot;, têm o potencial de distorcer informações, influenciar opiniões e até mesmo manipular tendências. É uma questão que vai além da simples presença de perfis automatizados e levanta preocupações sobre a integridade em modelos de governança baseados em votação e a autenticidade das métricas e estatísticas online.</p><p>Durante muito tempo, a comunidade Ethereum tem se empenhado em solucionar esse problema. Afinal, os blockchains, até hoje, não sabem identificar quem é uma pessoa real e, por consequência, quantas pessoas estão de fato utilizando a aplicação.</p><p>Diante dessa ineficiência, como é possível, então, implementar modelos de governança baseados em votação em um ambiente onde é extremamente fácil criar inúmeras carteiras e votar repetidamente? Ou como podem fazer distribuição igualitária de airdrops ou tokens nesse ecossistema, considerando que uma única entidade pode apropriar-se de tudo?</p><p>Por mais de uma década, pessoas têm tentado manipular as métricas em torno dos blockchains, criando atividades e usos falsos. Elas se aproveitam da facilidade de criar diversas carteiras para dar a falsa impressão de que o blockchain possui milhões de usuários, quando na realidade a situação é bem diferente. Este é um problema real que justifica a necessidade de uma <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Proof_of_personhood">prova de personalidade</a>.</p><p>A prova de personalidade é um sistema de identidade social que assegura que cada conta ou participante em uma plataforma digital é controlada por uma única pessoa real. Em outras palavras, ele verifica se cada usuário é genuinamente humano e impede que um indivíduo crie múltiplas identidades falsas.</p><p>É fundamental ter em mente que quando falamos em prova de personalidade como um sistemas de identidade social para aplicações no blockchain, a maioria dos desenvolvedores busca criar soluções que revelem o mínimo de informações pessoais possível. O que contrasta completamente com as plataformas que utilizam o processo de KYC, que se baseia em sistemas de identificação governamental, como documentos de identidade e passaportes. Embora eficaz, esse método muitas vezes requer a divulgação de uma considerável quantidade de dados pessoais.</p><p>Então, diante dessa necessidade, surgiram algumas alternativas:</p><ul><li><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://proofofhumanity.id/"><strong>Proof of Humanity</strong></a>: Neste método, os usuários enviam um vídeo e fazem um depósito. Para ser aprovado, é necessário o testemunho de um usuário existente e passar por um período de possível contestação.</p></li><li><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.brightid.org/"><strong>BrightID</strong></a>: Outra alternativa que envolve os usuários participando de uma videochamada de verificação com outros usuários, onde todos se confirmam.</p></li><li><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.idena.io/"><strong>Idena</strong></a>: Este sistema propõe um jogo de captcha em um momento específico, evitando participações múltiplas. Parte do jogo envolve a criação e verificação de captchas usados para autenticar outros.</p></li><li><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://circles.garden/welcome"><strong>Circles</strong></a>: Ao contrário dos outros, Circles não busca criar um &quot;ID globalmente verificável&quot;; em vez disso, ele forma um gráfico de relações de confiança onde a confiabilidade é avaliada a partir da perspectiva da própria posição de cada usuário no gráfico.</p></li></ul><p>Por outro lado, nos últimos meses surgiu um novo projeto que tem sido objeto de muita discussão devido ao seu método “inovador” de verificação de identidade por meio da íris: o <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://worldcoin.org/"><strong>Worldcoin</strong></a>.</p><p>Abaixo vou explicá-lo com um pouco mais de detalhes buscando sempre manter uma perspectiva mais neutra, embora pessoalmente eu ache um tanto bizarro a ideia de escanear a íris em troca de tokens.</p><h2 id="h-worldcoin" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Worldcoin</h2><p>O Worldcoin, originalmente fundado por Sam Altman, atual CEO da OpenAI, surge com a filosofia de resolver os problemas que a inteligência artificial inevitavelmente trará ao mundo, como a dificuldade de distinguir entre humanos e bots, assim como a potencial substituição de empregos humanos por sistemas automatizados. Para enfrentar essas questões, o Worldcoin propõe duas soluções: a criação de uma rede identidade virtual e a implementação de um Rendimento Básico Universal (UBI) destinado a distribuir recursos para todos os seres humanos.</p><p>Uma das características distintivas do Worldcoin em relação a outras redes de prova de personalidade é a sua avançada tecnologia biométrica. Através de um dispositivo físico chamado <em>&quot;orb&quot;</em>, o sistema realiza a leitura da íris de cada usuário, emitindo um identificador exclusivo denominado World ID. Esse identificador, em teoria, garantiria a autenticidade e singularidade de cada participante no ecossistema do Worldcoin.</p><p>O que torna isso ainda mais significativo é o fato de que o sistema não armazena varreduras completas da íris; ele armazena apenas hashes, e esses hashes são usados para verificar a singularidade das identidades.</p><p>De acordo com a descrição sobre privacidade no site:</p><blockquote><p><em>&quot;Seus dados biométricos são primeiro processados localmente no Orb e depois excluídos permanentemente. Os únicos dados que permanecem são seu código de íris. Esse código de íris é um conjunto de números gerados pelo Orb e não está vinculado à sua carteira nem a nenhuma de suas informações pessoais.&quot;</em></p></blockquote><p>Para manter essa narrativa de <em>privacy-first</em>, os fundadores do Worldcoin enfatizaram em diversas apresentações sobre produto o objetivo de conceder aos usuários total controle sobre suas informações. Portanto, cada usuário possui uma carteira totalmente autocustódia, além do sistema implementar uma camada de segurança chamada “prova de conhecimento zero”. A prova de conhecimento zero permite que carteira comprove que o usuário é um ser humano único sem a necessidade de revelar qualquer outra informação sobre ele. Dessa forma, cada ação realizada na plataforma permanece anônima.</p><p>Em relação ao Rendimento Básico Universal (UBI), — uma proposta socioeconômica que visa distribuir uma renda fixa a todos os cidadãos — após o usuário ser verificado e possuir seu identificador World ID, ele passa a receber automaticamente um valor periódico de tokens WLD diretamente em sua carteira autocustodiada. A promessa é que esses tokens possam valorizar ao longo do tempo, proporcionando aos usuários uma forma de renda passiva.</p><p>Quanto à aplicação prática do World ID, ainda não está claro para mim quais tipos de aplicativos podem ser acessados com este identificador. Mas como anunciaram recentemente uma nova atualização que facilita a integração do World ID em redes compatíveis com a *Ethereum Virtual Machine *(EVM), acredito que isso poderá abrir portas para aplicações implementá-lo afim de evitar algum tipo de ataque ou fraude.</p><h3 id="h-criticas" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Críticas</h3><p>Apesar dos esforços do Worldcoin para tentar deixar a Web3 mais humanizada, o projeto vem recebendo muitas críticas relacionadas à privacidade e segurança do Orb, assim como preocupações com o design do token.</p><p>A questão da privacidade surge da necessidade de escanear a íris, o que pode envolver a divulgação de informações sensíveis. É prudente considerar os riscos de compartilhamento de biometria, especialmente sem a garantia de medidas de segurança.</p><p>Além disso, a centralização também é uma preocupação, uma vez que não há garantia de que o hardware do Orb não possua falhas de codificação que poderiam permitir que um hacker decifrasse as varreduras da íris, ou até mesmo uma possível corrupção interna que colocasse em risco os dados dos usuários ou facilitasse a criação de falsificações.</p><p>Por fim, a segurança dos telefones dos usuários e a possibilidade de coerção para realização do escaneamento da íris são riscos adicionais que estão sendo considerados.</p><hr><p>O MIT conduziu uma investigação aprofundada e levantou diversas críticas em relação ao plano de ação da empresa. Embora não se saiba ao certo o fundamento desta investigação (visto que os fundadores se defenderam em relação à investigação), pode ser interessante ler o conteúdo para uma análise mais detalhada.</p><p><strong>Artigo: </strong><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.technologyreview.com/2022/04/06/1048981/worldcoin-cryptocurrency-biometrics-web3/"><strong>Deception, exploited workers, and cash handouts: How Worldcoin recruited its first half a million test users</strong></a></p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Nome de Domínio Blockchain]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/nome-de-dom-nio-blockchain</link>
            <guid>9FgiIrAb9fVd1xcB5k2j</guid>
            <pubDate>Wed, 13 Sep 2023 14:34:18 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Sempre existirão aqueles que resolvem problemas de tal maneira que, em algum momento, sequer nos lembraremos de que o problema um dia existiu. A internet seria muito diferente hoje sem Paul Mockapetris que, ao perceber a limitação de identificar um site através de endereços IP numéricos (192.168.1.), criou um sistema de nomenclatura legíveis por humanos (substack.com), o conhecido Domain Name Service (DNS). Essa inovação facilitou a criação de nomes de domínio mais facilmente memorizáveis, le...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Sempre existirão aqueles que resolvem problemas de tal maneira que, em algum momento, sequer nos lembraremos de que o problema um dia existiu.</p><p>A internet seria muito diferente hoje sem <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.youtube.com/watch?v=VcwQPK4GTMs">Paul Mockapetris</a> que, ao perceber a limitação de identificar um site através de endereços IP numéricos (192.168.1.), criou um sistema de nomenclatura legíveis por humanos (substack.com), o conhecido Domain Name Service (<a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_Nomes_de_Dom%C3%ADnio">DNS</a>). Essa inovação facilitou a criação de nomes de domínio mais facilmente memorizáveis, levando assim a experiência do usuário para outro nível.</p><p>No ecossistema blockchain existe um desafio e uma solução muito semelhante.</p><p>Assim como o sistema DNS, os sistemas criptográficos usam um protocolo de busca parecido com o antigo modelo de busca de IP, repleto de códigos difíceis de memorizar. Toda vez que precisa enviar ETH para a carteira de um amigo, por exemplo, você se depara com a tarefa de copiar um endereço de carteira extremamente longo (0x7u823f901bd9nh…). Este processo, muitas vezes, pode ser um desafio, pois a possibilidade de cometer erros é significativa e, nesse contexto, um simples deslize pode resultar na perda total de suas criptomoedas.</p><p>É aqui que entra a solução: Serviços de Nome de Domínio baseados em Blockchain focados em associar qualquer tipo de endereço criptográfico a um nome de domínio mais fácil de lembrar. Com isso, em vez de lembrar sua chave criptográfica, você pode simplesmente comprar o domínio com seu nome e utilizá-lo.</p><p>A grande diferença em relação ao DNS é que seu potencial vai muito além de transações financeiras envolvendo criptomoedas, promovendo uma experiência muito mais intuitiva e abrangente para os usuários.</p><p>Algumas das principais vantagens são:</p><ul><li><p><strong>Criação de identidade digital:</strong> Com os domínios web3, é possível criar identidades digitais exclusivas e descentralizadas. Isso pode incluir a criação de um site pessoal ou uma marca vinculada ao domínio.</p></li><li><p><strong>Colecionáveis:</strong> Além disso, os domínios podem ser tratados como itens colecionáveis. Eles são ativos que podem ser comprados, vendidos e negociados em mercados NFT.</p></li><li><p><strong>Autenticação e login em contas de redes sociais:</strong> Os domínios web3 são como uma chave para o ecossistema digital descentralizado, permitindo autenticação e login em contas de redes sociais e outras plataformas web3.</p></li><li><p><strong>Atualizações de forma autônoma:</strong> Outra característica interessante está na forma como as atualizações são feitas nos domínios. Enquanto para efetuar qualquer alteração em um domínio DNS é necessário o auxílio de um programador, os domínios web3 permitem que essas modificações sejam realizadas de maneira autônoma. Isso é possível devido ao fato de que os domínios web3 são gerados através de tokens não fungíveis (NFT), o que concede aos proprietários do domínio a capacidade de gerenciá-los diretamente a partir de suas carteiras cripto, sem depender de intermediários.</p></li></ul><p>O resultado dessas melhorias é uma transformação substancial na maneira como os usuários interagem com o ecossistema web3. Ao utilizar nome de domínio nos aplicativos do blockchain, os usuários são expostos a uma experiência otimizada de interação, onde um único nome de domínio pode ser empregado em diversas plataformas, simplificando consideravelmente o processo de navegação e interação.</p><p>Com a expectativa de um crescimento global de <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://downloads.ctfassets.net/c5bd0wqjc7v0/1ltW7EcyoCKpliiD1Slb23/a23a7657b9700fa06ac47a4fe04d48e0/Coinbase_IntlSurvey-Web3Adoption.pdf">50%</a> na adoção da Web3 nos próximos três anos, torna-se evidente que o Nome de Domínio Blockchain e outras melhorias na experiência do usuário desempenharão um papel crucial em tornar a integração de novos participantes no ecossistema criptográfico mais acessível.</p><p>Isso segue um padrão constante na evolução da tecnologia. Sempre existirão visionários, como Paul Mockapetris, capazes de enxergar além das limitações presentes e conceber soluções inovadoras que transformam a forma como interagimos com a internet.</p><p>Assim como Mochapetris resolveu um problema que para a época parecia irrelevante, os desenvolvedores no mundo blockchain estão pavimentando o caminho para uma experiência Web3 muito mais acessível e intuitiva para todos.</p><h2 id="h-onde-comprar-nome-de-dominio-blockchain" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>Onde Comprar Nome de Domínio Blockchain</strong></h2><h3 id="h-unstoppable-domains" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Unstoppable Domains</h3><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://unstoppabledomains.com/">https://unstoppabledomains.com/</a></p><ul><li><p>Blockchain Ethereum, Polygon e Zilliqa</p></li><li><p>Apresenta mais opções de extensão de domínio: .x .nft .crypto</p></li><li><p>3,7 milhões de domínios registrados</p></li></ul><h3 id="h-ens" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">ENS</h3><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://app.ens.domains/">https://app.ens.domains/</a></p><ul><li><p>Blockchain Ethereum</p></li><li><p>Primeiro domínio blockchain lançado</p></li><li><p>Representado como .eth</p></li><li><p>2,58 milhões de domínios registrados</p></li></ul><h3 id="h-solana-name-service" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Solana Name Service</h3><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://sns.id/">https://sns.id/</a></p><ul><li><p>Blockchain Solana</p></li><li><p>Representado como .sol</p></li></ul><h3 id="h-avvy-domains" class="text-2xl font-header !mt-6 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Avvy Domains</h3><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://avvy.domains/">https://avvy.domains/</a></p><ul><li><p>Blockchain Avalanche</p></li><li><p>Representado como .avax</p></li></ul><hr><p><em>É importante ressaltar que o registro de um domínio no blockchain não equivale a assegurar a patente de uma marca. Conforme destacou a advogada Julia Pazos no </em><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://criptada.substack.com/p/propriedade-intelectual-na-web3-julia"><em>podcast que gravamos juntas</em></a><em>, a única maneira de garantir a propriedade de uma marca é por meio do registro concedido pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).</em></p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Os Limites do Crescimento]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/os-limites-do-crescimento</link>
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            <pubDate>Mon, 28 Aug 2023 20:39:46 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Em meados de 1972, uma equipe de 17 pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts realizou um estudo sobre as implicações decorrentes do contínuo crescimento global. Eles avaliaram cinco grandes tendências de preocupação: industrialização acelerada, rápido crescimento populacional, produção agrícola, esgotamento de recursos não renováveis e deterioração do meio ambiente. Através de uma série diversificada de testes utilizando o modelo de simulação computacional chamado "World3", e...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Em meados de 1972, uma equipe de 17 pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts realizou um estudo sobre as implicações decorrentes do contínuo crescimento global. Eles avaliaram cinco grandes tendências de preocupação: industrialização acelerada, rápido crescimento populacional, produção agrícola, esgotamento de recursos não renováveis e deterioração do meio ambiente.</p><p>Através de uma série diversificada de testes utilizando o modelo de simulação computacional chamado &quot;World3&quot;, eles analisaram cenários alternativos sobre o futuro da humanidade. Os resultados, por sua vez, foram sempre os mesmos: caso as tendências de crescimento populacional mundial e das demais áreas mencionadas não fossem contidas, o resultado previsto seria um colapso global nos próximos cem anos. Embora o modelo utilizado não forneça informações precisas devido à limitada disponibilidade de informações na época, fornece uma perspectiva fundamental sobre as limitações do crescimento em nosso mundo finito. &quot;Não é possível crescer para sempre em um ambiente limitado&quot;.</p><p>A publicação do livro &quot;The Limit to Growth&quot; completa agora 50 anos e, de acordo com suas premissas, restariam apenas mais 50 anos até o possível colapso, uma vez que algumas de suas previsões sobre o crescimento exponencial da população têm sido consistentemente confirmadas. Diante disso, decidi fazer um breve resumo para instigar você a ler o livro e compreender suas principais preocupações.</p><hr><h2 id="h-os-limites-do-crescimento" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Os Limites do Crescimento</h2><blockquote><p>Na circunferência de um círculo, o início e o fim são comuns. Heraclitus, 500 A.C.</p></blockquote><p>Praticamente todas as ações humanas, desde o uso de fertilizantes até o desenvolvimento urbano, podem ser representadas por curvas de crescimento exponencial. Seja a população, a produção de alimentos, a industrialização, a poluição ou consumo de recursos naturais não renováveis, todos obedecem a um padrão de crescimento exponencial.</p><p>O perigo surge na interação contínua entre esses elementos. As populações não podem crescer sem alimentos, a produção de alimentos aumenta pelo crescimento do capital, mais capital requer mais recursos, os recursos descartados tornam-se poluição, a poluição interfere no crescimento da população e na produção dos alimentos. Caso essas tendências de crescimento continuarem inalteradas, os limites do crescimento neste planeta poderão ser alcançados, resultando em um declínio súbito e incontrolável tanto na população como na capacidade industrial.</p><p>Mas o que é necessário para sustentar o crescimento econômico e populacional? A lista dos ingredientes necessários é longa, mas pode ser dividida aproximadamente em duas categorias principais:</p><ol><li><p>A primeira categoria inclui as necessidades físicas que sustentam toda a atividade fisiológica e industrial - alimentos, matérias-primas, combustíveis fósseis e nucleares e os sistemas ecológicos do planeta que absorvem resíduos e reciclam substâncias químicas básicas importantes. Esses ingredientes são, em princípio, itens tangíveis e contáveis, como terra arável, água doce, metais, florestas e oceanos.</p></li><li><p>A segunda categoria consiste nas necessidades sociais. Mesmo que os sistemas físicos da Terra sejam capazes de suportar uma população muito maior e mais desenvolvida economicamente, o crescimento real da economia e da população dependerá de fatores como paz e estabilidade social, educação e emprego e progresso tecnológico constante.</p></li></ol><p>Essas duas categorias indicam que alimentos, recursos e um ambiente saudável são condições necessárias, porém não suficientes, para sustentar o crescimento econômico e populacional. Mesmo quando esses elementos são abundantes, o crescimento pode ser travado por problemas sociais.</p><p>Entretanto, o ponto de preocupação reside no fato de que todos os elementos da categoria 1 são recursos finitos. Um exemplo claro é o recurso fundamental para a produção de alimentos: a terra. Naquela época, os estudos indicavam a existência de, no máximo, cerca de 3,2 bilhões de hectares de terras potencialmente adequadas para a agricultura em todo o planeta. Aproximadamente metade desse território, composta pelas áreas mais férteis e acessíveis, já estava em uso para atividade agrícola.</p><p>E o que acontece com os metais e combustíveis extraídos da terra depois de utilizados e descartados? De certa forma, esses elementos nunca são verdadeiramente perdidos. Os átomos que os compõem são reorganizados e, com o tempo, são dispersos em uma forma diluída e inutilizável pelo ar, solo e nas águas do nosso planeta. Entretanto, quando esses efluentes são liberados em uma escala considerável, os mecanismos naturais de absorção podem atingir seu limite de saturação.</p><blockquote><p>Esta ignorância sobre os limites da capacidade da Terra para absorver poluentes deveria ser motivo suficiente para cautela na liberação de substâncias poluentes.</p></blockquote><p>Alguns poluentes estão diretamente ligados ao crescimento populacional (ou às atividades agrícolas, ligadas ao crescimento populacional), enquanto outros estão mais associados ao desenvolvimento industrial e avanços tecnológicos. A complexidade do sistema global faz com que a maioria dos poluentes seja de alguma forma influenciada tanto pela população quanto pela indústria. Além disso, é identificado que esses dois elementos, o crescimento populacional e o crescimento industrial, representam os pontos mais problemáticos no cenário de crise.</p><blockquote><p>O padrão fundamental de comportamento do sistema global é a tendência ao crescimento exponencial tanto da população quanto do capital, seguido por um eventual colapso.</p></blockquote><p>Diante desse cenário, os pesquisadores empreenderam uma série de testes no modelo World3, introduzindo estimativas otimistas sobre os benefícios da tecnologia para conter o crescimento populacional e industrial. No entanto, todos os testes resultaram no inexorável declínio tanto da população quanto da atividade industrial, projetado para ocorrer antes do ano 2100.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/1d61b1c6c5a967a1a443f7f296a9548e2169765fc3f2cb90c2fc6a92ef669968.png" alt="Os alimentos, a produção industrial e a população crescem exponencialmente até que a rápida diminuição da base de recursos força um abrandamento do crescimento industrial. Devido aos atrasos naturais do sistema, tanto a população como a poluição continuam a aumentar durante algum tempo após o pico da industrialização. O crescimento populacional é finalmente interrompido por um aumento na taxa de mortalidade devido à diminuição dos alimentos e dos serviços médicos." blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="">Os alimentos, a produção industrial e a população crescem exponencialmente até que a rápida diminuição da base de recursos força um abrandamento do crescimento industrial. Devido aos atrasos naturais do sistema, tanto a população como a poluição continuam a aumentar durante algum tempo após o pico da industrialização. O crescimento populacional é finalmente interrompido por um aumento na taxa de mortalidade devido à diminuição dos alimentos e dos serviços médicos.</figcaption></figure><p>Os resultados surgem de um simples fato – a Terra é finita.</p><p>Infelizmente, a sociedade moderna não aprendeu a reconhecer e a lidar com essa realidade. Em vez disso, continuam lutando pelo objetivo de produzir mais pessoas, mais alimentos e bens materiais, na esperança de que avanços tecnológicos possam estender a viabilidade do crescimento por um período mais prolongado.</p><p>No entanto, a fé na tecnologia como a solução definitiva para todos os problemas desvia a nossa atenção do problema mais fundamental – o problema do crescimento em um sistema finito – e nos impede de tomar medidas eficazes para enfrentá-lo.</p><p>Muitos dos desenvolvimentos tecnológicos - reciclagem, dispositivos de controle da poluição, contraceptivos - são absolutamente vitais para o futuro da sociedade humana, mas somente se forem combinados com controles deliberados do crescimento.</p><hr><p>Após uma série de testes envolvendo diversos cenários, uma única solução foi encontrada ao equilibrar o crescimento de todos os elementos problemáticos. ** **</p><p>Os requisitos para alcançar um estado de equilíbrio global são:</p><ol><li><p>A magnitude do capital e da população permanece constante. A taxa de natalidade iguala-se à taxa de mortalidade, e a taxa de investimento de capital equipara-se à taxa de depreciação.</p></li><li><p>Todas as taxas de entradas e saídas - nascimentos, óbitos, investimento e depreciação - são mantidas em níveis mínimos.</p></li><li><p>Os níveis de capital e de população, bem como a proporção entre eles, são definidos de acordo com os valores da sociedade. Esses valores podem ser intencionalmente revisados e ajustados gradualmente à medida que avanços tecnológicos criam novas possibilidades.</p></li></ol><p>Como se pode ver, um estado de equilíbrio não estaria livre de pressões, uma vez que nenhuma sociedade pode estar livre de pressões. Alcançar esse equilíbrio demandaria a troca de certas liberdades humanas, tais como produzir um número ilimitado de crianças ou consumir recursos de maneira desenfreada, por outras liberdades, como a redução da poluição e do superpovoamento, além de evitar a ameaça de um colapso do sistema global.</p><p>A decisão de não tomar nenhuma medida para resolver esses problemas é equivalente a tomar medidas energéticas. A cada dia de crescimento exponencial contínuo, o sistema global se aproxima de seus limites finais. Optar por não agir é, de fato, escolher aumentar o risco de colapso. Desta forma, é importante a sociedade reconhecer que não pode maximizar tudo para todos, antes que perca sua oportunidade de escolha.</p><hr><p><em>Depois de 50 anos, o Clube de Roma lançou “Limits and Beyond”, servindo como sequência de “The Limits to Growth”. Esta continuação avalia a precisão dos seus modelos anteriores e examina como a comunidade global respondeu aos desafios descritos no relatório original. Recomendo a leitura! 💚</em></p>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
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        </item>
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            <title><![CDATA[A Evolução da Propriedade da Música]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@criptada-2/a-evolu-o-da-propriedade-da-m-sica</link>
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            <pubDate>Mon, 24 Jul 2023 13:10:52 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Em 7 de outubro de 2008, a indústria da música foi revolucionada por uma empresa sueca de streaming que apresentou um inovador modelo de negócio, permitindo acesso ilimitado à música por meio de uma assinatura mensal: o Spotify. Desde então, a empresa tem consolidado sua posição como a plataforma líder global de streaming de música, graças a uma combinação bem-sucedida de fatores. Sua conveniência aos usuários, parcerias estratégicas com detentores de direitos autorais e a possibilidade de ac...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Em 7 de outubro de 2008, a indústria da música foi revolucionada por uma empresa sueca de streaming que apresentou um inovador modelo de negócio, permitindo acesso ilimitado à música por meio de uma assinatura mensal: o Spotify.</p><p>Desde então, a empresa tem consolidado sua posição como a plataforma líder global de streaming de música, graças a uma combinação bem-sucedida de fatores. Sua conveniência aos usuários, parcerias estratégicas com detentores de direitos autorais e a possibilidade de acesso à música sob demanda, o que contribuiu para combater a pirataria musical.</p><p>Embora tenha alcançado muito sucesso, o Spotify sempre enfrentou <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_Spotify">críticas</a>, especialmente relacionadas aos pagamentos de royalties aos artistas.</p><p>Compreender como funciona seu modelo de royalties é fundamental para entender o tema desta newsletter:</p><p>Na economia da música existem diversos participantes, incluindo produtores, compositores, gravadoras e curadores musicais. No Spotify, as gravadoras são seus principais clientes, pois a plataforma depende de acordo com elas para ter acesso às músicas protegidas por direitos autorais.</p><p>A plataforma repassa 70% de sua receita aos detentores de direitos autorais. Mas a questão é que a maioria dos detentores dos direitos autorais são as próprias gravadoras, que pagam os artistas de acordo com os termos acordados. E é por isso que, muitas vezes, os artistas que têm contratos com gravadoras acabam recebendo uma remuneração relativamente baixa em comparação com os lucros das gravadoras. Essa disparidade é o principal motivo das críticas direcionadas ao Spotify.</p><p>Por outro lado, artistas menores foram grandemente beneficiados por esse novo modelo de distribuição, já que lhes proporcionou a oportunidade de alcançar um público mais amplo, algo que poderia ser bastante difícil na era dos CDs físicos. No entanto, mesmo alcançando um público mais amplo, garantir um fluxo contínuo de receita vindo da plataforma é desafiador, considerando que o Spotify paga apenas 0.004 por reprodução de uma música. O que significa que um artista precisa acumular milhões de reproduções mensais para alcançar uma média de $4.000 por mês, algo que raramente acontece.</p><p>Em 2022, o Spotify <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://loudandclear.byspotify.com/#box-1">anunciou</a> que mais de 57.000 artistas geraram receitas superiores a $10.000 no ano (em comparação aos 23.400 em 2017), e 1.060 artistas obtiveram mais de US$1 milhão (em comparação com 460 em 2017), ou seja, a grande maioria dos artistas ganha cerca de $800 / $900 mensais. Além do valor relativamente baixo, os pagamentos podem demorar de 3 a 6 meses para serem realizados, o que pode impactar a estabilidade financeira dessas pessoas que vivem da música.</p><p>Então, basicamente, esse é o cenário do modelo de negócios do Spotify e algumas das razões pelas quais existe até uma página documentada no <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_Spotify">Wikipedia</a> dedicada a essas críticas.</p><p>Assim como toda inovação que soluciona problemas antigos, também abre espaço para o surgimento de problemas novos. E qual a solução desses novos problemas? Os NFTs! Brincadeirinha haha! Os NFTs não são a solução para todos os problemas relacionados à indústria da música, porém, permitem a criação de novas possibilidades de monetização para os artistas musicais.</p><hr><p>Atualmente, diversas plataformas Web3 têm surgido com o objetivo de apoiar os artistas musicais por meio de uma estratégia de distribuição complementar com os NFTs. No entanto, nesta newsletter gostaria de me concentrar em uma que considero uma das melhores, visto que tem atraído a empolgação de muitos artistas com seus ganhos rápidos de monetização: a <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/soundxyz_">Sound</a>.</p><p>A premissa fundamental da Sound é realinhar a dinâmica de poder dentro da indústria da música por meio de um modelo de negócios centrado no artista, permitindo que os artistas definam seus preços e maximizem sua receita por cada música criada.</p><p>Basicamente, os artistas lançam suas músicas no formato NFT, disponibilizam na plataforma, e os fãs se conectam com eles de uma forma mais direta, pois além de poderem ouvir as músicas quantas vezes quiserem, também podem colecioná-las.</p><p>Mas o que torna esse modelo realmente disruptivo é que, quando o fã coleta a música, a <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://sound.mirror.xyz/edU2Ac-VEjTEMxxQyY44hRojsolkOolwvQORZojpX-M">plataforma repassa 100%</a> do valor arrecadado diretamente para o artista, sem cobrar nenhuma taxa. Em vez disso, introduz uma pequena taxa de cunhagem para os colecionadores por cada transação em um processo transparente e instantâneo onde o valor recebido é transferido diretamente para a carteira do artista.</p><p>Sem dúvida, esta nova estrutura oferece uma abordagem muito mais sustentável para artistas com sons mais experimentais que não aspiram ser um popstar.</p><p>Mas quando pensamos no lado dos ouvintes, uma pergunta comum é: por que colecionar se posso ouvir de graça?</p><p>De acordo com o fundador da Sound, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.youtube.com/watch?v=hhjpcRfPL6M">David Greenstein</a>, existem três razões principais pelas quais os fãs compram essas edições de música no formato NFT. O primeiro é o status social, onde as pessoas amam ser as primeiras a ter acesso a algo exclusivo. O segundo é o aspecto de <strong>modernização e especulação</strong>, já que os NFTs oferecem a oportunidade de potencialmente lucrar com a apreciação musical.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/a2a0f6d97613bd3342a466aee356d72db9d4bc7f82b2bb3cf0ef1b7605d93bca.jpg" alt="Sound Divulga: Top Colecionadores do Mês" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="">Sound Divulga: Top Colecionadores do Mês</figcaption></figure><p>E o terceiro é que os NFTs também fornecem um <strong>acesso mais próximo</strong> <strong>ao artista</strong>, criando comunidades mais íntimas de fãs em torno de sua música, permitindo um contato mais próximo e significativo.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/ab72e6384a9db5ed4a83718f2733a18bb850febe512ccb15997883db1034b188.jpg" alt="“O maior problema da música é que os artistas não fazem ideia de quem são seus maiores ouvintes. Nós consertamos isso.”" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="">“O maior problema da música é que os artistas não fazem ideia de quem são seus maiores ouvintes. Nós consertamos isso.”</figcaption></figure><p>Esses três ingredientes tornaram a plataforma uma referência para artistas em termos de monetização. Os fãs realmente gostam desse aspecto colecionável de suas músicas favoritas e por isso os artistas estão se beneficiando muito financeiramente nessas plataformas Web3. Frequentemente a Sound destaca seus campeões em termos de colecionáveis, e é impressionante ver artistas gerando valores altíssimos com apenas 300 colecionadores/fãs.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/3164bedf8d9d4e4468175d03fa2754ade2ddac670ca20dc193a94fddda0e7083.jpg" alt="Sound Divulga: Músicas Virais" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="">Sound Divulga: Músicas Virais</figcaption></figure><p>O sucesso dessa estrutura de negócio indica uma reviravolta significativa na indústria da música, enfatizando que ter milhões de fãs não é mais o único caminho para o sucesso financeiro de um artista. Em vez disso, com apenas alguns fãs verdadeiros que valorizam e estão dispostos a investir em seu trabalho, pode ser uma base sólida para o crescimento sustentável de uma carreira musical.</p><p>Com a evolução da tecnologia, os artistas estão agora numa posição privilegiada, podendo escolher a plataforma de distribuição que melhor se alinha com os seus interesses e, sobretudo, tendo o poder de definir o preço da sua música.</p><p>Conheça outras grandes plataformas de músicas Web3: <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/join_royal">Royal</a>, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/glassprotocol/">Glass</a>, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/ourZORA">Zora</a>, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/spin_amp">Spinamp</a></p><hr>]]></content:encoded>
            <author>criptada-2@newsletter.paragraph.com (Criptada)</author>
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