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        <title>majutrindade</title>
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            <title><![CDATA[Maria Júlia Trindade Frias Devásio ]]></title>
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            <pubDate>Mon, 18 May 2026 03:11:50 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Acho engraçado como algumas pessoas me conhecem há anos sem realmente me conhecerem de verdade. Talvez porque eu sempre tenha sido uma pessoa feita de detalhes. E detalhes nem sempre aparecem de primeira. Meus amigos costumam dizer que eu conto histórias como se estivesse dentro de um filme. Que eu enceno demais, exagero expressões, mudo o tom de voz, faço pausas dramáticas… mas acho que isso acontece porque sou uma pessoa extremamente visual. Quero que as pessoas enxerguem exatamente aquilo ...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<hr><div data-type="x402Embed"></div><p>Acho engraçado como algumas pessoas me conhecem há anos sem realmente me conhecerem de verdade. Talvez porque eu sempre tenha sido uma pessoa feita de detalhes. E detalhes nem sempre aparecem de primeira.<br>Meus amigos costumam dizer que eu conto histórias como se estivesse dentro de um filme. Que eu enceno demais, exagero expressões, mudo o tom de voz, faço pausas dramáticas… mas acho que isso acontece porque sou uma pessoa extremamente visual. Quero que as pessoas enxerguem exatamente aquilo que estou tentando sentir enquanto conto alguma coisa. Então, se você tiver paciência, senta aí. Minha vida sempre pareceu uma coleção de cenas malucas misturadas com nostalgia, música alta e imaginação demais.</p><p>Nasci em 12 de fevereiro de 1998, em Catanduva, interior de São Paulo. Filha de Karina e Renato, ambos separados atualmente. Tenho 1,63 de altura, pronomes femininos, sou aquariana com lua e ascendente em gêmeos, INFJ-T e demissexual.  Mas, honestamente? Acho que muito da minha personalidade começou a nascer antes mesmo de eu entender o significado dessas palavras.</p><p>Quando eu tinha três anos, me mudei para Guarulhos. Cresci no Cecap, um bairro que, pra mim, parecia um universo inteiro. Morei com minha mãe, meus avós, meu tio e meu primo. E apesar do apartamento não ser enorme, as memórias ocupam um espaço gigante dentro de mim até hoje.</p><p>Passei a infância correndo pelos condomínios, inventando histórias absurdas e criando aventuras onde provavelmente não existia absolutamente nada. Minha avó tinha regras muito específicas — incluindo uma que moldou minha resistência física involuntariamente: se eu subisse pra casa, não poderia descer pro parquinho de novo. Resultado? Eu passava horas evitando ir ao banheiro só pra continuar brincando. Hoje parece engraçado. Na época era uma questão de sobrevivência social.</p><p>Sempre fui observadora demais pra minha idade. A maioria das minhas amizades era formada por meninas mais velhas, e talvez tenha sido aí que comecei a absorver referências antes do tempo. Enquanto outras crianças provavelmente falavam sobre brinquedos, eu já observava estilos, músicas, comportamentos e pequenos dramas adolescentes como quem assistia uma série em tempo real.</p><p><br>Era a época em que Avril Lavigne praticamente comandava a estética das garotas da minha geração — e claro que eu também apareci de munhequeira, unha preta e tentando parecer mais rebelde do que realmente era.</p><p>Se perguntarem sobre mim na infância, provavelmente vão dizer que eu era arteira. E estariam certos. Eu simplesmente precisava transformar qualquer dia comum em algum tipo de evento. Tocar a campainha dos vizinhos e sair correndo? Claro. Inventar que a vizinha do andar de cima era uma bruxa misteriosa? Também. Andar de bicicleta sem saber direito, com minha prima na garupa e cair no asfalto? Infelizmente, sim.</p><p>Minha prima teve uma influência enorme na minha vida. Dormir na casa dela era como participar de um festival particular. Eu ficava fascinada observando ela mexer naquele computador antigo de tela quadrada amarelada, na época da internet discada, dividindo fone de ouvido enquanto baixávamos músicas aleatórias. E no fim da tarde existia um ritual quase sagrado: assistir aos clipes mais pedidos da MTV. Talvez tenha sido ali que minha obsessão por estética, música e narrativas começou sem que eu percebesse.</p><p>Ninguém escapava das minhas invenções criativas. Minha tia, por exemplo, foi cobaia oficial do meu “salão de beleza”. Eu fazia nail art com florzinhas, chapinha improvisada e maquiagem carregada em lápis prata. E mesmo quando não existia nada acontecendo, eu criava alguma coisa pra preencher o silêncio.</p><p>Em 2006, ganhei um diário. Parece simples, mas aquilo mudou minha vida. Foi a primeira vez que comecei a despejar pensamentos no papel como uma necessidade emocional. O diário tinha um cadeado extremamente duvidoso, que provavelmente poderia ser quebrado em dois segundos, mas eu fingia acreditar que meus segredos estavam protegidos.</p><p>Conforme crescia, fui percebendo o quanto minha felicidade estava ligada à criatividade. Gostava de colorir desenhos e colar nas paredes do quarto como se estivesse criando minha própria galeria. Misturava roupas improváveis herdadas da minha prima mais velha e tentava criar looks como se estivesse montando personagens. Customizar roupas — e frequentemente estragá-las — virou um hobby. Tive minha fase de pintar as unhas cinco vezes por semana e aparecer maquiada demais pra alguém tão nova.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/ce2dad8915bb8d05e30113e4eb64a8305d973973c1826fbd51908ee681b3f859.jpg" blurdataurl="data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAABgAAAAgCAIAAACHPC9vAAAACXBIWXMAAAsTAAALEwEAmpwYAAAH90lEQVR4nDXWf0ga/x8H8GOwtTEW30asWsFWLa2cSyrRLRUvNHKWLdMymCCVWmbNmtgMrdyyGWpmWEqOHIiZNVOzH8hIom3ZD/thuIrS1erP6K/9P75099njr+O4e97r/Xr/4IBgMLixsbG7u6vVatvb2zs7O5eWlqLRqNPp7O3t1Wg0OoharZbL5R0dHTKIWq0OBoOnp6fxePz09PTy8hLo7e0dGxvzer0MBgOJROLxeLPZHAqFtFotk8lsbm5ubGzkcrlEIhGHw+HxeCyERqPZbLZoNLq9vb25ufnr1y/AbDbbbDaPx1NfX19UVASCoN1uj0QiBoOhBkKhUKhUKgiCdDq9srKSTqdXV1fX1dXZ7fbz8/NYLLa/vx+Lxf4Lmp2dZbPZubm5eDy+sbGRx+OVlJQQCAQ+n9/W1iaXy/V6Pfyk2+3++o8JsrKycnJyAoyNjdlstunpaZlMVlNTQyAQMiEIBAKFQjmdzp8/f25vbweDwb29vdPT00Ag0NfXd3Fx4fF4iERiVVWVx+M5Pj7+ryK73e7z+eRyeR4EBUEgEGw222KxKJVKi8USCATGx8d7enqYTOb6+vr09LRYLKbT6R6P5+DgALBYLHCQ1+uVSCRFRUUoFAqDweDxeAwGg0ajKRRKZWUljUYrKyvD4/FkMplCoZSXl5eVlYEgKJVKA4HAzs7O9dAcDoff77darQ0NDTQaTSwWCwQCLpeLRCIxGAwWi2WxWHg8vqKigsvlEggEEEKlUktLS51OZzwe39jYAPR6vUKhUKlUNTU1paWlz58/b29v7+joqK+vF4lEQ0NDnz9/9vv9s7OzOzs7375943A4RCIRnkoqlTo9PX18fLy5uQmQyWQMBoNEIvPy8tBoNAKBqKqqYjKZAwMDR0dHoVAoEomEw+Hl5WWPx8Nms7FYbH5+PgqFIhAIFAplbm7u9PQ0HA4D6enpubm5aDS6oKAAg8FkZWW1trbqdDqj0XhycrK1tRUOh/l8fn5+PhqNzs7OfvLkCTwhZDK5oqJiaWlpYWFhfn4eSExMTEpKysjIKCwsxOFw8HcEAoHJZDo4OIhGo7FYTKlUPnz4EIFA5ObmIv8hEAhVVVU+n4/JZPb19V0HJSQk3Lt3j8vljo+Ps1is/Px8DoejUqk2Nzd3d3ej0eja2hqLxYJrQUBycnJevHjBYDC+fPlSWVmpVCqBu3fv3rhxIzs72+Vy/fjxg06np6Wl8Xg8s9ns9/vD4XAkEtnZ2dHpdEgk8vHjxzk5OUgkEoFAEAiE2tpar9dbXl4uk8muKwIAgEgkejwel8v17NmzjIyM7u7uoaEhBoMRDAZ3dnYikcjm5qbBYKisrCwuLs7Ozs7MzCwpKamtrZ2amqqoqJDL5cCDBw8eQdLS0igUSkpKChaLnZmZKS8vBwCgvb19f3//8PAwGo0eHR1Fo9HFxUWbzabVagkEAg6HGxoaqq+vV6vVQEJCQnp6enJyMgDJyMgwGo3v3r1LTU0FAIBAIITD4cPDw1gsdgD5/fv3nz9/1tbW4PU5Pj5OpVI/fvwI3Lx5838QOKikpESlUoEgCN/JyspaWFiIQU5OTi4uLtbW1oaHh5ubm8vKylgsFnxONDc3A7du3bp9+/b9+/fT09MfPXoEz3FeXl5BQQEKheLxeFtbWwcHB4eHh2dnZ+FwGN46WCy2oKCASCQKhcKWlpbrZiclJcGjw+Px8LFAo9HodLpQKOTxeA6HA27Q4eFhPB53u93hcLirqwuPx798+ZJOp2s0Gr1ePzMzAyQnJ9+5cycxMRGuAgRBJpPZ0tLCYrFEIlEoFDo6Orq4uLi8vDw7O4vFYn///h0dHX369CmNRoNXAIPB4PP5191NSUlJTU0tKirCQUAQbGpqqqurE4vF+/v7e3t7wWBwcHAQ3gpWq/Xs7IzD4TAYDDKZDIJgQUFBcXExkJmZWQRBo9EMBgOHw5FIJJFIxOfzUSgUg8FoaGjgcrllZWUymSwej0ulUpfLpVar2Wx2dXX1q1evcDhcYWEhgMPhWCwWjUYjkUhkMhm+SyKRQBAkkUg0Gk0gEEilUrlcLhAIlpeXV1dXGxoaZDLZmzdv2traWltbm5qaWCwW0NDQIBKJOBwOm82uq6vjQF6/fs2DCASCzs7OgYGBwcFBhUJhNBqj0ahWq+2HKJXK7u5upVIplUqBt2/fKpVKoVDI5XJ5PJ5YLBaJREKhUCAQ8Pn8DohGoxkdHTWZTDqdbnd3d2JiwmAwDA8Pj4yMWCyWkZERvV4PSKXSnp6e1tbWxsZGoVAokUikUqlEIhGLxe3t7TKZTC6Xq1QqM2RoaGh9fX1xcdFoNDogNpttYmLCZrMBXV1dKpWqo6Ojra1NIpF0dnYqFIqenh64bIVC0d/fr9VqJyYmrFbr8PDw9+/fr66u3G63zWZzuVxut3tmZsbhcAAajWZgYKC7u1sO+fDhg0aj+Qjp7++HL3Q6nd1uh1/e3t6+urryeDwOh8Pn8wUCAZ/PNzk5eR30/v17FUStVhsMBr1ebzQaR0dH4d8HnU43OjrqdDqnpqZ8Pt/5+XkwGHS5XF6vd35+/uvXr36/3+PxAAaDQavVDkAGBwcNEJPJZLPZ4Cw41G63T05OBoPBlZWVubm5lX+Wl5cDEODTp09ms9loNJpMprGxMYPBMDIyYrVa4S5aLJaxsTGTyTQ1NeX3+5eWlrxeL7yaQqHQOiQYDK6urv4fMWUs6PPtIIoAAAAASUVORK5CYII=" nextheight="1600" nextwidth="1200" class="image-node embed"><figcaption htmlattributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Na escola, eu gostava mais das possibilidades do que das matérias em si. Sempre fui completamente de humanas. Artes, geografia, educação física — principalmente quando podia criar coreografias pras gincanas — eram os únicos lugares onde minha cabeça realmente parecia funcionar. Exatas nunca fizeram sentido pra mim. Hoje acho que talvez eu só precisasse aprender do meu próprio jeito.</p><p>No fim, olhando pra trás, percebo que sempre fui assim: uma garota barulhenta por dentro, criativa demais, sentimental demais, curiosa demais. Uma mistura de caos, imaginação, música alta, natureza, moda e emoções intensas tentando encontrar algum lugar no mundo onde pudesse existir sem precisar diminuir quem era.</p><blockquote><blockquote><p>“E a moda, Maju?” Foi tudo muito gradual. No começo, eu apenas observava meus avós confeccionando peças e ficava fascinada vendo tecidos, linhas e moldes espalhados pela casa. Depois veio o interesse pelas máquinas, pelo processo e pelos pequenos detalhes que transformavam uma ideia em alguma coisa real.</p><p>Com o tempo, comecei a criar minhas próprias combinações, customizar roupas e desenvolver um olhar mais atento pra estética. Sempre gostei da ideia de usar a moda como forma de expressão, quase como contar histórias sem precisar dizer uma palavra. Acho que, sem perceber, a criatividade acabou me levando naturalmente até esse caminho.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/7622a886601e5016be74ed798cce0ce9469d982a499e33d19bd731178a1a1110.jpg" blurdataurl="data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAABgAAAAgCAIAAACHPC9vAAAACXBIWXMAAAsTAAALEwEAmpwYAAAJEklEQVR4nC2Si1vS9wKHv5aKJqC2pQbe8o5oIvD7gaGW5h1R2ASV2VLxhgfQkKk1byl5Q8USNcPrUDCymNRRyzTnTC2zZWfpnh1b7WxrHittpp3s9Dw7j+v8A+/zfi4A7+PtS/IlQSSKH0zxg6k0qn8AjcVmJSYlsjms4tJCSb6In83jC9Iz+LykZC47IY4eE30kKIgM++F9SU4eeKyjy779DsCL4EWCiCSICFMhKo1CpVH8A/2ZbGY8l0OPiS4uLTpdeqLoREpBbvqXBaJcUaZAlCUQZeVJ+HkSQVpWSgrvWHxSYjQzBnh6e0EUiASRYOqOkR+N6h/oH8uMYSfEBYWGJKUkx7MiWUcPHaYS/SEfb5yzL96FGQoJU5lZ3DB2FDU8yA+CqK44PPDAe0IU+C8QRAs4tAMKoDFiozkJbP8AfyY7LiYsEPZww3t4ONjbOTvaUomenzGPCtOSik9kNtTXqLRDGamZ3p6+wN0TR4YhMkyGKOQPIIofTGdEcbgcD7xHwJFAejDtoIst1sbaeq8FwcMhmEZkRgRmJjK668onJmdU2mtsBpPgTQYurm4QBSbDEEQhf4hG8YMjosI5CWycF55AJIYGUvFOGCfsPnfbfa621qEBcAIzRFZRLBWlNzfUdvWoDx8kEghk4HjAGabCZJhMhneG+yAVFhHC5nzi6u5mg8HgXB28nDCe9lZu2L0uWBtGGC01MVKQyi1J+7RJWtjZpcY5uxMIJGBrZw9RIIhCIsP/r8k/gBYWEfIJm4mxtTUy3mNhjspNjg6n4PZbIn2cMbGhlDRuFD0Qzk9mtFYVVZ6R2tke8Pb2BhgsFoLJZIgEQSQIJlNpO1Kh4SGxLIadvT3CBLVrl+Fx1hEuI+BjlAnD3yMtMbziFD8+nJafzJDmC1gMhrUVluhLBFbWVhBEJJOJEESCYTKFuvPJkLCjEfQIO8cDKLQ5cg8SwjvRA31IztbH6PD5hpNVpXmHCW5SUYK+X/nRxzZYjAPBmwAsLfeSyQQIIpFIvkRfAhkiQhTIP9Cf/Wl0VGSIq7s7CoXGWqAD8I40T7u/ccNuT1zqV7WGUg8KOME3NU2MqAhr67+M0Gi0pxcO54kjkYlUKuyBc3NydcXjPehBcHFufJGQddAVi7GwiA7wCYPdakuzfnx466elmSB/KiuIWFciiqFHYjCOLi5uAIVCk8nEeBa9R16mrC3uaKighwawjpJiww/FRgd/xgzxdHWwsbRghsCcELKPm6Mg4/PBy12BR44AAwQK/ZGhIdLBwRmzHwuCKAeP0Q/nfx57UV48P6zukpWEUfCtNUJtT210MJTGjXY6YO9oZUnFufBYh9FmewAwQJigzC2sjBAoJHKvubm1tQ0Gi9kPhOkJV1T10i+Of62qebI4NjtxSak4fX2wZeXnu+1N0ku9rRpN+2ec2EAIX5ARC4ABCm1uugdtjEAiTNAmpuYWllYHHB3xODeAxzlnpnN5x+MiQwOyM5KE/JRTkszRa6q5mZHJcd01XWePskqcfVzMT7g+2BYeHmKwyxCFNjdDmiNM0MYItDECZWO9z8vTFSgaK4QifloqNzmJncSNYzDoX+SLtX1tygvyvu6WPMExL2cbd/u9VB+nylLBP+7qKVQqAMAYYYJEWSJMzI2MkRYoNNrMDGh06tHxobFR3Xd3b/3z0d3J8eHHy4ur//7l2a9PFu7PKM9VpSfFxDGCDpE8T4nTlh9OPH68JMmX2GAwAABDIzOECcoCjTZFmIGOjvMP7k0/ejj3eHnp5YuVxcWFhfuzT398ODuhn9B3jV9p0rYUPnvy6N325ru3G++3X//5/s37d5v37t3JyOKbW1gDYGBqaopEokGuWDR/b2ZhYX5qYviGTqXrlnfI8s6XZyiKeK1lvN56gbo+Z1hV/XTp9trq0+2t9e03r96/2/zzz7cb6ytXr+ri4tkOjrYOdjYgKDhoZER/4+rFovSYM6LYGjGnpTStrTJHoyi9cqG4py5HVZfTUsab0Hc8/fHBf16/3Ppj9c3Gi7db6//d3tx+s76y8nRgUPv5cS7wwHspLrTMz00N6Xr1mpap4f6p65dv6tWqpoouWV5PfX63TKxukX4/P/1269X6i2cbaysbayuvX62+3nix/XbjQ+Tln34AZkg0J+lYRVnB2ECLtq2sp05SV5gqFadWFWTVlYhaqiR9zeUPpkdmRy8uzo39/svy6rMna89/W1v7fX1tZXNzbfvtxputV89XfwUAAF5WehovMZtLL+QnVRaLGqSFFxpKu+Snz5adqCvK7qzOaS3jKStz2qtzrvSe31hffb762/PV3zZfv3zy+IeZmdtbm2svX/6+AwoKDdHqB5Rtjf3npdrzpcpKUVt51tlTvHNlIqXsyxGN4ttrXZeUUkUZX9/T8GB2TNsp72ur2fjjxb9+XuZyEx8tLW5tvgQA7LK22V9ztjFPIlZIhfWneB31JTf1qonhy7eGtdf6lV2Npfruam1LSX9zibb5ZJcsv6lcIC/J+mb44tT49VQuq0pWu7y8BHYbGhsY7I7lJBaVnr6sVY2PDum1qotKWWuVuL1apG3KV8sl7bWSrrqTvU3FQ19VDfXVfd0jkxWl3x672lBZIsxO1+h0DXWVwNAIAQCgxzB6tZrhq5eXvp9vlVeUCz9tLE6tzEtSN+YPdpQpqyTtspOqplLVuZP9zafUzSWKxmqhkC+tKBN/IdHotOcU53aMAABu7u4arUbT23lnZlytUlblJ3fLxDUFKTUFqfruSnVj/oUzQmW1uLVarDx3emhkcObRoqypni/IOJbMrVM09Vy6BIyMEbsNjQ2NjOTNioEBzdzst1qtqqYwTVkpaq7gnxFz26vzVM3lmu6mq3+/or8xMnbn3tjc/eu3Z2/N3R+fm6ttqK6sq5GdbQTGJiZGxiYAgJTMjK9Una3yM1pNd7kwTlaQopDmftUu1w0OjE9PT84vTM5/d+vO/PjsvW/uL4zP3b8yckPe0pJ7QhjPiaVHBgMkColAmAJgcJDo29ev0vR1q3uVnYoq3eDA2OTtyfkHN6ZmxqbvjE7P3JyaHZ2e1d24WSuX87P5TGZUZNhhemRwII2Kw+H+BxV3xx3vaM1oAAAAAElFTkSuQmCC" nextheight="981" nextwidth="736" class="image-node embed"><figcaption htmlattributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure></blockquote></blockquote><p>Em 2013, voltei a morar no interior. Queria terminar o ensino médio ali e viver aquilo que imaginava ser uma adolescência “normal”. Fazer novos amigos, começar aulas de violão e continuar na ginástica olímpica pareciam planos perfeitos na minha cabeça. No fim, quase nada saiu exatamente como imaginei. As aulas de violão nunca aconteceram, a ginástica olímpica acabou sendo substituída por festas nos finais de semana e fiz pouquíssimos amigos.</p><p>Mesmo assim, muita coisa mudou durante aqueles quatro anos em Catanduva — principalmente a forma como minha vida começou a tomar outro rumo. Aos poucos, comecei a receber propostas de trabalho e parcerias sem nem entender direito como aquele universo funcionava. Tudo parecia muito novo e inesperado.</p><p>Lembro até hoje da ligação que recebi durante um final de semana de ENEM. Um conhecido me ofereceu meu primeiro trabalho relacionado aos meus cortes de cabelo, e dali em diante as coisas começaram a acontecer rapidamente. Tive o suporte de uma agência que me ajudou muito naquele início e também do meu pai, que foi essencial durante todo esse processo. Resolvi abraçar todas as oportunidades que apareciam.</p><p>Meu primeiro grande trabalho na moda me levou até Nova York. Na época, eu mal sabia falar inglês direito — talvez umas três palavras — mas mesmo assim sentia que nada poderia me intimidar. Era como se eu entendesse que precisava viver tudo aquilo.</p><p>De repente, me vi vivendo uma realidade completamente diferente: equilibrar estudos, trabalho e uma rotina que parecia surreal pra alguém da minha idade. Em um dia eu estava nos Estados Unidos, no outro sentada na sala de aula em Catanduva. Um dia confeccionando peças para um comercial da Adidas na África do Sul, no outro fazendo prova de recuperação. Ou então indo até a Suíça buscar a chama olímpica das Olimpíadas de 2016 e, menos de 24 horas depois, voltando pra casa e lidando com responsabilidades comuns. Essa dualidade sempre pareceu muito cômica pra mim, porque eu nunca tinha vivido nada minimamente parecido.</p><p>Depois de me formar, fiz um intercâmbio rápido em Los Angeles, onde aprendi inglês e conheci melhor a cidade. Já tinha completado 18 anos quando voltei para o Brasil e tomei uma das maiores decisões da minha vida: me mudar para Barcelona.</p><p>A mudança foi enorme em todos os sentidos possíveis. Acho que ali começou, de verdade, a minha vida adulta. Tudo era distante, caro, intenso, barulhento e, principalmente, muito solitário. Precisei amadurecer rápido diante de todas as responsabilidades e mudanças ao meu redor.</p><p>Ao mesmo tempo, também vivi encontros muito importantes. Fiz amigos que acabaram se tornando grandes suportes emocionais naquela fase. Nos reuníamos aos finais de semana, conversávamos por horas sobre vida, futuro, medos, arte e crescimento. Muitas dessas pessoas foram espelho para que eu entendesse quem estava me tornando.</p><p>Sinto que amadureci dez anos em um. Foi estranho perceber a formação da Maria Júlia adulta diante dos meus olhos. Começar a terapia também foi uma das decisões mais importantes daquele período. Sou profundamente grata à minha psicóloga e, de certa forma, a mim mesma, por ter tido coragem de enfrentar assuntos que por muito tempo ficaram guardados. Hoje entendo que precisei ser muito corajosa para atravessar tudo aquilo.</p><h2 id="h-precisei-passar-um-longo-processo-de-questionamentos-e-solidao-para-poder-me-reinventar" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0"><strong>Precisei passar um longo processo de questionamentos e solidão para poder me reinventar.</strong></h2><div data-type="x402Embed"></div><hr><div data-type="callout" type="info"><link rel="preload" as="image" href="https://paragraph.com/editor/callout/information-icon.png"><div class="callout-base callout-info" data-node-view-wrapper="" style="white-space:normal"><img src="https://paragraph.com/editor/callout/information-icon.png" class="callout-button"><div class="callout-content"><div><p>2019</p></div></div></div></div><p>Nesse período em que me sentia completamente desnorteada, surgiu uma vontade muito forte de começar algo novo. Foi assim que decidi me matricular no curso de Fashion Styling. As aulas começaram junto com a pandemia, no início de 2020. Definitivamente não parecia o momento ideal para iniciar alguma coisa, mas hoje acredito que aconteceu exatamente quando precisava acontecer.</p><p>O curso acabou despertando ainda mais a minha criatividade e mudou muitas formas que eu enxergava meu próprio trabalho. Lembro da surpresa que senti quando entreguei meu TCC e recebi nota dez. Foi uma sensação muito especial. Sou extremamente grata por tudo o que aprendi, pelas trocas que vivi e pelas pessoas que conheci nesse caminho. Também tive a oportunidade de fazer uma semana internacional em Milão, o que deixou tudo ainda mais marcante.</p><p>Quando o curso terminou, veio uma pergunta inevitável: “e agora?”</p><p>No começo, minha ideia era experimentar algo que já despertava meu interesse há muito tempo, principalmente pela possibilidade de construir uma carreira que não dependesse apenas da minha imagem nas redes sociais. Mas, no processo, comecei a perceber que talvez eu não precisasse abandonar nenhuma das minhas versões.</p><p>Passei muito tempo pensando sobre qual caminho deveria seguir. E essa é uma pergunta complicada para alguém que ama fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Gosto de ser fotografada e também de fotografar. Gosto de filmar, editar, ouvir música, criar conceitos, imaginar cenas, transformar sentimentos em estética. Sempre gostei de coisas visuais, bonitas e cheias de significado. Gosto de ouvir histórias, mas principalmente de contá-las — e depois transformá-las em imagem.</p><p>Acho que foi aí que algo mudou dentro de mim. Parei de tentar me encaixar em um único rótulo. Entendi que não precisava escolher apenas uma coisa para ser. Posso continuar aprendendo, explorando e criando tudo aquilo que faz sentido pra mim.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/4f186f1b48e4b6283886aead51af0c28773e2c5f7f2cda1fcc4e643d346910ba.jpg" blurdataurl="data:image/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAACAAAAAXCAIAAADlZ9q2AAAACXBIWXMAAAsTAAALEwEAmpwYAAAHtklEQVR4nDWUX0hafxTAb0SEDGWxauGKra1Vg71siwjaWi+jmERtoZEWSako6b148U+K//Ff4j9UUrxkykWvXPIPYl7Sq4ZJjY0NRmsMansYwcYGe93DHvZjXX6f5/M9h/M953wAgUDA5XJhGFar1VKpdHp6emxsbGRkhMViicViFEVzuVwgEPB4PKFQKJ/PS6XS+fl5GIbNZrPL5fL7/dFo1OPxKJVKm83mdDqtVqtWq8Uw7MuXL79//wYMBoNGoxEIBDKZbG5ubnx8fGJi4unTpxMTE1qtFsdxh8OhUqkkEonRaARBcGZmZnFxUSAQ6PV6p9PpcrmCwaBOp5PL5QaDQS6XW61Wu90eDAbfv3//588fwG63KxQKkUjEZrMnJyfn5+dXLpFIJFarVSQS8fn8tbW16elpEAS5XO7c3ByHw+Hz+RqNxnqJ0+kEQRCCIKVSyeVyDQZDKBQiSfLs7OxfAZ/PZzKZNBqNUCiUyWQmkwmGYY1GY7fbNzc3BQIBh8ORSqUCgYDH4z1//nx2dpYqAMOwSqXS6/VmsxkEQbFYLJfLFxcXZTJZJBKp1+vfv3//9esXYLVaqTi/3+/z+agG1Wq1Uqm0Wq0QBK2vr8MwDILg+Pg4l8sNBoNUxlgsFg6HdTqdWq2mCoAgyOFw1tfXjUZjMpmsVCpHR0eAw+Hw+Xwej8doNK6srEilUrlcLhQKIQgSi8UsFuvZs2cGgwFF0fHx8UAgcHp6qtFocBx/9epVoVDQarUIgphMJgiCYBjmcrlLS0swDJtMpnA4jGEYEAqFEomEy+Xi8XjUJNVqtUKhgCCIy+UuLy/zeDyfz1cqlRYXF3Ec39/f5/F4OI4fHx+jKBoOh2u1WqPRsFgsYrF4ZWVlfn5eJBJJpVIYhv1+P7C7u5tOp5VKpVqt9ng8LpfLYrGAIKhSqYxGo8vl8ng8Ozs7x8fHa2trCII0Gg2VSmWz2d68eUOSZCgUcrvd7y/JZDJbW1tKpXJlZUUmk6lUKrlcDmSz2UQiodPpQqGQz+fb2dlRKBQSicRms4VCoUAgEAqFotHoycmJx+MBQfDdu3coikIQVK/XK5WK2+1eXFwsFouHh4dfv349Pz///PkzhmESiQRBkIODA2B7ezubzZpMJpvN5vf7U6kUn8+HIMhms0UikUQiAYKgwWAol8vpdPrFixcIgpAkabFYKpVKtVrNZDI8Hs9isTSbzdPT048fP/748ePv378XFxd2ux1FUQBBkGQyiWGY1+sNBALxeJzL5UokEr1er9Pptra27Hb7zMyMXq/PZDIej0cikRweHu7t7b1+/bpQKKRSKZfLxeFwCoXCp0+fTk5OSJL89u3bz58/I5GI0+kEdnZ2IpHI9vZ2LBZDECSdTq+urnK5XAiCVCoVDMPJZFKlUj1+/Hhzc/PDhw9utzuZTDYuyefzKIoWCgWbzRYMBt++fXt2doaiqN/vz+Vy5+fnFxcXQDgcpv7a6/Vub28XCgWz2cxms1dXV4VC4fLyslgsxnFcLpffu3fPbDbHYjEURSuVSjabJUkyl8sRBLG3t0dZq9lsoii6ubmJ43i9Xj85OQG8Xi9lqI2NDZ/Ph2FYIpEQiUQLCwuzs7MsFmtqakqhUMTj8bW1NRaLheP43t5euVzO5/MHBwfFYrFUKuXzeRzHE4kEQRD1ej2ZTKZSqWg0urCwACgUCplMRimBzWZHIpFYLGYwGDgcDmVZGIYFAoFUKo1Go9T5FItFgiCq1SpJkvv7+7lcLpPJ4DieSqWy2WylUkEQxO/3T01Nzc7OAnfv3u3r6xscHBwYGAAAQCgUIgii1WqdTqfdbne73RsbG+vr65T+QqFQLBYrXFIul0mSLJVKOI5ns9lUKpVMJnEcL5fLGIYtLS3NzMy4XC7gypUrXV1d169f7+jooNFoTCaTz+cvLS29fPlSr9e73W6Hw0H5g3IAhmGlUokgCJIka7XawcFBoVCgvghF0XQ6XS6Xw+GwxWKhRgtcvXqVyWR2d3d3dHTQ6fTe3t47d+50dnb2XfLgwQONRmOxWAwGA+VUk8mUy+VKpVK5XK7Vas1ms1qtFgqFTCaDYVg+nycIwntJMBj0+XzA7du3e3p6BgYGhoaG6HT6yMjIo0ePGAzGjRs32tvbAQBgsVjBYFCv18MwrNPpeDye0+lsNBqVSqVerzebTWqXqDGUSqVqtWq3210ul9fr/eeiu//z8OHDa9eu9ff3Dw0N9fX1MRgMqrPJycmxsbGenp6urq7BwcHR0dGRkRGLxXJ0dFStVhuNRr1eLxaL2Ww2nU7v7u42m02fz2exWNxu978OGAxG5yXDw8ODg4Pd3d1dXV0MBqO9vZ1OpzOZzCdPnrS0tLS2tgIA0NraymAwOjo6WlpaNBrN4eFhvV6v1WoEQeTz+XQ6HY/HqRMxmUxOp9Pj8fx7AwAAnU4fHR3t7+9vaWmh0WgMBqOnp4eqcf/+fTqd3t7eTkUymcz+/v7u7u6pqalcLnd0dERNmyCIdDqNIAiKos1m0+FwGAwGsVj8b4sAAOjs7GxrawP+h0aj3bx5k8rb1tbWcgmNRuvt7WWz2TqdLhwOZzKZeDy+v79fr9cJgshkMiiKRqNRv99PEMTW1tbw8PCtW7f+A4cQNBqmgW5wAAAAAElFTkSuQmCC" nextheight="873" nextwidth="1200" class="image-node embed"><figcaption htmlattributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>08.03</p><p>E no meio de tantas mudanças, cidades, descobertas e versões de mim mesma, também aconteceu uma das coisas mais bonitas da minha vida: conhecer Martín Salvatierra.<br>Mexicano, dono de um coração absurdamente gentil e da capacidade assustadora de me fazer sentir em casa mesmo do outro lado do mundo. Costumo brincar que ele roubou minha alma e meu coração sem fazer esforço nenhum. {<span data-name="grinning_face_with_sweat" class="emoji" data-type="emoji">😅</span>}</p><p>Foi com ele que entendi muitas coisas sobre amor, parceria e construção. Sobre ter alguém que segura sua mão nos dias leves, mas principalmente nos dias difíceis. Alguém que me faz sentir amada exatamente como sou.</p><p>Hoje, consigo olhar para o futuro e enxergar ele em todos os meus planos. E, sinceramente? Tenho quase certeza de que em breve ele será meu marido e o pai dos meus filhos. E acho lindo pensar que, depois de tantas voltas que a vida deu, meu coração finalmente encontrou um lugar para descansar.</p><p>Muitos beijos, Maju.</p><br><br>]]></content:encoded>
            <author>devasio@newsletter.paragraph.com (majutrindade)</author>
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