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        <title>Felipe Ribbe</title>
        <link>https://paragraph.com/@feliperibbe</link>
        <description>web3 enthusiast</description>
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            <title>Felipe Ribbe</title>
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            <title><![CDATA[O que é o ENS e por que você deve saber sobre isso?]]></title>
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            <pubDate>Sat, 23 Apr 2022 12:42:59 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Se você acompanha o universo de web3, deve ter reparado que muitas pessoas e marcas envolvidas têm no seu username em redes sociais o final “.eth”. Recentemente empresas como Puma, Budweiser, KPMG Canada e outras fizeram isso. Mas o que .eth quer dizer?O Ethereum Name Service (ENS) foi criado para simplificar a vida de quem está envolvido no universo cripto. Quando você abre uma carteira cripto (que é por onde você faz transações e guarda seus ativos, sejam eles criptomoedas, NFTs e outros ti...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/f2153b55120abe4952c5ceef8c938d7ecedcd16ebe8ee57ed1a961c7d3d85609.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Se você acompanha o universo de web3, deve ter reparado que muitas pessoas e marcas envolvidas têm no seu username em redes sociais o final “.eth”. Recentemente empresas como Puma, Budweiser, KPMG Canada e outras fizeram isso. Mas o que .eth quer dizer?</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/6aa594b6395febede1ca194ae6b33a81c4c79c818f3f5d673508b04c21912582.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>O Ethereum Name Service (ENS) foi criado para simplificar a vida de quem está envolvido no universo cripto. Quando você abre uma carteira cripto (que é por onde você faz transações e guarda seus ativos, sejam eles criptomoedas, NFTs e outros tipos de tokens) é gerada uma identificação alfanumérica. Assim como o seu banco tradicional te dá uma agência e um número de conta, uma carteira cripto tem uma identificação, mas que é bastante complicada, algo como 0xDC25EF3F5B9A146698548A2ADA83795FBA2D695E. Se você quer receber uma transferência, precisa passar esta identificação.</p><p>O que o ENS faz é transformar essa complicada identificação — criada para ser lida por computadores — em algo simples, legível pelo ser humano. Então aquele 0xDC25EF3F5B9A146698548A2ADA83795FBA2D695E se transforma em, por exemplo, fulano.eth ou marca.eth. No meu caso, a identificação de uma das minhas carteiras MetaMask é 0xfFE500927dBB171aBDdAb384e1D1754338CCa121 e se transformou em <strong>feliperibbe.eth</strong>. Se você quiser me transferir algum criptoativo da rede Ethereum (estou aceitando! hehe), basta usar feliperibbe.eth. Muito mais simples! A Puma, ao invés de 0x4B26BdF68Ac9Abfb19F6146313428E7F8B6041F4, virou <strong>Puma.eth</strong>. A Budweiser comprou <strong>beer.eth</strong>. E por aí vai! O ENS faz com a web3 o que o DNS fez com as webs 1 e 2. O DNS converte o endereço de IP do servidor em algo legível ao ser humano, como <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://linkedin.com/,">https://linkedin.com/,</a> por exemplo.</p><p>Para comprar seu domínio é bem fácil; basta criar sua carteira Ethereum (não precisa ser MetaMask, pode ser Coinbase Wallet, WalletConnect…) e colocar ETH (o token da rede Ethereum). Depois entre em <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://app.ens.domains/">https://app.ens.domains</a>, conecte sua carteira e busque o nome que você quer. Se o nome estiver disponível, basta seguir os passos explicados no site. Cada domínio custa US$5 por ano (você pode registrar por quantos anos quiser) + a taxa de gás (que é a taxa de transações da rede Ethereum). A taxa de gás varia de acordo com o volume de transações da rede. Você também pode comprar via ENS domínios .com, .org, .io; apenas precisa comprovar que é o dono desses domínios no DNS.</p><p>Importante salientar que o ENS é focado na rede Ethereum, a maior blockchain quando falamos de aplicações descentralizadas, NFTs e afins. A MetaMask é uma carteira cripto compatível apenas com a rede Ethereum e redes derivadas, como Polygon, Arbitrum e Optimism. Se você tem uma carteira compatível com outra blockchain, como Solana, por exemplo, existe um serviço parecido, o Bonfida (https://naming.bonfida.org), que permite que você transforme a identificação de sua carteira Phantom em fulano.sol ou marca.sol.</p><p><strong><em>O mais importante, no entanto, é: o domínio ENS é um NFT, que fica em sua carteira; ou seja, depois você pode vender esse NFT, o que faz com que haja uma corrida por registro de domínios, parecida com o que aconteceu na época da web1 e de username na época da web2.</em></strong></p><h2 id="h-clubes-de-futebol-no-brasil-nao-se-atentaram-a-isso" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Clubes de futebol no Brasil não se atentaram a isso</h2><p>Feita a explicação, uma curiosidade: fui buscar se os domínios de clubes brasileiros estavam disponíveis e a maioria não está. E provavelmente quem registrou não foi um desses clubes e sim pessoas aleatórias, esperando vender esses domínios no futuro. Se vocês entrarem em <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://app.ens.domains/">https://app.ens.domains</a> e pesquisarem, encontrarão coisas curiosas.</p><p>Por exemplo, o dono do corinthians.eth é o mesmo dono do botafogo.eth e de outros domínios de marcas famosas, como oboticario.eth, brmalls.eth, riachuelo.eth… O dono do fluminense.eth é o mesmo dono do palmeiras.eth, xpinvestimentos.eth, btgpactual.eth e outros. O dono do bragantino.eth é o mesmo do athleticopr.eth e de domínios de clubes estrangeiros. Deem uma olhada nas imagens abaixo.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/327f302bf395a7bcba1dfbda219ceedd916a9964c4e318c3c692b6b5f8d122b5.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/6d467b3c90a9ac50ed873395dfe2d8c0a63498813255774fb180bc44e612ae18.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/65c2b83679b258054b7b759247d8e38221f3aed7326655de35d86498e97d0666.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Quando esses clubes forem se atentar para isso, terão que gastar um dinheiro para comprar os domínios de quem se adiantou e comprou na frente. Vale dizer que não é um problema só dos clubes, a grande maioria das empresas estará na mesma situação. Que tal evitar problemas e um dispêndio de dinheiro maior no futuro?</p>]]></content:encoded>
            <author>feliperibbe@newsletter.paragraph.com (Felipe Ribbe)</author>
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        <item>
            <title><![CDATA[Dinheiro, dinheiro e dinheiro: a web3 pode e deve ir muito além se quiser ser de fato disruptiva]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@feliperibbe/dinheiro-dinheiro-e-dinheiro-a-web3-pode-e-deve-ir-muito-al-m-se-quiser-ser-de-fato-disruptiva</link>
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            <pubDate>Sat, 23 Apr 2022 12:41:37 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Getty Images Semana passada li este tweet do Jarrod Dicker. Suas palavras me fizeram começar a olhar para a nova era da internet de maneira diferente.Porque a web3 importaSim, sigo acreditando piamente que a web3 é muito promissora, principalmente pela ideia de descentralização. As grandes plataformas da web2 — Facebook, Instagram, TikTok, LinkedIn, Youtube e outras — construíram seus negócios centralizando o poder. Vejam bem, elas foram e são importantes, pois permitiram que pessoas e marcas...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/25bee7d70c1c8ccc67bdedb71723a884814eab3e0428d8aec043c3c2f6b53ab0.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Getty Images</p><p>Semana passada li este <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/jarroddicker/status/1511503562987220999?t=ZZLVBEM7yrIfOy6U4dkk2g&amp;s=03">tweet do Jarrod Dicker</a>. Suas palavras me fizeram começar a olhar para a nova era da internet de maneira diferente.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/f81638a7b39e9d25051a09490941d72cdb01187dc3d41a8e2cf6e163c16a96a6.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><h2 id="h-porque-a-web3-importa" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Porque a web3 importa</h2><p>Sim, sigo acreditando piamente que a web3 é muito promissora, principalmente pela ideia de descentralização. As grandes plataformas da web2 — Facebook, Instagram, TikTok, LinkedIn, Youtube e outras — construíram seus negócios centralizando o poder. Vejam bem, elas foram e são importantes, pois permitiram que pessoas e marcas das mais diversas pudessem ter voz na internet de maneira muito mais fácil e sem custos; permitiram que elas criassem suas identidades e audiências publicando seus próprios conteúdos. Porém, como já sabemos bem, “se você não está pagando pelo produto, então o produto é você”. Isso vale tanto para usuários quanto para criadores. Não se engane. Você, criador, não é o dono dos conteúdos que posta, não é o dono dos seus seguidores, nem da sua identidade nestas plataformas. Simplesmente porque você não consegue deixá-las e levar consigo tudo que construiu para alguma outra. Você teria que fazer tudo de novo, do zero. Mais, ao não estar no controle, você está sujeito a quaisquer mudanças nas regras vigentes, afinal o dono é quem manda. Não se sabe como funcionam os algoritmos e nem que impacto alterações nos mesmos terão na forma como seus conteúdos são filtrados e exibidos aos usuários. Fica-se exposto a possíveis suspensões ou banimentos, muitas vezes sem justificativa plausível. Até perder seu username pode acontecer quando uma dessas empresas achar que é o momento — <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.engadget.com/what-happened-to-the-meta-instagram-handle-195027598.html">como ocorreu com o antigo dono do perfil @meta no Instagram, quando Mark Zuckerberg decidiu que o Facebook passaria a se chamar Meta</a>. Imagine se seu ganha-pão depende de alguma dessas plataformas. Você pode nunca ter parado para pensar nisso e pode inclusive achar que é alarmismo da minha parte, mas estar numa posição em que você não tem o controle nunca é confortável.</p><p>A web3, pelo menos em teoria, promete algo diferente. Pelo fato de ser open-source por natureza e ter em seus princípios a ideia de interoperabilidade, um desenvolvedor consegue de forma simples construir uma nova aplicação em cima do código de uma aplicação existente e permitir que todos esses ativos (identidade, conteúdo e audiência) sejam transportados entre diferentes plataformas. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/bankless-dao/breaking-out-of-the-walled-gardens-of-web2-for-web3s-greener-pastures-6dca0938b820">Isto impede que as empresas de web3 “prendam” seus usuários dentro de ecossistemas fechados</a>. O <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://lens.dev/">Lens Protocol</a>, por exemplo, é um protocolo que permite o desenvolvimento de redes sociais descentralizadas. Stani Kulechov, fundador da Lens, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://cointelegraph.com/magazine/2022/04/07/decentralized-social-media-next-big-crypto-thing">em entrevista ao Cointelegraph</a>, explicou que, quando um usuário de uma aplicação construída sobre o protocolo cria um perfil, este perfil se torna um NFT, que pode ser visto em uma carteira cripto ou em um marketplace, como a Opensea. Sempre que um perfil segue outro perfil, também é criado um token não-fungível dessa relação, que, como tal, não pode ser alterado nem retirado da carteira cripto que se encontra, a não ser pelos donos da mesma. Ou seja, o controle está na mão do usuário.</p><p>Este controle sobre identidade, audiência e conteúdos é apenas parte do que torna a web3 tão atrativa. Talvez até a menor parte, pelo menos no entendimento atual. A questão financeira é que a mais tem sido propagada (o que é perigoso, como desenvolverei adiante). Novamente, não dá para negar a importância das plataformas de web2 no surgimento da economia da criação. Se antes a possibilidade de se passar uma mensagem para milhares ou milhões estava limitada a poucos veículos de comunicação, Youtube, Instagram e afins deram voz a criadores de todos os tipos, permitindo que estes desenvolvessem seus negócios em torno de seus conteúdos. Todos nós que temos redes sociais nos tornamos criadores de conteúdos, querendo ou não. Mas não se engane, são poucos, muito poucos, que conseguem viver disso. Aqueles com grande número de seguidores e inscritos de fato monetizam bem indiretamente, por meio de publi posts, parcerias e vendas de merchandising, mas enquanto estes pouquíssimos privilegiados fazem milhões, as plataformas fazem bilhões vendendo anúncios justamente para a audiência que nelas se encontram para consumir conteúdos feitos por aqueles criadores. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.antler.co/blog/creatoreconomy2022">Estima-se que, em média, um Youtuber com cerca de 1 milhão de inscritos faça em torno de US$60 mil por ano em ads e que apenas 0,2% dos mais de 8 milhões de artistas no Spotify façam mais de US$50 mil ano em royalties</a>. E isto porque estamos considerando plataformas que pagam algo aos criadores. A maioria reparte zero da receita.</p><p>A promessa da web3 é de inverter esta lógica. As plataformas ficam com o menor percentual e a maior parte da receita gerada vai para o criador. E se o criador estiver insatisfeito e outra plataforma oferecendo condições melhores aparecer, ele pode simplesmente migrar seus conteúdos e audiência para lá, de forma simples e rápida. Isso já acontece hoje se você mintar um NFT. Uma vez que você o faz, você pode escolher em qual marketplace vai colocá-lo à venda e, se quiser mudar, basta “delistar” de um e “relistar” em outro, desde que as plataformas sejam compatíveis com a blockchain que o token foi mintado. E as taxas de transação são infinitamente menores, geralmente entre 2% e 2,5%, com a possibilidade de se cobrar royalties sobre negociações futuras sobre o seu trabalho. Há ainda outro elemento de destaque, que é tirar o intermediário da jogada (ou diminuir seu papel para ser de fato um intermediário e não o dono da bola) e permitir um relacionamento direto entre artistas/marcas e fãs/consumidores. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://davidphelps.substack.com/p/people-are-the-new-platforms?s=r">Assim, artistas e marcas se tornam as plataformas</a>. Isto é muito poderoso. Permitir uma relação em que pessoas podem ser mais do que apoiadoras, podem ser investidoras de artistas, atletas, produtos, marcas, profissionais dos mais diversos ramos… Teoricamente, tudo pode ser tokenizado e todos podem ganhar com isso. O próprio Jarrod Dicker tem outros tweets com ótimas sacadas com as diferenças entre web2 e web3.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/ee9e3c11837bd0ea61c038e47122c5939a30c30d6f7b560d27a24fb96b7ef4b4.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>A web3 tem a capacidade de ser a camada de propriedade da internet e esse conceito de que todos podem comer um pedaço da torta é bastante atraente. Falar em dinheiro muitas vezes é malvisto, porém vivemos em um mundo capitalista e seria dissimulação ignorar não só sua importância, como sua influência sobre o comportamento das pessoas. Não há nada de errado nisso e de fato essa é uma das grandes vantagens da web3. Porém, a partir do momento que ela se torna SÓ isso, aí sim temos um problema. E é o que hoje mais tenho visto.</p><h2 id="h-o-problema-de-se-focar-somente-no-dinheiro" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">O problema de se focar somente no dinheiro</h2><p>Basicamente tudo o que sai de reportagem relacionada a web3 atualmente tem como foco o dinheiro. Não interessa se é uma obra de arte, uma música, um novo <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/avatar-projects-os-projetos-de-nft-com-maior-hype-na-atualidade-608c0cdba847">Avatar Project</a>, um meme, um programa de membership, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://fortune.com/2022/01/13/nft-restaurant-new-york/">um novo restaurante</a>… O destaque é sempre o dinheiro. E a culpa não é somente dos jornalistas que escrevem as matérias. As nomenclaturas vão todas nesta linha: play-to-earn, learn-to-earn, move-to-earn… Tudo é “to-earn” e tenta passar a impressão de geração de riqueza fácil. Outro dia em um grupo de Whatsapp li algo interessante. Em tom irônico, uma pessoa escreveu que “esses jovens precisam descobrir o conceito de work-to-earn”. Brincadeiras a parte, é impossível todo mundo ganhar. E muitas dessas aplicações, especialmente os games play-to-earn, funcionam como um esquema de pirâmide: enquanto tem gente entrando, quem já estava segue ganhando. Mas uma hora a fonte seca, novos entrantes desaparecem e tudo desmorona, fazendo com que a maioria perca dinheiro.</p><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/spacepixel/status/1512383958327062529">https://twitter.com/spacepixel/status/1512383958327062529</a></p><p>Os próprios criadores de projetos e as pessoas que trabalham no meio usam praticamente apenas métricas financeiras para mensurar sucesso e fracasso. Se vendeu tudo como se esperava, sucesso. Se não vendeu tudo, fracasso. Até o volume de transação no mercado secundário logo após um lançamento virou sinônimo de algo bem ou malsucedido. Ora, se a métrica principal do seu produto web3 nos primeiros dias ou semanas após colocá-lo no mercado é o quanto as pessoas o estão renegociando, então na verdade para você pouco importa a qualidade deste produto, seu foco está somente em ganhar dinheiro às custas das pessoas que os compram. Se o seu produto é financeiro, tudo bem, agora se você é uma marca e seu discurso é de criação de comunidade, de ter uma relação mais próxima com o cliente, de se apostar no longo prazo, me desculpe, mas você mentindo para a sociedade, para seus clientes e para você mesmo — e como diria Renato Russo, “mentir para si mesmo é sempre a pior mentira”. Veja bem, a existência do mercado secundário é uma das características mais importantes da web3, mas o aquecimento do mesmo deve ser natural, com o tempo, a partir da percepção das pessoas que possuem o produto que ele é realmente útil, de que vale a pena tê-lo, vale tanto que quem não o tem quer pagar mais caro para comprar. Utilidade, não especulação. Especulação não é sustentável. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://breadcrumb.vc/bootstrapping-web3-networks-the-limitations-of-token-incentives-4b57fa54486c">Todos os projetos que focam no dinheiro no curto prazo tendem a atrair especuladores cujo interesse é puramente lucrar.</a> Eles vão comprar seu produto, vão ajudar a elevar o hype, só para vender na alta, realizar o lucro e partir para a próxima, deixando o valor do seu produto no chão e aqueles que o seguraram insatisfeitos, ainda mais se não houver utilidade para o mesmo. Pior, se o floor price não aumentar, aqueles que compraram somente por isso vão pressionar, pressionar e pressionar por mudanças no roadmap. É a criação das expectativas impossíveis de serem alcançadas, como escreveu bem <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/Zeneca_33/status/1513318631618318338">Roy Zeneca na thread abaixo</a>.</p><p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/Zeneca_33/status/1513318631618318338">https://twitter.com/Zeneca_33/status/1513318631618318338</a></p><p>Eu também já me peguei dando mais atenção do que deveria à receita. Em alguns projetos em <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/a-minha-passagem-pelo-atl%C3%A9tico-mineiro-iniciativas-e-aprendizados-40640595aeb8?source=collection_home---2------0-----------------------">minha passagem como head de inovação do Clube Atlético Mineiro</a>, apesar do objetivo principal ter sido aprendizado e não grana, é inegável que o dinheiro, neste caso, “trazia felicidade”. Seria muita hipocrisia da minha parte dizer que o sucesso financeiro de um projeto não é importante. Óbvio que é. Mas o ponto central aqui é outro. É que se estamos pensando na construção de algo duradouro, consistente, a receita gerada não pode ser a única nem mesmo a principal balizadora entre sucesso e fracasso, a não ser, repito, que o produto seja financeiro. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/porque-%C3%A9-cedo-para-dizer-que-o-lan%C3%A7amento-dos-nfts-do-liverpool-foi-um-fracasso-8fd66ce32708">Como escrevi no meu texto analisando o lançamento da coleção de NFTs do Liverpool FC</a>, há um movimento já começando a acontecer de projetos que são colocados no mercado sem cobrar nada dos consumidores, somente a taxa de gás de mintagem dos tokens. O foco está no longo prazo, em construir uma comunidade forte de early adopters, que vão evangelizar o produto, fazendo com que, mais a frente, o mesmo gere receitas de royalties de mercado secundário, de outros drops e outros produtos adjacentes.</p><p>Há ainda outra questão ainda mais importante para que foquemos menos no dinheiro e mais nas aplicações, e que tenho discutido bastante com meu amigo João Pedro Novochadlo. Já vivemos em um mundo onde uma grande desigualdade existe, não só financeira, mas de acesso. Acesso à internet de alta velocidade, acesso a equipamentos, acesso até à eletricidade. A web3, pelo menos com as complexidades de seu estágio atual, estabelece uma outra camada de dificuldade, mesmo para quem tem grana, mas não tem conhecimento de como operar uma carteira cripto, por exemplo. Se criarmos ainda mais uma barreira financeira, com produtos baseados em especulação, onde os valores restringem o acesso a poucos, aumentaremos ainda mais a distância entre os pouco favorecidos e os muitos desfavorecidos. Vitalik Buterin, fundador da rede Ethereum e talvez a figura mais importante e respeitada do universo de web3 hoje, compartilha das preocupações. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://time.com/6158182/vitalik-buterin-ethereum-profile/">Em entrevista recente à revista TIME</a>, na qual foi destaque na capa, ele contou por que tem sido cada vez mais vocal sobre o assunto:</p><p>“Se não mostrarmos nossa voz, as únicas coisas que serão construídas serão as que geram lucros imediatos. E estas estão geralmente longe de serem o que é o melhor para o mundo. O objetivo principal com cripto não é jogar games com figuras de macacos que valem milhões, é fazer coisas que consigam ter efeitos impactantes no mundo real”.</p><figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/0cd9d80d977c4571a1ddf141a011a02c880974aaf2177391eea41812ce2b3e09.png" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Talvez o foco no dinheiro seja fruto da tecnologia blockchain ter sido apresentada por meio da publicação do white paper do Bitcoin, o dinheiro digital. Porém, mais de uma década se passou e a evolução da tecnologia já mostrou e tem mostrado outras aplicações que não necessariamente busquem o lucro, pelo menos não como objetivo primário. Cabe a nós, que de alguma forma trabalhamos ou queremos trabalhar com web3, entendermos a importância do nosso papel e buscarmos desenvolver produtos que resolvam problemas reais, de pessoas reais ou entreguem utilidades reais para pessoas reais. Só assim a nova era da internet será de fato disruptiva para todos e não para um seleto grupo de privilegiados.</p>]]></content:encoded>
            <author>feliperibbe@newsletter.paragraph.com (Felipe Ribbe)</author>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[A Lei de Amara e os haters de NFTs]]></title>
            <link>https://paragraph.com/@feliperibbe/a-lei-de-amara-e-os-haters-de-nfts</link>
            <guid>eHWV4wrPrZKYHcCl6g8k</guid>
            <pubDate>Sat, 23 Apr 2022 12:38:14 GMT</pubDate>
            <description><![CDATA[Os NFTs estão por toda parte. Todo dia milhares de novos projetos são lançados por empresas das mais variadas vertentes. Todo dia surge uma agência focada em web3. Todo dia é criada uma startup (ou várias) que coloca NFT e metaverso em seu deck de apresentação na esperança de aumentar o valuation e atrair investidores mais facilmente. Todo dia pessoas passam a se apresentar por aí como especialistas no assunto — muitos sem nunca ter realizado uma iniciativa concreta sequer. Sim, até acredito ...]]></description>
            <content:encoded><![CDATA[<figure float="none" data-type="figure" class="img-center" style="max-width: null;"><img src="https://storage.googleapis.com/papyrus_images/cc3e83beb5d2568d70a2ded6e81a640b90f235f38a1d4d6fad75c12aa4a6b17f.jpg" alt="" blurdataurl="data:image/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAP///wAAACwAAAAAAQABAAACAkQBADs=" nextheight="600" nextwidth="800" class="image-node embed"><figcaption HTMLAttributes="[object Object]" class="hide-figcaption"></figcaption></figure><p>Os NFTs estão por toda parte. Todo dia milhares de novos projetos são lançados por empresas das mais variadas vertentes. Todo dia surge uma agência focada em web3. Todo dia é criada uma startup (ou várias) que coloca NFT e metaverso em seu deck de apresentação na esperança de aumentar o valuation e atrair investidores mais facilmente. Todo dia pessoas passam a se apresentar por aí como especialistas no assunto — muitos sem nunca ter realizado uma iniciativa concreta sequer. Sim, até acredito que estejamos vivendo (ou estejamos próximos de viver) o que o Gartner chama de “O pico das expectativas infladas” em seu famoso Hype Cycle, ferramenta criada pela empresa para classificar diferentes tecnologias de acordo com seu grau de adoção e maturidade — <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/hype-cycle-como-a-gartner-classifica-a-maturidade-das-tecnologias-15b6b5b3b817">escrevi sobre o Hype Cycle neste artigo</a>. Grande parte dos projetos lançados nos últimos meses valerão zero em pouco tempo e serão esquecidos. Parte considerável das iniciativas atuais não precisava usar NFT, poderia muito bem ser feita com outras tecnologias, mas aproveitaram para surfar a onda e ganhar no marketing e em PR. Tudo isso eu concordo, está acontecendo de fato.</p><p>Porém, o mesmo Fla x Flu de basicamente qualquer assunto hoje em dia (política, futebol, economia, religião, BBB…) chegou aos NFTs e o hate sofrido pelos tokens não-fungíveis ao redor do mundo, inclusive no Brasil, chegou de forma desproporcional, na minha visão. E o pior, leio sempre as mesmas críticas, com os mesmos argumentos, que parecem ter sido copiados uns dos outros por pessoas que muito provavelmente nunca gastaram um tempo mínimo para estudar sobre o assunto. Muitos deles, pelo conhecimento escasso, também focam apenas nas artes digitais e nos colecionáveis, como se os NFTs fossem resumidos a isso — apesar de que estas categorias ainda geram o maior volume de transações. Por isso, resolvi escrever este texto falando sobre cada um destes argumentos contrários.</p><p>Antes, vale ressaltar novamente que, apesar de ser um entusiasta de web3, concordo que há muito hype, vendas infladas, projetos sem sentido, oportunistas, esquemas e tudo mais. Isso não há dúvidas, assim como também não há dúvidas que a tecnologia precisa evoluir bastante. Mas lembre-se, estamos falando de uma tecnologia — blockchain — apresentada ao mundo a partir do white paper do Bitcoin em Outubro de 2008; e de uma aplicação — NFT — cujo <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/@Andrew.Steinwold/the-history-of-non-fungible-tokens-nfts-f362ca57ae10">primeiro grande projeto é de junho de 2017</a>, os Cryptopunks. É claro que vão existir imperfeições que precisam ser corrigidas. Como também é claro de que onde há mais dinheiro há mais interesse, há mais gente querendo surfar a onda, há mais aproveitadores… Isso sempre aconteceu e sempre irá acontecer com outros “fenômenos” que surgirem no futuro: a paixão pela tecnologia (e pelo dinheiro rápido que ela pode trazer) e não pelo problema que ela ajuda a resolver.</p><p>Mas daí a colocar tudo no mesmo bolo e classificar qualquer iniciativa com tokens não-fungíveis como sem valor, capricho de milionário, engana-trouxa e outros adjetivos negativos não só é uma grande bobeira, como demonstra desconhecimento sobre as possibilidades que a tecnologia traz — muito além dos memes vendidos a milhões de dólares — e até uma certa inveja de quem de repente está vendo o bonde passar e não sabe como subir no mesmo.</p><h2 id="h-argumentos-e-contra-argumentos" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Argumentos e contra-argumentos</h2><p>Os argumentos dos que criticam os NFTs geralmente são iguais. Vamos a eles e aos contra-argumentos.</p><p><strong>1) Qualquer um pode copiar um NFT, seja ele uma imagem estática, um vídeo, um áudio… Basta tirar um print screen ou baixar o arquivo. Por isso NFTs não têm valor, diferentes de obras físicas.</strong></p><p>Sim, você pode tirar um print da sua tela ou baixar o mesmo arquivo do token, mas você terá em mãos apenas uma cópia sem valor. Ao comprar um NFT, você compra o registro desse arquivo numa blockchain, um registro que dá a você a propriedade sobre o arquivo autenticado por quem o emitiu e que, por conta disso, pode ser vendido no mercado (se ele tem valor ou não, é justamente o mercado quem vai dizer). Gosto de dar o exemplo de que se você digitar Mona Lisa no Google encontrará milhares de imagens da obra de Leonardo Da Vinci. Você pode baixar uma cópia de graça, em alta definição, imprimir em um papel da melhor qualidade, emoldurar e colocar em sua parede, e essa cópia terá zero valor, justamente por ser uma cópia. A obra original, de verdadeiro valor, está no Museu do Louvre, em Paris. “Ah Felipe, mas uma obra de arte física tem texturas diferentes e outros elementos que tornam sua cópia muito mais difícil do que uma arte digital”. Concordo, mas você pode contratar um artista para fazer uma réplica perfeita de uma obra como esta, com todos os detalhes, e mesmo assim ela será apenas uma réplica e, como tal, não terá valor ou terá um valor muito inferior à obra original. Vai dar mais trabalho e custará mais dinheiro para contratar este artista especializado, mas é possível fazer. Inclusive, a indústria da arte tem evoluído nas tecnologias para comprovar a veracidade de obras justamente por existir um mercado de obras falsificadas cada mais vez mais complicado de se diferenciar o que é autêntico do que é falso.</p><p><strong>2) Quando você compra um NFT você está comprando apenas o token e não os direitos sobre a obra, logo o único direito que o comprador tem em mãos é o de exibir o seu NFT e vendê-lo, mais nada.</strong></p><p>Primeiro, há vários projetos que dão aos donos dos tokens não-fungíveis o direito de explorá-los comercialmente enquanto os mesmos estão em sua posse. O <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/avatar-projects-os-projetos-de-nft-com-maior-hype-na-atualidade-608c0cdba847">Bored Ape Yacht Club</a>, um dos maiores fenômenos da atualidade, é um deles. Quem tem um BAYC pode criar produtos adjacentes à vontade usando a imagem do seu macaco — este, inclusive, é um dos fatores que levou ao sucesso do projeto. A marca Bored Ape Yacht Club não pode ser usada, mas somente a imagem já remete à mesma. A gravadora <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.universalmusic.com/1022pm-forms-kingship-the-first-ever-group-consisting-of-nft-characters-from-bored-ape-yacht-club/">Universal Music, por exemplo, anunciou em novembro passado o lançamento da banda Kingship</a>, formada por quatro macacos da coleção, em uma parceria com o colecionador que detêm os quatro NFTs.</p><p>Segundo, quando você compra uma obra de arte física, seja ela qual for, você compra apenas o direito de exibi-la, privada ou publicamente. Você não tem o direito de explorá-la comercialmente, pois a propriedade intelectual segue sendo do artista, a não ser que isto tenha sido negociado também, o que não é comum. Sua compra foi apenas da obra física, seja no formato que for. Ou seja, você só tem duas opções do que fazer com ela: ou exibir ou vender. É exatamente a mesma coisa com as obras digitais que não lhe dão direitos sobre a propriedade intelectual.</p><p><strong>3) As artes em NFT são malfeitas e sem apelo visual, por isso têm zero valor.</strong></p><p>Concordo que há artes em NFT visualmente muito simples, algumas até infantis, cujo gosto é bastante questionável. Porém, não dá para dizer que isto não acontece no mundo da arte tradicional, não é mesmo? Além do mais, gosto e percepção de valor são coisas pessoais, o que para mim é bonito e valorizado, para você pode ser feio e sem valor, e vice-versa. Quem estabelece o quanto vale de fato é justamente o mercado; se tiver gente disposta a pagar, o valor está ali. E mais, em muitos projetos envolvendo tokens não-fungíveis a parte visual dos mesmos é a que menos importa; é mais a utilidade, o senso de comunidade, a identidade digital da pessoa que possui o token… São aspectos muito além do simples apelo visual.</p><p><strong>4) Grande parte dos NFTs são cópias de imagens não autorizadas pelos autores e há muitos esquemas dentro desse universo.</strong></p><p>A pirataria de fato é um problema em crescimento dentro do mundo dos tokens não-fungíveis, mas, infelizmente, é um problema que assola praticamente todas as indústrias. Eu trabalho com esportes e a pirataria de camisas, por exemplo, é recorrente e causa enormes prejuízos a clubes e fabricantes de material esportivo. Temos que combater este problema, do mesmo jeito que é preciso combater o número de obras digitais falsas sendo colocadas em marketplaces de NFTs. Porém, também é comum encontrarmos produtos falsos em marketplaces de produtos físicos, certo? Isso quer dizer que esses marketplaces servem apenas para enganar os compradores? Claro que não, quer dizer que eles também precisam estar sempre evoluindo seu controle. No caso dos NFTs, há até uma vantagem, pois a própria rastreabilidade que a tecnologia permite ajuda na identificação do que é e o que não é original.</p><p>Sobre os inúmeros esquemas que têm surgido e enganado as pessoas, infelizmente acaba sendo natural pelo fato de ser uma tecnologia em ascendência. Foi assim com outras novidades, como o PIX. Foi só o mesmo se tornar popular entre os brasileiros e tivemos <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-58286706">aumento de casos de sequestro relâmpago</a> e a imposição de um limite de transferência em determinados dias e horários. Além disso, no caso dos NFTs, as pessoas também precisam fazer uma pesquisa melhor sobre a origem do projeto, os criadores, o roadmap, o tamanho da comunidade, o engajamento da mesma, enfim, diversos aspectos para não cair em esquemas. Mas devemos lembrar que pessoas caem em esquemas de todos os tipos, não somente no mundo cripto, muitas vezes inclusive envolvendo bancos grandes.</p><p><strong>5) NFTs prejudicam o meio-ambiente.</strong></p><p>Este é um argumento clássico entre as pessoas que criticam os criptoativos em geral. Sim, blockchains que operam com um mecanismo de consenso chamado de Proof-of-Work, como Bitcoin e Ethereum, de fato consomem bastante energia, pois é o poder computacional que permite a mineração de seus blocos. Como o grande volume de NFTs ainda é emitido em Ethereum, a crítica é até pertinente — apesar de termos diversos outros tipos de negócio bem menos amigáveis ao meio-ambiente que passam imunes às estas críticas. Porém, há redes blockchain <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.coindesk.com/business/2022/01/19/jpmorgan-says-ethereum-is-losing-nft-market-share-to-solana/">em franco crescimento dentro do universo de NFTs</a>, como a Solana e a Tezos, que operam em outro mecanismo de consenso, chamado de Proof-of-Stake, que não se utilizam de poder computacional; logo consomem muito menos energia (<a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://blockworks.co/proof-of-work-vs-proof-of-stake-whats-the-difference/?utm_source=Sailthru&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=Friday%202-18-22&amp;utm_term=Daily%20Newsletter">leia mais sobre Proof-of-Work vs Proof-of-Stake aqui</a>). Ou seja, é mais do que possível emitir NFTs sem contribuir para a destruição do planeta.</p><p><strong>6) Os arquivos dos NFTs não são armazenados na blockchain e sim em servidores de terceiros, logo é possível que estes servidores um dia deixem de existir ou sejam atacados por hackers, o que faria com que os tokens passassem a ser vazios.</strong></p><p>De fato, muitos NFTs têm seus dados (inclusive os arquivos que representam) armazenados fora da blockchain. Neste caso, este token é registrado na blockchain com um apontamento que leva para o servidor onde o arquivo está hospedado. É o chamado NFT off-chain (se o arquivo é registrado dentro da blockchain ele é permanentemente imutável e chamado de NFT on-chain; <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://www.one37pm.com/nft/tech/on-chain-and-off-chain-nfts">este artigo explica em detalhes as diferenças</a>). Existe mesmo um risco, caso o servidor aonde o arquivo e os dados do NFT são guardados seja centralizado, pois um ataque hacker ou mesmo uma falha nos servidores faria com que este NFT deixasse de exibir a imagem e passasse a ser “vazio”. Porém, apesar de ser uma questão que precisa ser aprimorada, há como mitigar este problema armazenando esses dados em uma estrutura descentralizada, como o <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://ipfs.io/">IPFS</a>.</p><h2 id="h-se-informar-e-preciso" class="text-3xl font-header !mt-8 !mb-4 first:!mt-0 first:!mb-0">Se informar é preciso</h2><p>Estas são as críticas mais comuns, repetidas por basicamente todo mundo que fala mal dos NFTs. Grande parte delas foca bastante nos projetos que são puramente artes e colecionáveis digitais, como se os tokens não-fungíveis fossem apenas isso. Mas estão longe de ser; na verdade eu diria que essas aplicações foram apenas as que deram o start em uma <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://twitter.com/cdixon/status/1442201621266534402">grande revolução que será a web3.</a> Particularmente, acredito muito mais nos projetos que atrelam utilidade, seja no mundo físico ou no mundo virtual, do que simplesmente nos colecionáveis ou nas artes digitais. Inclusive já escrevi quatro artigos sobre outras possibilidades de aplicações no esporte que você pode ler <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/nfts-e-o-futuro-no-esporte-parte-i-destravando-experi%C3%AAncias-no-mundo-f%C3%ADsico-be88a72d6ba4">aqui</a>, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/nfts-e-o-futuro-no-esporte-parte-2-cripto-s%C3%B3cio-torcedor-5a7430ebeb3b">aqui</a>, <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/nfts-e-o-futuro-no-esporte-parte-3-interoperabilidade-colabora%C3%A7%C3%A3o-e-liquidez-61d16cf52733">aqui</a> e <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/nfts-e-o-futuro-no-esporte-parte-4-financiamento-para-atletas-eventos-marcas-e-organiza%C3%A7%C3%B5es-7dde445ee516">aqui</a>. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://medium.com/renova-inova/a-minha-passagem-pelo-atl%C3%A9tico-mineiro-iniciativas-e-aprendizados-40640595aeb8?source=collection_home---2------0-----------------------">Você também pode ler sobre algumas iniciativas que fiz durante meu período como head de inovação do Clube Atlético Mineiro, os acertos, erros e aprendizados.</a> Porém, repito, gostos e percepção sobre o que tem ou não valor são coisas pessoais, e não podemos desprezar a quantidade de pessoas que coleciona artes e outros itens digitais.</p><p>Para finalizar, é importante falar sobre a Lei de Amara, citada no título do artigo. <a target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow ugc" class="dont-break-out" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Roy_Amara">Roy Amara</a> foi um cientista e futurista americano que falou uma frase perfeita para definirmos o que estamos vivendo com os NFTs agora: “Nós tendemos a superestimar os efeitos de uma tecnologia no curto prazo e subestimar os efeitos no longo prazo”. Como parece que estamos no auge (ou próximos do auge) do hype dos tokens não-fungíveis, é normal o entusiasmo que está acontecendo e as elevadas expectativas sobre o potencial da tecnologia. E acaba sendo normal também o fato de termos pessoas decretando sua completa inutilidade futura. Porém, como supracitado, trata-se de algo muito novo — o primeiro grande projeto de NFTs completa cinco anos no próximo mês de junho. Naturalmente muita coisa vai evoluir, muita gente que entrou nessa pela moda vai sair e ir para a próxima moda, muito projeto vai ficar pelo caminho (no começo da web1 e web2 foi assim também) e acredito que os projetos bacanas — que já existem — vão continuar e crescer, mesmo que tenham que se adaptar. Críticas são sempre bem-vindas, claro, mas é preciso que tenham fundamentos. E quem critica também deve ter a mente aberta para estudar e entender melhor sobre os fatos; não só é uma oportunidade de aproveitar novas possibilidades que a web3 trará, como aprendizado nunca é demais.</p>]]></content:encoded>
            <author>feliperibbe@newsletter.paragraph.com (Felipe Ribbe)</author>
        </item>
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