Yield Farming: Uma forma de gerar rendimentos passivos com cripto

Talvez o que mais tenha atraído grande parte dos usuários e uma das características mais inovadoras no setor de Finanças Descentralizadas é a possibilidade de alocar capital e obter retornos passivos como forma de recompensa. Ou seja, os usuários têm a possibilidade de depositar seus criptoativos em smart contracts de protocolos recebendo uma remuneração por arriscar e confiar seu capital a ele. A motivação para isso ocorrer, pode variar dependendo do segmento em que o protocolo/*dapp *atua:

  • Exchanges: Depositar pares de criptoativos — criar um LP de ETH/USDC, por exemplo — com o objetivo de prover liquidez a interessados em trocar seus ativos;

  • Protocolos de Empréstimo: Emprestar seus criptoativos para o protocolo, com o objetivo de gerar liquidez aos interessados em tomar empréstimos da plataforma;

  • Seguradoras: Depositar tokens num protocolo de seguro, fornecendo liquidez para o pagamento aos detentores das apólices, caso ocorra um mau funcionamento no smart contract, hack,* rug pull,* entre inúmeros outros riscos no setor de DeFi.

  • Ativos Sintéticos — Depositar tokens no smart contract da plataforma como garantia, permitindo o usuário emitir novos token derivativos, ou seja, cujo valor deriva de ativos pré-determinados - BTC, ETH, Ouro, Dólar, Euro, etc -.

Do mesmo modo, as recompensas obtidas serão obtidas e distribuídas de maneiras diferentes:

  • Exchange: As DEXs cobram uma taxa dos usuários por realizar a troca de ativos — swap — e esta é distribuída aos provedores de liquidez — ou seja, aqueles que depositem LPs de tokens nas *pools *do protocolo — como remuneração por depositar seus ativos.

  • Protocolos de Empréstimo: Estes, repassam parte dos juros cobrados dos tomadores de empréstimos aos usuários que fornecem os ativos para dar liquidez ao protocolo.

  • Seguradoras: Parte do valor pago pela apólice de seguros por aqueles que a contratam, é repassado aos usuários que fornecem liquidez ao protocolo.

  • Ativos Sintéticos: Os usuários que emitirem os tokens sintéticos, obrigatoriamente depositam tokens nos protocolos como garantia. No entanto, estes ganham uma rentabilidade anual por manter seus tokens depositados na plataforma, incentivando o uso dos ativos emitidos.

As formas descritas acima são apenas alguns exemplos das formas de conseguir obter rentabilidade passiva em protocolos DeFi. O termo cunhado de yield farming vem de yield = rendimento e farming = de colher, cultivar. Com a larga expansão destas plataformas em 2020, muitos usuários sempre buscavam as melhores rentabilidades no setor, migrando seus tokens sempre para protocolos mais lucrativos e/ou mais confiáveis. A estes, deu-se nome de yield farmers = coletores de rendimentos, sempre remetendo a figura de agricultores colhendo plantações, como foi bem utilizado pela Harvest.finance:

Não bastasse a quantidade de maneiras de ter rentabilidade a partir da alocação de criptoativos em determinados protocolos, a fácil interação entre eles é o que mais chama atenção no setor. A essa característica, se dá o nome de composibilidade. Por este motivo, os *dapps *foram apelidados de “money legos”, devido à facilidade na interação entre eles. Nada melhor que um exemplo para ilustrar essa característica:

  • O usuário A possui 1000 USDT — uma stablecoin, ou seja, token lastreado ao valor do dólar — em sua carteira na blockchain da Polygon e quer rentabilizar esse valor, sem expor-se a variação das criptomoedas.

  • Para isso, ele deposita os 1000 USDT na Aave, protocolo de empréstimo, recebendo como recompensa um aumento de sua representação na pool de 3,19% anualmente — ou APY (Annual Percentage Yield), sigla encontrada em grande parte dos protocolos -. Isso significa que sua quantidade de USDT irá aumentar 3,19% ao longo de um ano.

  • Além disso, irá obter o ganho de 1,74% anualmente em MATIC, recompensa adicional fornecida pela rede da Polygon para fomentar o uso da rede.

  • Ao depositar os 1000 USDT na Aave, automaticamente serão repassados ao usuário A uma representação desse depósito, denominado aUSDT - todas as representações de tokens emitidos a partir de depósitos na Aave detém o "a" antes do nome do token -. Essa representação irá aumentar conforme a recompensa estabelecida na pool, neste caso, 3,19% ao ano.

Fonte: Aave. Acesso em 23 de julho de 2021.

  • Com 1000 aUSDT, o usuário A pode entrar na Curve Finance, - exchange descentralizada especializada em prover liquidez a stablecoins e ativos como BTC e ETH - e depositá-los na pool da Aave. Neste momento, a pool paga como recompensa 2,15% em CRV e 3,53% em MATIC, além da representação na pool aumentar 3,36% anualmente - denominada am3CRV -.

Fonte: Curve. Acesso em 23 de julho de 2021.

  • Desse modo, o usuário A consegue com 1000 USDT, rentabilizar a mesma quantia de capital em 2 lugares diferentes.

  • No exemplo acima, o usuário obteve 5,27% de APY em MATIC; 2,15% em CRV; 3,19% em aUSDT; e 3,36% em am3CRV.

  • Observação: as rentabilidades, via de regra, são variáveis conforme o volume de depósitos nas pools, então esta irá variar de acordo com o tempo. Os valores dos tokens CRV e MATIC, também variam.

Esta, é apenas uma estratégia simples existente no ecossistema DeFi para ganhar rendimentos usufruindo da facilidade na interação entre protocolos. Nos próximos artigos, iremos detalhar outras estratégias, explicar a funcionalidade de protocolos de maneira mais detalhada, trazer explicações sobre os riscos associados ao uso de um ou vários protocolos simultaneamente e como os usuários podem proteger-se destes perigos.