Monad ensaia melhorias para a era da computação quântica
No século passado, quando a IA dava os primeiros passos, quando se limitava a um conjunto de condições hoje tidas como simples, já a criatividade humana escrevia e representava sobre a extinção do ser humano e o domínio do mundo pelas máquinas . Com Bitcoin passou-se o mesmo. Ao passo que um conjunto reduzido entusiastas não se cansava de enumerar vantagens para a humanidade , uma multidão muito maior tecia duras críticas e outros havia, até, que antecipavam o fim do mundo e o esgotamento dos recursos naturais. Hoje a rede consome qualquer coisa como 200TWh , um valor que continua a ser alvo de críticas, mas que não impediu que o protocolo se tornasse universal, ao ponto de hoje ser um ativo estratégico do ponto de vista institucional. Mais, o consumo energético da rede Bitcoin tornou-se minúsculo em comparação com o que é consumido pela indústria de IA .
Com a computação quântica está a passar-se mais ou menos o mesmo. Poucos são os que enumeram as vantagens e muitos são os que antecipam o fim do mundo.
É verdade que a computação quântica apresenta riscos sérios. Mas, também é verdade que o domínio dos princípios da mecânica quântica em computação podem levar-nos, pela positiva, onde nunca imaginámos. Os principais especialistas apontam o início da próxima década como o Q-Day, o que nos dá uma margem curta para nos prepararmos.
Na segunda-feira, 28 de setembro, a Monad publicou no seu blogue o roadmap pós-quântico , assinado por Mohsen Ahmadvand, da equipa de Protocol Engineering. O artigo distingue-se do que temos lido sobre o tema por uma razão simples: não começa pela tecnologia, começa pelo preço .
Partindo de preços públicos de sistemas supercondutores e extrapolando para uma máquina hipotética de 500 mil qubits , o autor chega a um custo de capital de 38,9 mil milhões de dólares . Assumindo cinco anos de vida útil e 50% de utilização produtiva, cada corrida de 18–23 minutos custa entre 530 mil e 680 mil dólares . Recuperar a chave de um validador BLS seria cerca de 3,4× mais caro: 1,8 a 2,3 milhões de dólares por corrida. A partir desta análise, pode-se inferir que toda e qualquer carteira com mais do que esses valores se torna um alvo apetecível .
Para a Monad, a primeira prioridade ( P0 ) são as carteiras , através da proposta Flexible and Upgradeable Account Authentication , de Kushal Babel e Jan Camenisch .
A ideia é elegante: separar a identidade da conta das credenciais que a controlam . Uma espécie de smart account , sem o ser nos moldes a que já estamos habituados. A configuração de autenticação passa a viver no estado da conta. O endereço mantém-se fixo, ao mesmo tempo que podem ser criados, alterados ou introduzidos novos mecanismos de autenticação. A chave privada deixa de ser o único e irrevogável fator de autoridade: passa a ser um autenticador entre vários, substituível por um esquema pós-quântico, sem mover ativos e sem quebrar posições. Cada conta passa a ter duas políticas, uma de assinatura e outra de reconfiguração.
O roadmap inclui outras etapas para além da proteção de carteiras. A última está prevista ao nível da mempool através da sua encriptação por inteiro, impedido que outros que não os validadores autorizados consigam visualizar o que se está a passar.
Longe disso, A Monad não é um caso isolado. A Ethereum Foundation mantém uma equipa e um portal dedicados ( pq.ethereum.org ), e em fevereiro de 2026 Vitalik Buterin publicou um roadmap que identifica quatro áreas expostas: as assinaturas BLS do consenso, os compromissos KZG da disponibilidade de dados, o ECDSA das contas e os sistemas de provas ZK .
A resposta chama-se Lean Ethereum : substituir BLS por assinaturas baseadas em hash ( leanXMSS ) e recuperar a eficiência perdida através de um zkVM minimalista ( leanVM ) que agrega provas. A espectativa é de que estas alterações possam ser ativas até 2029 .
Mas voltemos aos riscos. Apesar de ser apenas meio caminho, não deixa de ser interessante que seja apenas a indústria cripto - ou pelo menos parece - a preocupar-se com eles , quando na verdade os riscos são significativamente maiores para o restante mundo. Se o risco é alto, também é verdade que a mecânica quântica que ameaça o ECDSA é a mesma que pode levar à criação de novas moléculas, novos materiais, novos fertilizantes, fármacos e à conquista do espaço.
Também há vantagens para a descentralização. A matemática pós-quântica traz threshold encryption (a base da mempool encriptada), assinaturas que permitem recuperação social e passkeys nativas, e agregação por provas que pode tornar a validação mais barata e mais privada.
Marketing ou desenvolvimento tecnológico a Monad está de parabéns
De alguma forma, a Monad tem passado despercebida. O token MON tem negociado na casa dos $0.03, ligeiramente abaixo do preço do lançamento. Por outro lado, tem uma infraestrutura interessante, com blocos de 300ms , finalização de 600ms e foi, das L1 alternativas a Ethereum, aquela que teve maior aceleração ao nível de TVL. Conta com a participação ativa de praticamente todos os grandes protocolos de DeFi e qualquer coisa como $600M de stablecoins em circulação.
O «Player 2» chegou.
A stablecoin Open USD (OUSD) , que beneficia do apoio da Mastercard, da Visa, da Coinbase e outros gigantes e que Paolo Ardoino da Tether considera um concorrente à altura, foi formalmente lançada no passado dia 30 de setembro.
Focada em pagamentos, banking e settlement, a OUSD já se encontra disponível em Ethereum , Solana , Base e em Tempo .
A OUSD distingue-se de outras stablecoins por partilhar o revenue com os parceiros na proporção da sua participação. Apesar de não estar diretamente ligado, se compararmos com o outro lançamento institucional recente, a Arc pela Circle, desta vez não se olhou a meios para atingir os fins. A meta dos mil milhões foi estabelecida logo à partida, com a Tempo a captar a maioria desse supply. Aliás, a stablecoin é a mais representativa em Tempo.
Curtas
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Titan ( titanx.cc ) lança exchange em testnet com orderbooks privados. A ideia consiste em tirar partido de dark pools: matching off-chain com latências semelhantes às de uma CEX e settlement on-chain privado, o que evita front-running e a exposição de posições. Até ao lançamento da mainnet, está em curso uma companha com incentivos e pontos.
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Papertrade, a exchange de perpétuos sintéticos em Hyperliquid vai para o ar no dia 10 de outubro . Com leverage até 1000x e mecânicas que remuneram quem ganha e quem também perde.
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NEAR Intents suspende o protocolo após detetar falha de segurança que levou à perda $3.8M.
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Metamask suspendeu temporariamente as operações de validação da rede Ethereum após detetar um comportamento estranho. Ao que tudo indica, as recompensas da validação de blocos foram desviadas para um endereço estranho , fundado via Tornado Cash. O atacante conseguiu extrair apenas 0.36 ETH.
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Regulador europeu (ESMA) quer alargar as regras do MiCA para contemplar, também, protocolos de DeFi.
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Kinetic (KNTQ) substitui airdrop por opção de conversão de pontos com desconto e cotação colapsa.
Hard Fork Café
Como de costume, o Hard Fork Café regressa aos sábados à noite para duas ou três horas de edição ao vivo, onde de forma descontraída e sem grandes filtros se fala destes temas a par de outros que entram sempre na corrente da discussão.
A parte final (mais ou menos a partir do meio) da edição desta semana foi inteiramente dedicada a uma aula de análise de mercados pelo Alquimista . Quando ninguém esperava, o Alquimista apareceu bullish e partilhou algumas dicas sobre como interpretar alguns dos sinais que ajudam no momento de decidir no que investir.
Por hoje é tudo! Espero que tenham achado este post interessante e que tenha ajudado para uma melhor compreensão do que se passa em cripto e DeFi. Os vossos comentários são valiosos, por isso não se sintam impedidos de os fazer. Voltamos a encontrar-nos para a semana.