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Franciscano

Uma manhã aparentemente sem nada demais, nada que pudesse fazer diferença na vida de qualquer pessoa. Um dia comum não fosse a sensação incrível de acolhimento que me trouxe este lugar. Um lugar onde nunca havia estado antes mas ao qual sentia que sempre pertenci. Como casa de Vó, sempre com a porta aberta, café coado e um cantinho só seu mesmo que você nunca tenha morado lá. Minha primeira vez ali teve sensação de reencontro com aquele antigo amigo de infância, daqueles que brincávamos juntos todo final de tarde e tínhamos nossas brincadeiras favoritas- tem amigos que são lugares! Lugares aos quais pertencemos desde sempre e para sempre. Assim me senti ali. Naquelas primeiras horas solitárias da manhã, enquanto a cidade acordava e meus queridos dormiam, saí pra andar pelas ruas. Tinha pressa e sossego, curiosidade e paz. Queria reconhecer tudo ao meu redor, tocar o intangível , explorar essa cidade que me encontrou! Éramos amigas há tanto tempo e eu nem sabia! Eu, que sempre achei essas horas tão estranhas e sozinhas, me senti extremamente bem acompanhada e livre ao mesmo tempo. Liberdade segura, daquelas que te fazem sentir em casa, a vontade para andar descalça e por os pés no sofá. O vento frio que soprava a cada esquina que eu parava oxigenava meus pensamentos e uma alegria sem tamanho tomou conta de mim. Alegria de abraço gostoso, alegria de reencontro, de reciprocidade! Imediata e naturalmente devolvi na mesma moeda, recebendo aquele lugar com todo carinho dentro do meu coração. Como contei no começo, aparentemente uma manhã normal de um dia comum de viagem. Mas algo especial me tocou ali, naquela manhã, naquele lugar daquela cidade, sem avisar e sem pedir licença. Algo que nunca mais saiu do meu coração, uma sensação que revivo nitidamente, sempre que olho pra foto que tirei naquele amanhecer. Uma intuição, uma semente, alguma pista pra amanhã ? Não sei. Só sei que nunca mais esqueci desse abraço acolhedor que nos demos. Ele continua aqui, aquecendo o peito. Em uma versão pessoal e meio do avesso ao que canta o ilustre Tonny Bennet, São Francisco se deixou dentro do meu coração.*

*Analogia à famosa canção de Tonny Bennet: “ I left my heart in San Francisco” (traduzinda: eu deixei meu coração em São Francisco).