Em 2013, $7.5M em Bitcoin foram parar ao lixo, hoje seriam cerca de $54M. Este é um dos títulos que fizeram da Bitcoin um fenómeno lendário. Lambo! Bitconnect? O famoso esquema de pirâmide que se serviu do nome da Bitcoin para roubar muitos milhões de dólares. Pump and dumps', hacks nas exchanges, mercados ilícitos e um sentido de caos generalizado nasceu a partir da criação da Bitcoin. Por estes e muitos outros motivos a comunidade cripto viveu uma espécie de Oeste Selvagem.
Quando nasce uma nova tecnologia esta necessita de atravessar um período de maturação e a Bitcoin estava ainda na sua infância.
Satoshi Nakamoto é o pseudónimo usado pela pessoa que publicou o famoso Whitepaper: “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”. Satoshi foi o catalisador da génese da Bitcoin quando apresentou a solução para o único problema que faltava resolver para criar o primeiro dinheiro eletrónico de sucesso: o double spend (não gastar duas vezes a mesma moeda). Mas esta personalidade misteriosa teve a contribuição de vários programadores “Cypherpunks” que se foram reunindo à volta da sua ideia. Até ao dia de hoje ainda não foi revelada qualquer prova factual da sua verdadeira identidade. Sabemos que essa pessoa estava muito à frente do seu tempo, tinha um profundo conhecimento de programação em C++, era prolífico em criptografia e dominava conceitos financeiros e económicos. Este desconhecido bilionário deverá ser proprietário de cerca de 1M de bitcoins que permanecem paradas desde 2010. O número baseia-se na especulação que as bitcoins mineradas no primeiro ano pertencem a Satoshi, contudo é altamente improvável ter a certeza da quantidade real.
Que tipo de pessoa é Satoshi? Parece óbvio que a sua intenção passaria por obter lucros e enriquecimento fácil, contudo os seus atos apontam na direção inversa. Ele não vendeu qualquer quantidade da sua suposta fortuna, pois se assim fosse, isso seria facilmente verificável devido à natureza das transações na blockchain. Existem diversas teorias para explicar a razão pela qual não gastou um único cêntimo, alguns acreditam que está à espera da altura ideal para o fazer, outros são da opinião que ele nunca vai vender as suas bitcoins como forma de donativo à comunidade. É possível que também tenha perdido o acesso às bitcoins, que esteja morto ou ainda que queira apenas manter o anonimato para proteger a sua identidade.
Para eliminar a tendência de confirmação natural quando temos uma ideia pré-determinada de um nome concreto que encaixe no nosso perfil, referem-se as fontes primárias de informações que são factualmente verificáveis. Apesar de SN ter tomado todas as precauções para permanecer anónimo:
Nome Falso -> Tor browser -> Ausência de Registos
Sempre que há uma ligação à internet e interações com outras pessoas, o que alguém diz ou faz fornece pistas diretas sobre o tipo de pessoa que é. Qualquer jogador de *poker *sabe que a partir do momento que alguém se senta para jogar está imediatamente a fornecer informações e detalhes aos outros jogadores, quer seja a sua linguagem corporal, a tomada de decisão ou as palavras que usa. E tudo isto influencia a conclusão e o resultado final da partida de poker.
As raízes da criação da Bitcoin são anteriores ao que a maior parte das pessoas acredita e vão bem mais atrás de 2007. A história começa nos finais de 1980 e pode ser rastreada até David Chaum. David era criptógrafo e cientista de computação, bem conhecido pelas suas várias contribuições na comunidade criptográfica por volta de 1982. Ele publicou um documento com o nome ‘blind signatures for untraceable payments‘.
Este documento académico conduziu à criação de uma empresa com o nome Digicash – um sistema de pagamentos anónimo. Uma grande parte do trabalho de David foi reconhecida como a maior influencia do grupo ativista: “Cypherpunks“. Satoshi sabia da existência deste grupo e da sua ideologia, inclusivamente conhecia alguns dos membros. O termo Cypherpunks é crucial para entender a origem da Bitcoin e a identidade do seu criador.
Um Cypherpunk é um ativista que defende o uso global de sistemas tecnológicos que utilizam criptografia e o aprimoramento da privacidade como forma de mudança política e social. Comunicando inicialmente através de listas de correio eletrónico foram surgindo grupos informais cujo objetivo era garantir a privacidade e a segurança dos utilizadores através do uso proactivo de criptografia.
Os Cypherpunks perceberam antecipadamente os problemas da falta de privacidade do nosso mundo moderno. Atualmente “oferecemos” as nossas informações a empresas que as usam para fins comerciais, aos governos, às plataformas das redes sociais, etc. Parece que entretanto todos aceitámos com tranquilidade, a monitorização e o controlo a que estamos sujeitos. Em 1970 era totalmente diferente, a encriptação só era utilizada pelos governos e pelos espiões. Estes métodos de codificação chegaram depois ao público em geral e os Cypherpunks insurgiram-se contra o ‘big brother‘ promovendo a criptografia e outras práticas numa base individual. Eles queriam que os consumidores normais assumissem a responsabilidade da sua privacidade ‘online‘ fornecendo-lhe os utensílios e o conhecimento necessário para se protegerem. A ideia de educar a população em técnicas avançadas de criptografia e privacidade era uma batalha impossível de travar visto que a maior parte das pessoas em 1970 nem sequer tinha computador. Estas foram as raízes dos Cypherpunks.
A forma principal de comunicarem online era através da “the cryptography mailing list“, mas não foi esta lista que Satoshi contactou. As mailing lists foram as percursoras dos fóruns online e eram tão populares que os ‘trolls‘ da altura inscreviam outras pessoas em seu nome para encher as suas caixas de correio com spam. A “cryptography mailing list” nasceu em 1992 por intermédio de Eric Hughes, Timothy C. May e John Gilmore, fundador de um pequeno grupo que se reunia mensalmente nas instalações da sua empresa – Cygnus Solutions, localizada na Baía de São Francisco.
Como indivíduos unidos por um interesse comum, os Cypherpunks discutiam os objetivos do grupo e alguns temas políticos. Com o crescimento da comunidade Cypherpunk também a mailing list se tornou famosa e daí floresceram ao longo dos anos, as mais diversas e importantes discussões para esse tópico. Tais interações levaram ao desenvolvimento de diversos tipos de software de criptografia.
Os Cypherpunks nasceram na Califórnia. Em 1990 o ativismo político estava pouco presente na internet e era apenas uma pequena semente de curto alcance geográfico e por isso a sua influência era mais forte nos locais de maior concentração. Este grupo cresceu essencialmente de boca em boca. Hoje, a tecnologia permite-nos partilhar ideias com o mundo inteiro de forma instantânea. Pesquisando o google trends pelo termo Cypherpunks na altura em que Satoshi poderia ter contactado com o grupo, ou seja, entre 1 de Janeiro de 2004 e 10 de Outubro de 2008, obtemos o maior interesse na área da Califórnia.
Satoshi poderá ter estado activo sob outro nome de utilizador antes de criar a Bitcoin, visto que o desenvolvimento do código começou em 2007 de acordo com as suas próprias palavras. Se pesquisarmos o arquivo da mailing list, teoricamente, poderia ter partilhado informações sob outro nome ou endereço de email e até como afiliado dos Cypherpunks. Este arquivo vai ser útil mais à frente como prova factual.
Como referido anteriormente, os Cypherpunks criaram uma grande variedade de software, contudo ainda não tinham desenvolvido com sucesso uma moeda digital que não pudesse ser gasta duas vezes, tal como um ficheiro mp3 que poderia ser enviado para vários destinatários (double spend). É aqui que entra a contribuição de Satoshi Nakamoto.
Em Outubro de 2008, Satoshi apresentou o seu trabalho à Cypherpunk mailing list – o Whitepaper da Bitcoin. Ao contrário do que acontece hoje, Satoshi tinha começado a trabalhar no projeto em 2007 antes de escrever o Whitepaper, que em traços gerais é uma dissertação do enquadramento teórico para desenvolver um sistema descentralizado de dinheiro que resolve o ‘double spending‘.
O termo Whitepaper teve origem no Reino Unido, consultando o google trends pelas ocorrências em todos os países até 2008, altura em que Satoshi o publicou, obtemos quase o dobro do interesse nesse país, quando comparado com o 2º resultado.
Satoshi recorreu variadas vezes a termos típicos de inglês britânico. Tal não foi exceção na escrita do whitepaper e em outras tantas interações associadas ao seu perfil: “cheques“, “analyse“, “favour“, “organise” e “bloody difficult“.
Em todas as suas mensagens não há registo de erros gramaticais. Contudo talvez utilizasse um software de correção em inglês britânico. É incrivelmente interessante que Satoshi colocasse sempre dois espaços à frente dos pontos finais de todas as frases. No fórum bitcointalkforum basta pesquisar pelo nome de utilizador e ler as mensagens que comprovam a sua absoluta coerência.
Esta idiossincrasia é comum entre académicos, visto que muitas instituições educativas obrigavam os alunos a utilizar dois espaços a seguir a um ponto final. De resto, a maior parte desses colégios e universidades têm abandonado esse requisito ao longo do tempo. No caso de Satoshi é visível que esta prática tinha sido absorvida ao ponto de funcionar como memória muscular, o que revela um hábito de muitos anos e de quem aprendeu a dactilografar nas antigas máquinas de escrever, as quais requeriam o uso do espaço duplo depois de um ponto final por questões de uma limitação inerente ao seu funcionamento.
Assumindo a característica do duplo espaço podemos especular a idade aproximada de Satoshi. Os computadores tornaram-se pessoais perto de 1977 (apple 2 e Trs-80). Tipicamente não se encontravam computadores nas escolas durante essa década. Isto leva a crer que ele era mais velho do que a idade que alegou ter, num dos seus perfis, em Março de 2011. Na sua conta da P2P Foundation estava registado como nascido a 5 de Abril de 1975. Em 1985 tinha começado o declínio das máquinas de escrever. Teoricamente Satoshi teria 47 anos se a informação da sua idade for verdadeira. Mas se alimentarmos a possibilidade de Satoshi ter entre 16 a 18 anos na altura em que começou a utilizar máquina de escrever, estimo que tenha entre 55 a 64 anos. Isto é especulação minha e apenas uma possibilidade razoável.
Satoshi disse a outros utilizadores da *mailing list *que tinha começado a trabalhar num projeto seu por volta de 2007 e que estava já avançado, prestes a tornar-se realidade mas muitos dos assinantes dessa mailing list estavam céticos dado o grau de dificuldade e as diversas tentativas falhadas anteriormente. Contudo SN executou a sua proposta.
O B-Money foi um dos projetos apontados como inspirador da Bitcoin mas nunca passou da parte teórica, o Digicash era um sistema de pagamentos anónimos em que as pessoas retiravam o dinheiro dos bancos e depois utilizariam uma forma de assinatura criptográfica para o guardar no seu computador, transacionando de forma anónima. A empresa Digicash faliu em 1999 por falta da adoção do seu sistema.
O ecommerce ainda não tinha a projeção de hoje e talvez tenha sido esse, o fator chave para não sobreviver. O Bitgold criado por Nick Szabo foi o projeto tecnicamente mais próximo da Bitcoin mas teve o mesmo destino de todos os anteriores. Muitos pensam que Nick Szabo é Satoshi mas o seu nome é referido no Whitepaper e no website da Bitcoin. Isto sugere que talvez Nakamoto não conhecesse Szabo antes do Bitgold ter recebido atenção.
Hal Finney, um cientista de computadores e bem conhecido Cypherpunk, programador líder na PGP Corporation, foi uma das primeiras pessoas a olhar para a proposta de Satoshi com seriedade tendo contribuído para o desenvolvimento da Bitcoin gratuitamente e minerado alguma parte das moedas.
Hal escreveu no bitcoin fórum:
“Quando Satoshi apresentou a Bitcoin à mailing list de criptografia, a resposta foi no melhor, cética. Os criptógrafos estão fartos de demasiados esquemas propostos por noobs sem a mínima noção. A reação tende a ser péssima. Eu estava mais positivo. Sempre me interessei por sistemas criptografados de pagamento. Ainda mais, porque tive a sorte de conhecer e comunicar com Wei Dai e Nick Szabo, geralmente reconhecidos pelas ideias que seriam realizadas na Bitcoin”
HAL FINNEY
Dentro do código da Bitcoin existe uma mensagem escondida em referência ao colapso financeiro de 2008 e a um título do The Times do Reino unido :
“The Times 03/Jan/2009, Chancelor on Brink of Second Bailout for Banks”
Aqui surge mais uma pista da origem britânica de Satoshi. A Bitcoin surgiu no sítio certo e na hora certa. Esta mensagem comunica exatamente a intenção e a motivação que Satoshi teve para criar o seu projeto. Durante os próximos anos e até final de 2010, Satoshi faria posts regulares, quase diários, no fórum da Bitcoin que contribuíram para o desenvolvimento do software. Os posts podem ser lidos ainda hoje, cortesia da internet.
A inexistência de leis colocou a Bitcoin na mira de mafiosos dispostos a adotá-la para as suas práticas cinzentas… A história do Silk Road e de Ross Ulbricht é um exemplo da utilização da Bitcoin para fins criminosos. Mas estávamos em 2010 e outro incidente ocorreu antes do desaparecimento de Satoshi. Para vosso contexto, o Wikileaks era um dos alvos principais do governo americano como resultado da publicação de centenas de documentos confidenciais. Nenhum governo tolera delatores problemáticos e por isso surgiu uma recompensa para denunciar a organização. O Wikileaks ficaria numa situação precária depois de sofrer vários ataques DDos e perder o seu financiamento. As empresas fornecedoras de serviços de pagamentos não queriam ser associadas diretamente às práticas do Wikileaks e ao escrutínio ameaçador do governo. As consequências seriam desastrosas.
Ainda em 2010 surgiu uma thread no bitcointalkforum iniciada pela partilha de uma hiperligação a um artigo da PCWorld.com mas nessa altura a Bitcoin ainda era pouco conhecida.
Este artigo sugere que a rede podia ser a solução para os problemas dos pagamentos do Wikileaks. Como resultado dessa exposição mediática, centenas de pessoas ficaram a conhecer a Bitcoin e após a publicação do artigo o bitcointalk ficou offline devido aos milhões de novos acessos registados no site. Muitos desses novos visitantes comentaram a thread onde posteriormente Satoshi fez o seguinte comentário:
“Teria sido melhor obter este tipo de atenção em qualquer outro contexto. O wikileaks está metido num ninho de vespas que vêm na nossa direção”
SATOSHI NAKAMOTO
Satoshi viu imediatamente uma ameaça por parte do governo, afastando-se do projeto. Mais tarde faria um último comentário confiando o desenvolvimento a Gavin Andresen. A natureza open-source da Bitcoin atraiu e envolveu inúmeros participantes e Gavin, um cientista de computadores graduado em Princeton, que se encontrava a desenvolver novos produtos para a Bitcoin era um deles. Depois do afastamento de Satoshi tornou-se na voz da comunidade e a espaços era contactado por ele via email. Mas esses contactos foram breves e terminaram pouco tempo depois.
26 DE ABRIL DE 2011 – SATOSHI ESCREVE A GAVIN:
Gostava que deixasses de te referir a mim como uma figura misteriosa e sombria, a imprensa irá interpretar essas palavras à luz de uma moeda de piratas. Talvez a Bitcoin deva representar um projeto de código aberto que atribua crédito aos seus programadores e contribuidores; isso ajuda a motivá-los.
SATOSHI NAKAMOTO
Satoshi não gostava da ideia que a Bitcoin fosse adotada por criminosos pois isso faria dele um alvo do governo. O email acima foi enviado dois meses antes do lançamento do Silk Road o que mostra que ele estava perfeitamente a par da forma que a Bitcoin começava a assumir. Depois do email, Gavin informou Satoshi que tinha sido convidado a participar numa conferência da CIA mas nunca chegou a responder. Até hoje essa foi a última comunicação de Satoshi.
Faketoshis – Craig Wright, Dorian Nakamoto
A génesis e a influência dos Cypherpunks na criação da Bitcoin e as raízes geográficas desse grupo de ativistas da Califórnia.
A origem britânica de Satoshi (uso de termos especificamente britânicos, a mensagem escondida no código da Bitcoin que foi título do Financial Times no Reino Unido e ainda, a sua forma de escrita formal típica de um académico – idiossincrasia do duplo espaço).
O desaparecimento de Satoshi depois do escândalo do Wikileaks e o seu pedido pessoal para que a Bitcoin não fosse associada a atividades criminosas.
Quando o utilizador RHorning escreveu:
“Basicamente, que venha. Vamos encorajar o Wikileaks a utilizar Bitcoin e eu estou disposto a enfrentar qualquer risco ou revés que disso resulte.”
RHORNING
Satoshi respondeu:
“Não! Que não venha. O projeto precisa de crescer gradualmente para que o software seja melhorado progressivamente. Eu faço este apelo ao Wikileaks para não usar a Bitcoin. A Bitcoin é uma pequena comunidade beta ainda na sua infância. Não suportaria mais do que uns trocos. E a atenção que isso vai trazer pode destruir-nos, provavelmente.”
SATOSHI NAKAMOTO
O escândalo do Wikileaks em 2010 despertou a curiosidade pela Bitcoin levando-a a todas as partes do mundo e apesar da opinião de Satoshi, a Bitcoin estava no bom caminho tornando-se ainda mais forte. A moeda continuou a valorizar e a atrair mais compradores, mais mineradores e mais contribuidores.
Apesar de muitas pessoas considerarem Satoshi um absoluto génio com poderes de clarividência, que terá calculado antecipadamente cada detalhe da Bitcoin, quase como se soubesse o resultado final da sua obra, é importante humanizá-lo. O sucesso global e o impacto do projeto, ainda não quantificado totalmente não significa que tenhamos de o adorar com a um Deus. 🙂
Como qualquer humano inteligente e razoável, tomou a decisão lógica de se afastar de forma a evitar quaisquer problemas que surgissem, potenciados pelo caso do Wikileaks. Na minha opinião, esta decisão foi especificamente tomada por precaução e tal revela que Satoshi sentiu receio das surpresas que o futuro lhe poderia reservar. A origem britânica de Satoshi poderá ter sido a sua forma bestial de nos ludibriar mas mesmo que ele tivesse utilizado Inglês dos Estados Unidos, o seu mistério continuará a existir. Em vez disso devemos concentrar-nos na razão pela qual adotou um estilo de escrita específico e distinto.
Mesmo que fosse possível atribuir a identidade de Satoshi a um único candidato teríamos ainda que levar em conta a proteção da sua identidade e a possibilidade dele próprio a querer negar. Para alguém provar que é Satoshi terá forçosamente de assinar uma transação criptografada na *blockchain *da Bitcoin e mover as moedas (Craig Wright tem tentado provar em tribunal que é Satoshi Nakamoto contudo ainda não conseguiu fazer qualquer transação que sirva de prova). A segurança operacional de SN passou por utilizar um nome falso e servir-se do browser TOR para pagar o domínio do site Bitcoin.org com um cartão de crédito pré-pago e isso foi tudo o que necessitou para mascarar a sua identidade.
Em breve quando apresentar as próximas pistas, concluímos que, ou Satoshi é imperfeito tal como todos nós ou que agiu propositadamente para criar distrações em cada oportunidade que teve.
A verdadeira identidade de Satoshi tem implicações enormes para a Bitcoin se levarmos em conta a sua fortuna colossal de cerca de 10 Biliões de dólares.
Uma Bomba Relógio
Quando o preço da Bitcoin tende a fazer máximos históricos, os debates e a investigação sobre Satoshi voltam em força. Isto acontece por uma boa razão, mesmo que os leitores não estejam familiarizados com cripto ou com trading vou usar termos correntes que todos percebem. Acredita-se que Satoshi seja dono de cerca de 1M de bitcoins que até hoje permanecem intocadas desde a sua emissão inicial. O único movimento conhecido desta fortuna foi também a primeira transação de bitcoin. Satoshi enviou 10 Bitcoins para Hal Finney (ver lado direito em baixo).
O limite máximo de bitcoins que podem ser mineradas é de 21 Milhões. Ao longo do tempo espera-se que a quantidade de moedas em circulação continue a diminuir tornando-as ainda mais escassas e valiosas.
Será que Satoshi perdeu o acesso à sua chave privada e às suas moedas? Como se pode perder acesso a tal quantidade de bitcoins?
Quando controlamos uma carteira com bitcoins somos responsáveis por um par de chaves criptográficas: a chave privada e a chave pública. A chave privada é composta por um número de 256 bit que pode ser guardado de qualquer forma (num papel, dentro de um ficheiro de texto no computador, tirando uma fotografia, etc). Perder a chave privada implica a perda irreparável de todas as bitcoins nessa carteira, ou seja é um evento irreversível!
Sabe-se por intermédio da análise das operações de mineração de Bitcoin que uma entidade (1 computador) foi recompensada com 1 milhão de bitcoins desde o bloco de génese. Se Satoshi agisse por egoísmo e interesse próprio podíamos questionar a razão pela qual pré-minerou 1M de bitcoins.
Se fosse possível descobrir o que aconteceu com as chaves de Satoshi, tal seria como tirar um grande coelho da cartola para o mercado ‘cripto‘. A título de exemplo e supondo que se confirmava que Satoshi perdeu as chaves, seriam retiradas da oferta em circulação 1M de bitcoins de forma permanente, pelo que o seu preço deveria aumentar de forma significativa.
O facto da mineração de bitcoins ser limitada matematicamente significa que a sua criação termina algures em 2100 e isso aliado às perdas diárias que são comuns contribui teoricamente para a apreciação contínua da fortuna de Satoshi que poderá ser vendida no mercado a qualquer momento. Se Satoshi vendesse todas as suas bitcoins ao mesmo tempo teríamos mais 1M em circulação, o que poderia causar um impacto muito importante no valor – seria a mãe de todas as correções! Supostamente, isso iria causar algum stress no mercado mas acredito que o pior seriam as notícias e os títulos dos canais de media que tendem a capitalizar gananciosamente qualquer oportunidade. É óbvio que se tal for o caso a Bitcoin sofrerá uma grande pressão. O facto de ninguém saber o que aconteceu a Satoshi ou à sua fortuna apenas adensa mais o mistério.
Será que Satoshi irá algum dia vender as suas Bitcoins?
Pergunta de 1 Bilião de dólares. Uns dizem que ele nunca arriscaria a sua segurança pessoal pois seria responsabilizado legalmente e perseguido pelas autoridades e pelos governos. Este argumento faria mais sentido nos tempos do *Wikileaks *e do bitcointalk. Mas com o passar dos anos as coisas tornaram-se diferentes e as poeiras do passado estão já enterradas pelo esquecimento.
Não é crime criar uma criptomoeda! A tecnologia era e ainda é inovadora. Fazendo uma analogia, isto seria o mesmo que prender um piloto de aviões antes de serem inventados. Hal Finney foi tão importante quanto Satoshi na criação da Bitcoin e vendeu as suas bitcoins sem qualquer problema. Satoshi disse a Gavin no último email que este deveria atribuir mais crédito aos contribuidores e programadores pois isso ajudaria à sua motivação.
Várias pessoas têm estado envolvidas neste projeto de código aberto ao longo dos anos. Se a possibilidade de incorrer em ilegalidades fosse real, estariam os programadores dispostos a assumir o risco de continuar a contribuir para o código? Existem atualmente diversos projetos digitais cujos criadores são personalidades famosas, Charlie Lee – Litecoin, Vitalik Buterin – Ethereum, etc. Estas pessoas venderam alguma parte das suas moedas e contudo salvo alguns percalços, os projetos continuam a avançar e a evoluir. É interessante que Satoshi Nakamoto queira manter o anonimato e é normal que não queira as luzes da ribalta mas considerando a possibilidade de obter milhões de dólares talvez valesse a pena enfrentar os media.
Muitas teorias da conspiração sugerem que Satoshi não precisa do dinheiro mas pelos posts dele percebemos que nem sequer tinha um computador i5 ou um AMD em finais de 2010! Será que Satoshi teria um i7? Noutro post escreveu que ainda não tinha recebido dados e resultados obtidos com um i7.
As ações falam mais alto do que as palavras. Penso que existe um fator chave para Satoshi manter o anonimato. Um dos medos que continua presente desde a altura em que Satoshi desapareceu é a possibilidade dele vender todas as moedas que tem, de uma só vez. De certo que se o fizesse o preço ia cair pois tal como todos os ativos raros, sempre que o mercado é inundado por uma grande oferta cria-se um desequilíbrio entre oferta e procura. Além de que uma grande parte das pessoas utiliza a Bitcoin como uma espécie de ‘ouro’ para trade contra outras moedas. Basicamente se a Bitcoin estiver em dia sim, também o Ethereum e a maior parte das altcoins terá boa performance e vice-versa.
Muitos ‘experts‘ dos canais mediáticos que cobrem o mercado Cripto fazem títulos premonitórios (porque só querem o nosso bem) que se Satoshi vender as Bitcoins todas ao mesmo tempo, isso vai provocar um crash mortal no mercado onde tudo irá descer (dump) em tandem e as reações em cadeia resultarão em milhões de liquidações. Pessoalmente penso que são narrativas de FUD (medo, incerteza e dúvida) plantadas para produzir um determinado efeito num momento específico que faça as pessoas venderem para de seguida o mercado subir 20 ou 30%… O pão normal de todos os dias.
Logisticamente, mover aquelas bitcoins todas para diferentes exchanges e encontrar liquidez suficiente para uma venda total é extremamente difícil, quase impossível. Se Satoshi movesse um dedo para vender fosse o que fosse seria imediatamente identificado pelas empresas que rastreiam as transações nas blockchains.
Outra hipótese a considerar é uma possível fuga de Satoshi pois sabemos que foi lesto a abandonar a Bitcoin assim que rebentou o escândalo do Wikileaks. Poderia então ter perdido as moedas se algo fugisse ao seu controlo ou em direção oposta aos seus planos mas acho esta possibilidade improvável visto que num dos *posts *que fez no bitcointalk em resposta a um utilizador chamado VirtualCoin escreveu:
“Olá, se alguém perder a sua carteira devido a um problema no disco não poderá reaver as suas moedas. Certo? Então cada vez que uma pessoa perde moedas, elas estão perdidas para sempre? A Bitcoin ficará mais pequena com o passar do tempo? Pois haverá sempre pessoas que perdem as carteiras..”
VIRTUALCOIN
Satoshi respondeu:
“As moedas perdidas apenas fazem as moedas dos outros valerem um pouco mais. Pensa nisso como uma doação a toda a gente.”
SATOSHI NAKAMOTO
Se existe no mundo alguém que faz cópias de segurança das chaves privadas essa pessoa é Satoshi! Estamos perante um expert em criptografia que facilmente tem conhecimento para encriptar as suas chaves no seu computador. É mais provável que algo tenha acontecido a Satoshi e menos provável que tenha perdido acesso às suas bitcoins. Se assim for temos de considerar o paradeiro do seu Laptop, pois vale biliões de dólares. Outro dos argumentos para explicar que Satoshi não movimenta as suas bitcoins é a crença que terá criado a moeda sem qualquer interesse pessoal e sem qualquer egoísmo ou tentativa de enriquecimento. Eu penso que mais uma vez, é improvável. Muitos dos projetos open-source que existem hoje estão maioritariamente focados no benefício e interesse de outras partes.
Isso por si só sugere-nos que o objetivo de Satoshi era obter lucro. Nada a dizer! Obter lucro não tem nada de errado. Recompensar alguém pelo seu trabalho também não. Se Satoshi fosse totalmente desprovido de egoísmo, o mais certo era lermos algum post ou resposta onde dissesse que não tinha criado a Bitcoin pelo dinheiro, ou até mesmo que decidisse “queimar” as bitcoins antes de desaparecer. Não estou a tentar ser cínico mas isto é muito comum no universo cripto.
Pessoalmente acho improvável que alguém negue uma soma exorbitante de dinheiro e deixe todo o seu trabalho de anos para trás para beneficiar outras pessoas. Para mim isso não existe. Mas se por alguma razão acreditarmos que realmente o fez pela humanidade, porque não doar essas bitcoins a instituições de caridade em vez de as queimar? As chaves criptográficas podem ser escritas num papel e enviadas de forma anónima dentro de um envelope evitando qualquer contacto pessoal.
Resumindo e respondendo à questão principal da possibilidade de Satoshi algum dia vender as suas moedas: é extremamente improvável que o faça, mesmo olhando para o longo prazo e especulando que uma bitcoin possa chegar a valer 1 milhão de dólares. 85% das bitcoins já foram mineradas. Espera-se minerar a última por volta de 2140. Mesmo que Satoshi fosse a pessoa mais paciente do universo seria irracional esperar para as vender todas ao mesmo tempo. É um puzzle autêntico que não tenha vendido uma única bitcoin.
A saga de Dorian Nakamoto começa a partir do momento em que alguém faça uma pesquisa superficial na internet. O que costuma passar despercebido é a análise do que aconteceu no P2P Foundation ao mesmo tempo que Dorian explodia para o estrelato.
Dorian Satoshi Nakamoto de 64 anos, físico reformado, residente no Sul da Califórnia vivia a um ou dois quarteirões de Hal Finney chegando a ser o suspeito número um, muito por culpa do frenesi mediático que causou em Março desse ano.
hashtag #bitcoinchase
Os media tinham agora uma cara a quem associar a identidade do criador da Bitcoin, contudo Dorian percebia tanto de criptografia como eu percebo de escrita em inglês britânico. Mais esclarecedor é que esta história veio a lume depois de um mal entendido. A repórter questionou Dorian sobre a natureza do seu trabalho desde 2007 a 2009 e este respondeu que era classificado e que não poderia revelar qualquer informação. Mas Dorian ignorava o contexto em que a pergunta foi feita. A repórter referia-se ao seu envolvimento na Bitcoin.
“Já não estou envolvido nesse trabalho e não posso discuti-lo. Foi entregue a outras pessoas que estão agora na liderança. Eu já não tenho qualquer ligação”
DORIAN NAKAMOTO
https://www.theguardian.com/technology/2014/mar/07/satoshi-nakamoto-denies-inventing-bitcoin
Mais tarde Dorian fez algumas AMA’s no reedit onde revelou que estava a trabalhar para o Citibank. É interessante que estivesse ligado ao setor financeiro mas era impossível que contribuísse ou que estivesse ligado à Bitcoin porque além de não ter os conhecimentos necessários estava a trabalhar em projetos de uma entidade bancária.
Artigo de Abril de 2014: Dorian recebeu 47 bitcoins, cerca de 23 mil dólares (na altura) em donativos que serviram como um pedido de desculpa e como pagamento pelo incomodo que lhe causaram. Curiosamente vendeu as bitcoins que lhe foram doadas no máximo histórico e fez 10x. 🙂
6 DE MARÇO DE 2014
https://www.newsweek.com/2014/03/14/face-behind-bitcoin-247957.html
A mailing list dos Cypherpunks não foi o único local que Satoshi utilizou para divulgar a Bitcoin nos primeiros dias. Ele tinha outra conta no site da P2P Foundation que esteve inativa durante anos. A 7 de Março de 2014, um dia depois da publicação do artigo, Satoshi comenta um post de 11 de Fevereiro de 2009:
“Eu não sou o Dorian Nakamoto.”
SATOSHI NAKAMOTO
Na opinião geral a mensagem de Satoshi é falsa pois corriam rumores que a sua conta tinha sido comprometida. Eu não concordo.
8 DE SETEMBRO DE 2014
Theymos, um admin do bitcointalk escreve o seguinte:
“Hoje recebi um email de satoshi@gmx.com (o email antigo dele), o conteúdo quase me faz ter a certeza que a sua conta foi comprometida. O email não deverá ter sido ‘hackeado‘. É muito provável que, ou a conta de Satoshi em particular ou a gmx.com em geral foram comprometidas e estão agora sob controlo de outra pessoa. Talvez satoshi@gmx.com tenha expirado e alguém o registou. Não confiem em qualquer email enviado por satoshi@gmx.com a não ser que esteja assinado por Satoshi. (Claro que todos deviam ter feito isso, mesmo sem o meu aviso). Pergunto-me quando é que o email terá sido comprometido e se terá sido usado para fazer o post na p2pfoundation.ning.com”
THEYMOS
É interessante que a mensagem tenha surgido imediatamente a um post na P2PFoundation, ligado a uma conta diferente. Theymos refere isso mesmo editando a sua mensagem.
“EDIT: Eu estava a referir-me ao post que Satoshi fez sobre Dorian Nakamoto. Depois de ter publicado isto, surgiu um novo post na p2pfoundation.ning.com”
THEYMOS
O post referido por Theymos foi apagado da internet mas é possível encontrá-lo através da Waybackmachine.
“Querido Satoshi. A tua identidade, palavras-passe e endereço ip estão a ser vendidos na darknet. Aparentemente não configuraste o Tor convenientemente e o teu ip foi exposto quando utilizaste a tua conta de email algures em 2010. Não estás seguro. Tens de sair de onde estás tão depressa quanto possível antes que essas pessoas te façam mal. Obrigado por inventares a Bitcoin.”
HACKER DE SATOSHI
QUAL A INTENÇÃO DA MENSAGEM?
O hacker que comprometeu o email de Satoshi tinha um único motivo: extorquir 25 bitcoins. Mais tarde revelado no pastbin:
O serviço de email gmx.com que Satoshi usou, desativa as contas após um determinado período de inatividade. Como Satoshi deixou de usar o gmx.com em 2011, o hacker registou-o novamente. O post que o hacker fez na P2P a avisar Satoshi foi uma manobra para atrair a atenção e assim facilitar o esquema de extorsão. Contudo o hacker apenas recebeu 1.5 btc.
Os documentos a que o hacker teve acesso eram somente, uma encomenda online em que alguém utilizou o email de Satoshi deliberadamente para perpetuar um esquema que é típico na internet.
Além de partilhar as imagens na internet, o hacker foi ainda vandalizar o projeto Bitcoin na SourceForge utilizando o sistema de recuperação de palavras-passe. A 1ª foto mostra a data exata em que passou a controlar a conta de Satoshi na P2P Foundation: 8 de Setembro de 2014. Ampliando a imagem lê-se:
P2P Foundation Password Reset 9/8/14
Se a password foi alterada no dia 8 de Setembro de 2014 pelo hacker, então o post é efetivamente da autoria de Satoshi pois é datado de 7 de Março de 2014, ou seja 6 meses antes.
Satoshi não queria que Dorian, só por ter o mesmo nome de nascimento, fosse indevidamente identificado e responsabilizado pela criação da Bitcoin, uma vez que não estava envolvido no projeto. Isto revela empatia visto que os media continuavam a perturbar e a causar problemas a Dorian e também nos indica que de facto Satoshi observava os movimentos da Bitcoin a partir das sombras algures durante 2014. Esta poderá ter sido realmente a sua última interação na internet.
Acredito que há pessoas na comunidade cripto que sabem a verdadeira identidade de Satoshi Nakamoto. Encontrei pelo extenso caminho, pessoas que me forneceram pistas interessantes e com as quais gastei semanas obcecado com um nome. Por vezes parei para pensar se seria justo divulgar os resultados na internet. Passaram alguns meses até tomar uma decisão final que se baseou na minha crença que mesmo associando uma identidade a Satoshi Nakamoto, o mito está tão vivo que acaba por não fazer qualquer diferença.
John McAfee – infelizmente não pode responder aos tweets porque já não se encontra neste mundo. Quem está a cargo do perfil é a mulher Janice. John disse-me que sabia quem era Satoshi. Eu falei com ele sobre vários assuntos (música, ele tocava piano, Bill Gates, Epstein, Bitcoin, chapéus, líderes de países, vacinas do covid, etc). Na altura, John estava a trabalhar na sua exchange descentralizada e no token Ghost mas relativamente a Satoshi não adiantou muito mais do que uma pequena pista: “só podem ser duas pessoas!” e referiu-se às origens britânicas e à forma peculiar de escrita de Satoshi. A história de McAfee foi conturbada e não contribui para a sua credibilidade, além de que em 2017 atraía pessoas para investirem em tokens enquanto ele era pago por trás. Ainda assim conheci-o no final da sua vida e nessa altura difundia as suas opiniões em streams camuflado num qualquer lugar do Pacífico, que só ele sabia. Como não tinha nada a perder disse uma quantidade de verdades que o viriam a prejudicar, talvez por isso tenha sido morto (‘wacked‘) como dizia na tatuagem que fez para provar que nunca se iria suicidar.
Qualquer seguidor atento do universo ‘cripto‘ sente vergonha alheia por cada tentativa falhada de Craig Wright, o pai da BSV (Bitcoin Satoshi Vision) em provar que é Satoshi Nakamoto. Não foi o primeiro e não será por certo o último.
Concluímos que a mensagem de Satoshi no fórum da P2P Foundation a 7 de Março de 2014, no dia a seguir ao artigo da NewsWeek sobre Dorian Nakamoto, residente na Califórnia foi realmente escrita por Satoshi Nakamoto apesar de sabermos que a sua conta no fórum P2P foi comprometida. Procurámos a data em que o hacker tomou controlo da conta – 9/8/2014, ou seja, 6 meses após a mensagem de Satoshi. Concluímos também que essa mensagem foi a última interação *online *do criador da Bitcoin, contudo…
Há mais uma mensagem de outra conta de Satoshi, que nunca foi considerada falsa e que foi enviada no pico da discussão controversa sobre o tamanho limite dos blocos da Bitcoin (block size limit controversy). De forma geral, foi um debate sobre o aumento da capacidade da Bitcoin (scaling). Essa mensagem foi enviada por satoshi@vistomail.com.
O email comprometido: satoshi@gmx.com. Satoshi usava satoshi@vistomail.com quase exclusivamente para enviar mensagens na mailinglist da criptografia. É importante compreender o contexto dessa mensagem e aquilo que aconteceu em 2015 pois é crucial para isolar a razão pela qual Satoshi nunca revelou quem é.
https://www.metzdowd.com/pipermail/cryptography/2008-November/014815.html
Este episódio começa com a primeira resposta de James A. Donald a Satoshi, em referência à Bitcoin:
“Nós precisamos mesmo muito de um sistema como este, mas do que percebi sobre a tua proposta, não parece haver forma de ser dimensionado para o tamanho requerido”
JAMES A. DONALD
O problema ainda se mantém. Se já enviaste bitcoin provavelmente, percebeste que o processamento das transações está longe de ser instantâneo. Isso deve-se à necessidade dos mineradores (servidores) procederem ao registo e verificação das transações dentro dos blocos. Um bloco é como uma página de um livro que é adicionada à blockchain a cada ~10 minutos. Um dos sifões deve-se ao espaço ocupado pelas transações, que é limitado a 1 MB (megabyte) por bloco. A rede Bitcoin pode processar 7 transações por segundo.
Quando o número de utilizadores aumenta, mais transações terão ser verificadas e os mineradores só podem verificar uma determinada quantidade de cada vez o que limita a sua capacidade. As transações são mais lentas e o valor das taxas sobe. Satoshi adicionou este limite de 1 Mb em 2010 e não comunicou a ninguém pois pretendia prevenir o chamado ‘poison block attack‘, que na sua essência assegura a impossibilidade de um minerador criar um bloco gigante com 1 TB (por exemplo) forçando todos os outros mineradores a descarregar um ficheiro massivo que cause um ataque ddos (denial of service attack). Entretanto o atacante poderia minerar um bloco inteiro e alterar os balanços das transações.
Nota: o poison block attack era muito importante nesta altura visto que o valor da bitcoin não era significativo.
A discussão do tamanho do bloco causou uma divisão na comunidade em 2015. Satoshi tinha deixado instruções quando desapareceu. Ele escreveu que o limite do tamanho do bloco iria ser aumentado através de uma hard fork (um tipo de atualização em que as modificações são profundamente significativas e que origina uma moeda separada). Se a Bitcoin iria acomodar mais utilizadores então este problema teria de ser obrigatoriamente resolvido.
O dia em que a Bitcoin viveu uma guerra civil! Gavin Andresen, o homem a quem Satoshi delegou o destino da Bitcoin e Mike Hearn juntaram-se para resolver o problema do dimensionamento da Bitcoin. Em Junho de 2015 Gavin propôs o Bitcoin Improvement Protocol 101 (BIP-101), proposta para aumentar o limite máximo do bloco para 8 Mb, duplicando a cada dois anos. Isto se os mineradores chegassem a um consenso de 75% e atualizassem o seu software. Em caso de sucesso a Bitcoin XT iria substituir a Bitcoin como moeda principal. Várias pessoas concordavam que em determinado ponto no futuro iria ser necessário aumentar o limite do bloco e a razão era óbvia. Contudo o mais difícil é que todos os participantes concordem com determinada alteração, quando essa tem implicações importantes e quando existem outras propostas. A proposta de Gavin era muito popular apesar de não ser perfeita mas a maioria considerava que era a forma de resolver o problema do influxo de novos utilizadores.
Uma parte dos programadores era contra a proposta, particularmente uma entidade com fins lucrativos, envolvida no desenvolvimento da Bitcoin. Gavin expandiu a equipa da Bitcoin desde 2011 a 2014. Ao longo dos anos Gavin e a Bitcoin Foundation da qual era fundador estavam empenhados na regulamentação da Bitcoin e em recuperar a sua reputação, visto que o escândalo do Silk Road associou a rede a um passado criminoso. A Bitcoin Foundation recebeu nesse processo, diversas ameaças por operar um negócio de dinheiro não licenciado tendo testemunhado com sucesso contra os legisladores.
Satoshi abandonou o projeto imediatamente após a primeira intervenção do governo, em contraste, a Bitcoin Foundation agiu corretamente e marcou a sua posição fazendo diversas pressões sob os legisladores. Assim Gavin foi uma peça fundamental para o sucesso da criação de Satoshi.
Em Abril de 2014 Gavin deixou de ser o programador líder da Bitcoin para se focar no seu marketing. 6 meses depois de Gavin sair é fundada por um grupo de programadores do topo da hierarquia, a Blockstream (empresa com fins lucrativos). A proposta deles era basicamente, encorajar que as transações fossem tratadas fora da blockchain principal – offchain. Sugeriram também que a Blockstream recebia as taxas em vez dos mineradores. Esta proposta recebeu vários tipos de feedback e contudo seria ingénuo da nossa parte pensar que a Bitcoin não ia sofrer alterações depois das injeções de capital dos VCs.
Se Gavin tivesse conseguido obter a aprovação de 75% dos mineradores não existiriam hoje ‘side chains’, a tal solução de tratar as transações fora da rede Bitcoin proposta pela Blockstream. Nesse caso os investidores dessa empresa talvez ficassem um pouquinho de nada desagradados… Isto era um golpe às pretensões da *Blockstream pois além de tornar os blocos maiores daria novamente o controlo da Bitcoin a Gavin e a Mike Hearn. Além do mais Mike era o único com acesso a atualizar o código fonte nos repositórios da Bitcoin XT.
Abaixo pode ler-se a declaração do CEO da Blockstream após ser questionado sobre o futuro da governação da Bitcoin, caso a fork na rede avançasse e fizesse da Bitcoin XT a blockchain dominante, o que por consequência, iria estabelecer uma nova equipa de ‘core developers‘ formada essencialmente por Gavin e Mike Hearn, sendo que apenas eles ficariam com a custódia do código fonte.
Adam Back (adam3us) escreveu:
“O Gavin, inocentemente, pensa que vai conseguir dar o golpe impondo a sua ideia, para de seguida convidar as pessoas a participar. Contudo Mike informa no site da Bitcoin XT que é o decisor final ou o ditador benevolente como ele próprio diz. Fica claro que a sua intenção é alterar o processo de tomada de decisão e Mike não tem um passado sem controvérsia e imparcialidade. Parece pouco provável, tendo em conta aquilo que vejo, que os ‘core developers‘ que mantêm a segurança da Bitcoin, participem na Bitcoin XT. Não é, portanto, claro que a Bitcoin XT venha a ter todos os recursos e os ‘experts‘ necessários para manter a sua segurança e proteção.”
ADAM BACK
Nos meses anteriores à publicação da sua proposta, Gavin tentava aumentar o tamanho limite do bloco. O CEO da Blockstream, Adam Back parecia concordar com Gavin contudo, para ele era necessário que a proposta passasse por um processo de consenso. Entretanto a Blockstream deixou as coisas em lume brando e não contactaram novamente Gavin pois já sabiam que a proposta nunca ia passar.
Dos 5 programadores principais com autoridade para ‘commit‘ (atualização do código fonte nos repositórios), dois dos membros são cofundadores da blockstream .
Gavin Andresen – MIT DCS – Sem fins Lucrativos
Peter Wuille – Blockstream
Jeff Garzik – Bitpay
Wvladdimir – MIT DSC (perderia a liderança do projeto na hard fork)
Gregory Maxwell – Blockstream
Basicamente estavam a entreter Gavin Anderson e a ganhar tempo para trabalhar na sua solução de sidechains como poderão ler no log. Download do chat log (fonte: paste bin)
Mike Hearn intervém e declara que ouviu vários investidores referirem que a Blockstream tinha poder suficiente para bloquear qualquer tipo de alterações ou modificações na rede Bitcoin. Gavin menciona que a conversa seria mais fácil se todos assumissem as suas melhores intenções mas afirma que a Bitcoin está sob controle de um conselho de velhos, apesar da larga maioria estar de acordo com o aumento do limite do bloco. Encorajo-vos a ler o log para entenderem melhor a razão pela qual Gavin Andresen queria dar o ‘golpe’. Verdade seja dita, as duas partes desejavam controlar a Bitcoin! De qualquer forma, o controlo exercido por Gavin parece-me hoje, menos nocivo e demonstra melhores intenções pelas razões anteriormente explicadas. Talvez tivesse sido o tal ditador benevolente…
Theymos – **REMOVED!**Em 2015 a Bitcoin era um sucesso e os medos da sua legalidade pertenciam ao passado.
Nesta altura era fundamental que o foco estivesse no dimensionamento da Bitcoin para que pudesse acomodar um crescente influxo de utilizadores desejosos de transacionar, enviar e receber dinheiro. Satoshi tinha originalmente planeado fazer uma ‘hard fork‘ que iria gerar uma nova moeda com um tamanho de bloco maior que 1 Mb. Entretanto um grupo de programadores financiado por investidores de capital de risco planeia gerar maiores lucros mantendo o tamanho do bloco tal como estava – pequeno. Gavin eventualmente apercebe-se do plano e cria a proposta BIP101 para voltar a ter o controlo da Bitcoin. Mas para isso Gavin necessitaria de 75% dos mineradores a seu lado e esses teriam de correr a nova versão do software. Finalmente o CEO da Blockstream faz uma thread subtil sobre a segurança da Bitcoin XT.
Depois de Gavin propor a BIP 101 havia um senso de urgência para atualizar a Bitcoin e ninguém queria ser deixado para trás. Os mineradores teriam que votar com consciência e por isso queriam estar bem informados. Naturalmente teve de ser criado um grupo de discussão para receber as atualizações mais recentes que fosse mais moderno e melhor que o bitcointalkforum. Assim nasceu no reedit.com o r/bitcoin.
As coisas estavam encaminhadas para uma votação participativa, contudo os moderadores do r/bitcoin começam inesperadamente a banir todas as discussões sobre a Bitcoin XT. Não é preciso ser um génio para perceber imediatamente qual foi a intenção dessas pessoas. Supostamente alguém que tem de se informar para tomar uma decisão crucial necessita de participar na discussão do tema, mas as pessoas foram silenciadas.
O bitcointalkforum e o r/bitcoin eram os únicos locais de discussão com visitas frequentes e com volume razoável de participações e ambos eram propriedade da mesma pessoa “Theymos”. Não sabemos se Theymos estaria associado financeiramente à Blockstream. Uma vez que a votação tinha um *timing *específico era quase impossível que os participantes banidos criassem uma nova comunidade de discussão para alterar o destino da Bitcoin.
Considerando os factos anteriores concluímos que a votação foi forçada e imposta à comunidade. Mais, existiam pessoas na folha de pagamentos da Blockstream com interesses obscuros e que escreveram coisas como:
“Manipular a opinião pública não é censura”
Theymos é uma das pessoas mais anti censura que conheço”
“Não estou a par de qualquer evidência de censura dentro do r/bitcoin”
“A forma como faço a gestão do r/Bitcoin é consistente com a propriedade pessoal. r/Bitcoin é um site privado e centralizado. Sou livre de o gerir como quero. Não tenho qualquer obrigação ética de permitir total liberdade de discurso apenas porque acredito na propriedade pessoal. E todos são livres de me tentar convencer do contrário ou sair. Isto não me dá qualquer controlo inerente à Bitcoin, exceto a capacidade que tenho para o fazer.”
THEYMOS
https://www.reddit.com/r/btc/comments/3l6onm/theymos_i_know_how_moderation_affects_people/
Na lista de pérolas de Theymos lê-se ainda na primeira frase da imagem acima:
“Isto está de acordo com os meus princípios. Para mim a liberdade de discurso não é um axioma ético…”
THEYMOS
Estas declarações são tão surreais que até duvidei que a conversa tivesse de facto existido. Não fosse tratar-se de algum tipo de manipulação com o intuito de descredibilizar Theymos… visto que a sua opinião era totalmente oposta antes da fundação da Blockstream.
No segundo parágrafo, Theymos gira 180º desculpando-se da atitude e da falta de diplomacia que revelou, mostrando maior coerência com as ideias que inicialmente partilhava no fórum da comunidade Bitcoin. Nas suas próprias palavras, em 2013, e antes da Blockstream aparecer em cena:
“As discussões livres e abertas deste fórum, ajudam as pessoas e a comunidade Bitcoin a encontrar a verdade. Todos têm conhecimento e sabedoria para contribuir para uma discussão e todos aqueles que leem essa discussão e daí retiram conhecimento ficam mais perto da verdade. E isto é muito mais efetivo do que ter meia dúzia de moderadores a ditar verdades ou do que ir a votos por um eleitorado.”
THEYMOS
O CEO da Blockstream, Adam Back admitiu posteriormente que Theymos censurou o r/bitcoin mas por uma boa razão. Na sua opinião teria existido manipulação nos votos chegando a apresentar um relatório de prova. Contudo foi extremamente conveniente que os dados apurados tenham sido apresentados pelo pseudónimo u/BashCo que participou na própria ação de censura do r/bitcoin. Ainda para mais, o relatório baseou-se numa amostra recolhida seis meses após a data do evento. Vale o que vale, se conhecem o sistema de ‘upvotes’ do reedit compreendem a real dificuldade em avaliar essas métricas. A maior parte dos votos negativos foram atribuídos às pessoas mais odiadas, as mesmas que censuraram a comunidade. É hilariante que BashCo tenha publicado estes dados pois ele próprio admitiu que existiu censura, meses antes.
“Mais especificamente, eu sou a favor do consenso. Infelizmente as tentativas de moderar os tópicos da Bitcoin XT baseadas na falta de consenso escalaram para a censura. No caso de isso vos interessar, fiz 10 ações de moderação nas últimas 24 horas, as quais consistiram em 5 aprovações e 5 remoções”
BASHCO
Em 2011, Theymos anunciou que necessitava de donativos para melhorar e desenvolver o website bitcointalkforum.
Acima as 26.425 bitcoins que Theymos recebeu em donativos. Passaram dois anos e poucas ou nenhumas alterações ao website e as pessoas começaram a fazer perguntas inconfortáveis. Theymos respondeu que planeava o desenvolvimento de um novo software para implementar no website. Em vez de pedir a participação da ‘sua’ comunidade de programadores de código livre, resolve contratar um estúdio completamente desconhecido chamado “SLICKAGE” ao qual pagou 100 mil dólares por mês.
https://forum.bitcoin.com/bitcoin-discussion/follow-the-stream-of-money-t11115.html
As instalações do estúdio contratado por Theymos 🙂 A forma como uma empresa deste nível consegue um cliente que vale 100K por mês é um mistério.
Dentro dos documentos técnicos no GitHub (a plataforma standard de desenvolvimento para programadores) da Slickage foi encontrado o nome de uma pessoa que era Gestor Técnico de Programação na Blockstream:
Warren Togami warren@slickage.com
Isto prova que Warren trabalhava também na empresa que Theymos contratou.
Os programadores podem ter múltiplos projetos em simultâneo, é perfeitamente normal e tal não significa que haja conflito de interesses. Mas a Slickage foi contratada apenas porque Warren Togami ajudava habitualmente Theymos no bitcointalkforum. Ainda para mais a Slickage declarava números muito aquém dos 100 mil dólares por mês, contudo continuou como fornecedora de software do site. Estamos em 2020 e toda a gente ainda usa o fórum antigo. Parece-me lógico…
Tanto Warren como Theymos negaram conflito de interesses e alegaram que as evidências não eram mais que uma teoria da conspiração que acusava a Blockstream de usurpar o código fonte da Bitcoin. Mas quando vos disser quem é SATOSHI NAKAMOTO vão entender finalmente o que se passa aqui.
Em 15 de Agosto de 2015 Mike Hearn escreveu na Bitcoin mailing list:
“Olá, tal como prometido publicámos a Bitcoin XT, que inclui o patch para o aumento do tamanho dos blocos. Podem descarregar aqui. Tenho pena que tenha chegado a isto mas não há outra forma. O projeto do código fonte da Bitcoin desviou-se tanto dos seus princípios mais importantes, que eu e mais algumas pessoas, sentimos que uma fork é a única maneira de resolver as coisas”
MIKE HEARN
O lançamento da Bitcoin XT teve um sucesso moderado apesar de uma das partes ter tido absoluto controlo sobre a discussão, surgiram muitos ‘nodes‘ a correr o software. Entretanto nos fóruns haviam pessoas a pedir a saída de Theymos e de um par de outros moderadores devido à monopolização e à censura dessa discussão. Este evento que tornou tão popular o r/bitcoin dividiu a comunidade até aos dias de hoje. Apesar desse sub reedit ser atualmente utilizado para a Bitcoin Cash, foi criado para discutir a Bitcoin (sem censura).
40 minutos depois da mensagem de Mike Hearn sobre a Bitcoin XT, Satoshi iria responder-lhe:
“Tenho seguido o recente debate acerca do tamanho dos blocos pela mailing list. Eu esperava que chegassem a um entendimento e que a proposta da fork tivesse tido um consenso abrangente, contudo com a publicação formal da Bitcoin XT 0.11A, isto parece-me improvável e assim serei forçado a partilhar as minhas preocupações acerca desta perigosa fork“.
SATOSHI NAKAMOTO
“Os programadores desta falsa Bitcoin alegam que têm seguido a minha visão original mas nada pode estar mais longe da verdade. Quando criei a Bitcoin, desenhei-a de maneira a dificultar a implementação de futuras modificações às regras de consensos se não existisse uma decisão quase unanime.
A Bitcoin foi desenhada para ser protegida da influência de lideres carismáticos, mesmo que se chamem Gavin Andresen, Barack Obama ou Satoshi Nakamoto. Quase todos deveriam concordar com a alteração sem serem forçados ou pressionados. Fazendo a fork desta forma, esses programadores estão a violar a visão original que dizem honrar.
Utilizam os meus documentos antigos para fazer alegações acerca do que é suposto a Bitcoin ser. Contudo concordo que muita coisa tenha mudado desde esse tempo pois novos conhecimentos foram surgindo, os quais contradizem algumas das minhas opiniões antigas. Por exemplo, eu não tinha antecipado a mineração em ‘pools‘ e os seus efeitos na segurança da rede. Fazer da Bitcoin um sistema financeiro competitivo preservando as suas propriedades de segurança não é um problema trivial e nós devíamos pensar melhor numa solução mais robusta. Suspeito que precisamos de incentivar melhor os utilizadores para que corram ‘nodes‘ em vez de confiar no seu altruísmo. Se dois programadores conseguirem fazer uma fork à Bitcoin e obtiverem sucesso em redefinir aquilo que a Bitcoin é, mesmo enfrentando inúmeras criticas técnicas e utilizando táticas populistas, então não tenho outra escolha que não seja declarar a Bitcoin como um projeto falhado. Era suposto a Bitcoin ser tecnicamente e socialmente robusta ao mesmo tempo. Esta presente situação tem sido muito dececionante de assistir”.
SATOSHI NAKAMOTO
A seguir a esta mensagem surge uma thread que dava conta de um ataque aos nós da Bitcoin XT que iam ficando offline e sem a possibilidade de votar. A Bitcoin XT deveria ter atingido consenso em 1 de Janeiro de 2016. Entre Agosto e Dezembro de 2015 existiram duas conferências separadas em nome do dimensionamento da Bitcoin.
Nota: 2015 foi o único ano em que se realizaram duas conferências.
A Bitcoin XT não conseguiu obter 75% de consenso e em 28 de Janeiro de 2016 o patch (atualização da rede) foi revertido.
Fica claro que o Bitcoin ‘core‘ não jogou pelas mesmas regras. Isto foi uma luta pelo poder dentro da comunidade uma vez que os apoiantes da Bitcoin XT foram expulsos do Bitcoin ‘core‘. A Coinbase, que era a favor da Bitcoin XT, foi removida do site bitcoin.org
Como afirmei anteriormente é mais provável que toda a gente dentro do Bitcoin ‘core‘ saiba quem é Satoshi Nakamoto. A razão pela qual mantêm o silencio deverá ter sido a imposição de NDAs (acordo de não divulgação).
Gavin declara publicamente que acredita que Craig Wright é Satoshi e que os dois se encontraram em Londres. Gavin afirma que Craig cumpre os requisitos do que ele considera ser um fato à medida de Satoshi. Craig teria supostamente, de acordo com as palavras de Gavin, fornecido provas suficientes ao revelar que tinha em seu poder a chave privada do 1º Bloco.
Mais tarde Gavin admitiu que teria sido, possivelmente enganado por Craig Wright. Não acredito que Gavin realmente estivesse convencido que Craig era Satoshi. Craig é bem conhecido por ser a favor do aumento do limite dos blocos. Faz mais sentido que Gavin tenha nomeado outra pessoa porque ele necessitava de ganhar o apoio da comunidade.
Se o Bitcoin ‘core’ não soubesse quem é Satoshi então porque razão revogaram o acesso de Gavin aos repositórios assim que nomeou Craig como Satoshi?
A remoção do acesso de Gavin foi sustentada num suposto ‘hack‘ à sua conta pessoal. É quase como se negassem propositadamente as evidências porque já sabiam quem é Satoshi. Gavin entretanto comenta no reedit que foi enganado por Craig depois de alguém insinuar que ele estava em posse de mais informações que não divulgava.
“Eu não vou violar a privacidade de ninguém ou repetir coisas que me disseram sob um NDA, assim estou encravado–Não vou dizer nada mais, exceto que suspeito que algum dia a história completa vai sair cá para fora (e dela será feito um filme).”
GAVIN ANDRESEN
Estou convencido que a mensagem de Satoshi sobre o debate do tamanho dos blocos é 100% verdade, apesar do ceticismo presente na comunidade nessa altura. O email utilizado para escrever a mensagem estava alojado nos servidores do vistomail e nunca foi comprometido. O dono do domínio foi alterado somente em 2021.
ANÁLISE DA MENSAGEM
Notem o duplo espaço a seguir ao ponto. Notem os termos em inglês britânico:
“… original vision they claim to honour.”
O objetivo desta mensagem foi exercer influência sobre as pessoas. A partir do momento em que a Bitcoin XT falhou deixou de haver motivo para lhe dar seguimento.
Satoshi Nakamoto é contra o aumento do limite dos blocos no dia de hoje.
O nosso candidato satisfaz todas as características e detalhes necessários. Apesar de se ouvir por aí que Satoshi Nakamoto é um grupo, o governo ou a CIA não há provas suficientes, nem dados específicos e tal não passam de afirmações especulativas.
Na parte II deste artigo vimos que talvez fosse uma possibilidade, Satoshi ter intencionalmente tentado enganar-nos a cada oportunidade com a finalidade de manter o anonimato. Ou pelo menos fazer-nos desacreditar da validade encontrada nas suas características únicas e no seu estilo. Mas ao que parece, ele não foi tão longe quanto pensámos.
QUE REFERENCIAS ENCONTRAMOS NO WHITEPAPER DA BITCOIN?
Existem duas ideias fundamentais e distintas infundidas na criação da Bitcoin, apesar de inúmeras referências a documentos sobre criptografia aplicada e outros tantos sobre os vários aspetos do projeto. A principal inspiração foi a proposta B-Money que sublinhava as principais ideias de um registo digital descentralizado igual a uma blockchain. O segundo componente foi o sistema de consensos POW, utilizado hoje na mineração e verificação das transações da Bitcoin, também conhecido por HashCash.
A pessoa que inventou o HashCash chama-se ADAM BACK, CEO da Blockstream (à qual atribuímos uma grande parte do artigo, dada a sua relevância durante 2015), no entanto, menos conhecido por SATOSHI NAKAMOTO.
https://gwern.net/doc/bitcoin/2008-nakamoto#section
“Fiquei bastante interessado em ler a tua página sobre o B-Money. Estou pronto a publicar um documento que expande as tuas ideias num sistema completo e funcional. Adam Back (hashcash.org) notou a semelhança e direcionou-me ao teu site“.
SATOSHI NAKAMOTO
Satoshi queria saber a data da publicação do B-Money de Wei Dai para a incluir como referência no whitepaper. Este email implica que Satoshi enviou também uma mensagem a Adam Back:
“Adam Back (Hash Cash) notou as semelhanças…”
SATOSHI NAKAMOTO
Mas o que é interessante é que Satoshi, supostamente se correspondeu com Adam contudo não há qualquer evidência. Hoje temos acesso à totalidade da correspondência de Satoshi e de basicamente todos os outros envolvidos no projeto.
Quando questionado sobre isso Adam Back deu uma espécie de desculpa afirmando que se tivesse qualquer tipo de prova que pudesse ajudar a deduzir a identidade de Satoshi, simplesmente iria eliminá-la.
De qualquer forma estranho esta posição de Adam Back. Alguém que pretende proteger Satoshi talvez não fizesse certos tipos de intervenções quando um criminoso como Paul Le Roux que obviamente não é Satoshi aparece numa notícia em letras gordas publicada pela WIRED cujo único propósito é espalhar desinformação.
Another speculative Satoshi candidate, research inconclusive. But breaking-bad former programmer (E4M, TrueCrypt precursor) turned international crime kingpin Paul Le Roux, currently in custody (and reportedly collaborating with DEA). At least he can code, and wrote crypto code. https://t.co/cdvSqOZZ4v
— Adam Back (@adam3us) July 21, 2019
Voltando aos emails entre Satoshis fiquei convencido que nunca existiram. No dia que o B-Money foi anunciado ninguém falou muito disso e não teve projeção digna de registo. Contam-se 9 discussões na mailinglist de criptografia e duas são a reportar uma ligação que não funcionava.
Este documento era tão obscuro que a única pessoa que realmente escreveu alguma coisa acerca dele foi Adam Back. Wei Dai foi o seu autor mas Adam Back copiou o documento da cryptograpy mailinglist e foi pedir feedback. Link para a mensagem.
“O B-Money parece ser um sistema de dinheiro eletrónico similar ao hascash, onde o registo é aberto e distribuído. O anonimato é garantido pelo uso de pseudónimos. O Hashcash pode ser a potencial função para a mineração descentralizada de Wei: para criar valor queima tempo de CPU, tal como o hashcash, mas o registo aberto e descentralizado de Wei permite a troca de valor entre pseudónimos”.
ADAM BACK
Temos portanto uma referência direta em que Adam afirma que o B-Money seria um candidato para o Hashcash, mencionando ainda a forma como o uso de pseudónimos garantia o anonimato das identidades dos utilizadores. Em toda a discussão sobre o B-Money, incluindo as mailing lists não se encontram muitas pessoas que gostem da ideia.
http://www.cypherspace.org/adam/
Eu diria que tinha e tem. Adam é o candidato perfeito para construir um sistema descentralizado tal como a Bitcoin, pois é PhD em Sistemas Distribuídos de Computação (Doctor of Philosophy, é o grau máximo que se pode atribuir em determinadas disciplinas académicas).
A linguagem de programação da Bitcoin é C++, Adam Back é proficiente em C++.Satoshi Nakamoto é um inventor que criou uma nova tecnologia. Os inventores registam patentes. Adam Back registou múltiplas patentes por ano até Abril de 2005, desaparecendo até Março de 2010, 1 ano depois da publicação da Bitcoin
Procurei nas mailinglists associadas ao seu email e ele esteve inativo desde 2007 até 2010. Também não escreveu qualquer documento académico nessa altura. De acordo com Adam, Satoshi enviou-lhe o software assim que o publicou mas este não lhe deu qualquer atenção e não minerou qualquer bitcoin.
“Se tal como Hal Finney, eu tivesse tentado correr o minerador no passado, também poderia estar sentado em cima de algumas das moedas da génese”.
ADAM BACK
Adam Back nunca forneceu qualquer prova que Satoshi lhe tivesse enviado o software. Talvez Adam já não se interessasse mais por sistemas de pagamento anónimos… afinal de contas esse seu interesse foi apenas na altura do B-Money e do Hashcash, algures em 1998.
Na mesma altura em que Satoshi começou a desenvolver a Bitcoin, a página de Adam Back na wikipedia (verificado via waybackmachine) foi atualizada e sabemos que fez uma revisão em 4 de Abril de 2007 onde acrescentou que tinha interesse em tecnologias de privacidade e dinheiro eletrónico. Ou seja, deu-se ao trabalho de atualizar a sua página no mesmo ano em que Satoshi começou a Bitcoin mas mostrou desinteresse total no *software *de Satoshi, o qual se inseria na temática preferida da sua vida. Estranho, até porque Adam Back teria finalmente acesso a um programa completo e pronto a executar algo que ele quis fazer em 1998. E Adam nem sequer foi espreitar o código! Talvez fosse uma pessoa tão ocupada que não dispunha de 5 minutos para dedicar ao Bitcoin Core.
Adam tal como Satoshi utiliza “cheques“, “analyse“, “favour“, “honour“, “organise“, “bloody difficult“, “behaviour” e sempre que possível coloca duplo espaço a seguir ao ponto final.
Esqueci-me de dizer que Adam Back é britânico?
Lembram-se da mensagem política de Satoshi dentro do bloco de génese? Aquela que refere o título do “The Times” (Jornal britânico)? Adam Back é famoso por deixar mensagens políticas dentro do seu código e também cresceu em Londres, a primeira cidade onde o The Times é distribuído. Webdesign não era a especialidade de Satoshi e por isso Marti Malmi (@martimalmi) ajudou-o a criar os sites.
https://web.archive.org/web/20090309175840/bitcoin.org/byzantine.html
Numa visita ao website da Bitcoin.org/byzantine.html, via waybackmachine que graças à internet ainda existe, vemos que é incrivelmente minimalista tal como o website pessoal de Adam Back na cyberspace.org. Os dois são muito similares na sua disposição. Mas Satoshi também pediu ajuda a de Hal Finney em relação ao código da Bitcoin… e Adam Back fez o mesmo 🙂
Existe um espaço temporal grande na pegada digital de Adam Back como já vimos atrás. Mas ele reapareceu no twitter em 2010. Também se tornou residente da ilha de Malta, um dos principais locais onde alguém que vai receber uma grande soma se pode radicar para não ter grandes problemas com contribuições fiscais altas. Lembram-se quando Satoshi pediu ao Wikileaks para não usar a Bitcoin?
Adam Back voltaria então ao twitter para publicar cerca de 20 mil tweets maioritariamente direcionados à discussão do caso Wikileaks. Em 2012 começou a atualizar artigos da wikipedia sobre a Bitcoin, fornecendo pontos de vista detalhados acerca da sua história e revelando um extenso interesse pelo tema. Contudo Adam Back não esteve envolvido na Bitcoin até Abril de 2013. Isto vem de alguém que afirma não ter minerado uma única bitcoin 🙂
É portanto incrível que o propósito de existência da Blockstream, da qual Adam é CEO, seja contratar pessoas para desenvolver a Bitcoin. Adam recebeu mais de 1 milhão em financiamento mas nunca entregou uma única linha de código.
Como é que os investidores saberiam que ele tinha as qualificações necessárias para continuar o desenvolvimento da Bitcoin? Ou são os piores investidores que existem, o que é improvável pois contam-se nomes como a AXA, Mastercard, etc ou ele é Satoshi Nakamoto.
Adam3us regista-se no bitcointalk em 17 de Abril de 2013. O dia exato em que é publicado um artigo sobre a fortuna de Satoshi Nakamoto.
Ou seja junta-se no dia específico em que toda a gente fica saber os números da fortuna de Satoshi Nakamoto. E faz o primeiro post onde apesar de dizer que é um newbie (novato) passa a ideia totalmente oposta. Parecia um verdadeiro patrão!
Ele não tem qualquer progressão natural com a comunidade. Simplesmente aparece do nada e diz aos outros para alterarem e corrigirem alguns artigos na Bitcoin wiki. Dias mais tarde alguém acabaria por acrescentar uma ligação a um post sobre a fortuna de Satoshi, ao qual Adam foi reagir:
“Isso é talvez um erro infeliz na privacidade. Por coincidência pensei nisso e resolvi várias situações potencialmente semelhantes no Hashcash.
Para Satoshi – talvez ele possa encontrar um comprador privado por intermédio de um advogado e pelos serviços bancários Suíços”.
Ou talvez sejamos forçados a implementar “zerocoin” para o proteger. 🙂 De qualquer forma não se preocupem – ele provavelmente pode sobreviver com uns poucos milhões em dinheiro fictício do seu tesouro de mineração que acumulou depois de corrigir o erro de privacidade até que se encontre uma solução no seu post. (Por falar nisso, quando foi corrigido esse erro? Não consigo ver nesses gráficos de baixa resolução).
E provavelmente ele está a juntar essas bitcoins para as vender na altura em que valerem 10 mil dólares cada uma”.
ADAM BACK
Nota: Zerocoin - Extensão criptográfica da Bitcoin que aumenta o protocolo para permitir o uso de transações totalmente anónimas.
É interessante que Adam Back consiga deduzir que Satoshi tenha um tesouro de moedas separado, mas também referir-se à correção do erro na mensagem acima é incrivelmente obscuro. Como é que ele podia saber desse erro, se o mesmo nunca foi incluído no relatório de atualizações (change log) da Bitcoin em 2010. Ainda para mais adam3us estava registado no fórum há 2 dias. O facto de também mencionar os serviços bancários Suíços que são confidenciais pode explicar a razão pela qual a Blockstream se virou para a hipótese do tamanho limite dos blocos ser mantido em 1Mb. Nunca saberemos. Tanto Adam Back como a Blockstream não são transparentes quanto a revelar as suas intenções financeiras.
Mais tarde Adam Back respondeu ao autor do artigo sobre a fortuna de Satoshi.
“Pergunta para o autor do blog – quando é que esse erro foi corrigido? Que porção dos $130M é que ele gastou(converteu em dinheiro). Apenas e só curiosidade. E suponho que aches que estás tão perto de descobrir que tenhas de parar em nome dos interesses de Nakamoto”.
ADAM BACK
Que fique claro que Satoshi merece ter o controlo do seu projeto e também merece a fortuna que tem. O que se pode concluir é que a Bitcoin deixou de ser um projeto comunitário há muito tempo. Tentar passar a ideia que Satoshi só quer viver a sua vida privada sem ter de se esconder dos governos é uma mentira conveniente. Alegar que a sua privacidade tem de ser secreta só porque podem ir atrás dele ou das suas moedas continua a não fazer sentido. Todas os outros projetos têm alguém que dá a cara sem qualquer problema. Este é também o fator diferenciador da Bitcoin que a separa de todas as outras blockchains, as quais se dizem descentralizadas mas cujas Fundações e Entidades controlam o protocolo de uma forma ou de outra. Aqui tentou-se passar a ideia que por ser muito rico Satoshi tem de se esconder mas Adam dá conferencias públicas e tem 150.000 seguidores no Twitter, além de que é o relações publicas no seu negócio.
Adam disse-a nesta entrevista:
Resumindo a entrevista de Adam (Satoshi): Não existindo ninguém a quem atribuir a responsabilidade da criação da Bitcoin ela torna-se mais resiliente a qualquer alteração e tem mais possibilidades de vir a ser considerada uma ‘commodity‘ – matéria prima tal como o ouro ou cobre, algo de valioso ou útil como a água.
Não deixa de ser irónico considerando a censura que existiu e a manipulação óbvia. Em 2015, toda a comunidade era a favor de aumentar o tamanho dos blocos mas a Blockstream e alguns programadores forçaram o tamanho de bloco reduzido. Um projeto cujo principal motivo de criação era resistir à censura falhou exatamente no ponto crucial. Para finalizar Satoshi pressionou a comunidade quando admitiu que todos teriam de concordar com as alterações. Ainda hoje o r/bitcoin é censurado, qualquer crítica à Bitcoin segue direta à reciclagem.
Esquece o facto de que a maioria dos projetos existentes já resolveram os seus problemas e se tu não tiveres uma fé inabalável na Bitcoin, Satoshi não te virá salvar do maléfico sistema bancário.
Deus proíba que a comunidade queira que o seu próprio projeto comunitário seja desenvolvido e orientado para os interesses dela própria!
O problema é que existiu conflito de interesses. Uma identidade anónima tem de agradar a dois tipos de investidores : aqueles que investem em Bitcoin e que querem ter sucesso a longo prazo e aqueles que investem na Blockstream e que querem obter lucros tratando das transações fora da rede principal (LN, entre outras).
Sabemos que temos um culto nas mãos quando as mesmas pessoas que eram obcecadas com descentralização são agora a favor e contribuem para o sucesso da rede alternativa e centralizada da Blockstream. E esta situação tem sido dececionante!
BÓNUS TRACK:
Decoding Satoshi Nakamoto by Rees Clancy
Há cerca de 2 semanas o utilizador casinotester0001 do bitcointalkforum fez um post com a seguinte pergunta:
“Eu quero saber se as primeiras pessoas a minerar Bitcoin ainda estão aqui. Se quiserem podem colocar uma assinatura para o texto “bitcointalk” com a chave mais antiga para que possamos verificar quem tem/tinha a Bitcoin minerada mais antiga. Mesmo quando as moedas foram enviadas (endereço vazio), podem incluir a assinatura para esse endereço.”
CASINOTESTE0001
O utilizador com o nome OneSignature (registado no fórum em 26 de Novembro de 2022) responde nesse próprio dia:
“Esta é a assinatura mais antiga (por favor partilhem a vossa assinatura se for de um endereço mais antigo)”
ONESIGNATURE
-----BEGIN BITCOIN SIGNED MESSAGE----- 1E9YwDtYf9R29ekNAfbV7MvB4LNv7v3fGa -----BEGIN SIGNATURE----- 1NChfewU45oy7Dgn51HwkBFSixaTnyakfjHCsBcgB+Wcm8kOGMH8IpNeg0H4gjCrlqwDf/GlSXphZGBYxm0QkKEPhh9DTJRp2IDNUhVr0FhP9qCqo2W0recNM= -----END BITCOIN SIGNED MESSAGE-----
Esta mensagem confirma que o utilizador é proprietário do endereço. O saldo é de 0 BTC. As transações confirmam que o endereço minerou um bloco com 50 bitcoins em 19 de Janeiro de 2009.
Esta transação foi feita na semana posterior à famosa transação de Satoshi para Hal Finney. Contudo já sabemos que Hal Finney não é Satoshi, até porque já não está entre nós e não poderia ter assinado uma mensagem em 2022.
4ff149267a5b1e55e3d90a5a5b451dd6d3c2c82b26b96a599dda0ed5585f1f3d_pt_usd
Verificação da validade da assinatura em dois sites https://www.bitcoin.com/tools/verify-message/ https://www.verifybitcoinmessage.com/
RESULTADO: ASSINATURA VÁLIDA
Isto vem reforçar que Satoshi está vivo. OneSignature está presente no twitter e foi criado em Outubro de 2009.
Sauces:🙂
https://www.bitcoin.com/satoshi-archive/
https://bitcointalk.org/Breve História da Censura da Bitcoin
Recentemente a NSA revelou um documento de 1996 com os procedimentos para criar dinheiro eletrónico.
https://satoshihunter1.blogspot.com/2021/12/exposing-satoshi-nakamoto-founder-of.html
Uma grande pesquisa que a meu ver é a cereja no topo do bolo.
