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Eu tinha uma bicicleta azul que eu gostava muito. Ela era da Monark e não da Caloi como eu especificamente orientei os meus pais. Ela era de um tom azul claro e tinha um adesivo verde claro. Eu usei ela por uns cinco ou seis anos. Como eu era novo eu não podia ir muito longe com ela, então eu ficava dando voltas e voltas na quadra. Qualquer buraco novo na rua era mais diversão. As vezes eu só virava ela de ponta cabeça e ficava girando o pedal como se fosse uma manivela. As vezes só ficava montado nela conversando na rua. Logo se criou um grupo da bicicleta na rua. Eramos uns oito ou nove e sempre inventávamos motivos bestas para sair por aí pedalando. As vezes íamos numa oficina no outro lado do bairro apenas para encher pneu. A minha primeira deliquência aconteceu numa destas depois de uma chuva que tinha encharcado o bairro subíamos numa rampa íngreme da garagem de um vizinho e despencávamos dela tão rápido quanto possível em direção a uma tábua equilibrada em um tijolo - um radical salto de alguns centímetros. O dono da casa irritado, ameaçou denunciar os vândalos para seus pais. Ignoramos e continuamos a emporcalhar a garagem com a lama. O Dono então buscou uma câmera. Todos os delinquentes então tiraram as camisetas e fizeram de balaclava – Como se os pais não fossem reconhecer eles. E aí que resolvi tirar a balaclava, subir na rampa dele:
Filma ae Galvão!
O Dono veio então atrás de mim e me deu um sermão longo sobre como ele sabia que eu era um bom rapaz que estava sendo mal influenciado e me liberou ileso. Além disso a Bicicleta azul me permitiu visitar alguns amigos que moravam mais afastados de mim. Eu costumava ganhar alguma carona, mas sempre que era recusado a bicicleta me levava pra cima e pra baixo. Liberdade!
Conforme eu envelheci a bicicleta foi ficando encostada. Eu continuei gostando dela, mas a deixei muitas vezes no tempo. E quando por acaso me deparava com ela no quintal me desesperava ao ver o pneu murcho ou ao ver ferrugem na corrente. Imediatamente partia ao reparos. Graxa na corrente, enchia os pneus. Andava com ela mas logo largava novamente. E infelizmente só compartilhava algum momento com a bicicleta quando esbarrava nela - eu gostava muito de arrumar ela e me cortava o coração ver ela sofrer. E pior foi notar que ela tinha sido roubada. Não tenho noção de quando aconteceu. Ela simplesmente deixou de reaparecer. Me senti muito mal por alguns dias, mas pensei que com alguma sorte- A Graxa e o Ar que eu neguei por preguiça nunca mais a falte.
Eu tinha uma bicicleta azul que eu gostava muito. Ela era da Monark e não da Caloi como eu especificamente orientei os meus pais. Ela era de um tom azul claro e tinha um adesivo verde claro. Eu usei ela por uns cinco ou seis anos. Como eu era novo eu não podia ir muito longe com ela, então eu ficava dando voltas e voltas na quadra. Qualquer buraco novo na rua era mais diversão. As vezes eu só virava ela de ponta cabeça e ficava girando o pedal como se fosse uma manivela. As vezes só ficava montado nela conversando na rua. Logo se criou um grupo da bicicleta na rua. Eramos uns oito ou nove e sempre inventávamos motivos bestas para sair por aí pedalando. As vezes íamos numa oficina no outro lado do bairro apenas para encher pneu. A minha primeira deliquência aconteceu numa destas depois de uma chuva que tinha encharcado o bairro subíamos numa rampa íngreme da garagem de um vizinho e despencávamos dela tão rápido quanto possível em direção a uma tábua equilibrada em um tijolo - um radical salto de alguns centímetros. O dono da casa irritado, ameaçou denunciar os vândalos para seus pais. Ignoramos e continuamos a emporcalhar a garagem com a lama. O Dono então buscou uma câmera. Todos os delinquentes então tiraram as camisetas e fizeram de balaclava – Como se os pais não fossem reconhecer eles. E aí que resolvi tirar a balaclava, subir na rampa dele:
Filma ae Galvão!
O Dono veio então atrás de mim e me deu um sermão longo sobre como ele sabia que eu era um bom rapaz que estava sendo mal influenciado e me liberou ileso. Além disso a Bicicleta azul me permitiu visitar alguns amigos que moravam mais afastados de mim. Eu costumava ganhar alguma carona, mas sempre que era recusado a bicicleta me levava pra cima e pra baixo. Liberdade!
Conforme eu envelheci a bicicleta foi ficando encostada. Eu continuei gostando dela, mas a deixei muitas vezes no tempo. E quando por acaso me deparava com ela no quintal me desesperava ao ver o pneu murcho ou ao ver ferrugem na corrente. Imediatamente partia ao reparos. Graxa na corrente, enchia os pneus. Andava com ela mas logo largava novamente. E infelizmente só compartilhava algum momento com a bicicleta quando esbarrava nela - eu gostava muito de arrumar ela e me cortava o coração ver ela sofrer. E pior foi notar que ela tinha sido roubada. Não tenho noção de quando aconteceu. Ela simplesmente deixou de reaparecer. Me senti muito mal por alguns dias, mas pensei que com alguma sorte- A Graxa e o Ar que eu neguei por preguiça nunca mais a falte.
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