Um mal-estar generalizado

Eu poderia ter acordado me sentido feliz e leve hoje, mas não. Embora o resultado das eleições ontem tenha me trazido um sentimento de alívio, é como se restasse um sabor amargo, uma dor de cabeça de fundo, que lateja lentamente. E não me faltam motivos para isso.

Me dói saber que para quase 50% da população do país onde vivo, a violência e o ódio ainda são formas válidas de se expressar e que empunhar armas de fogo é algo normal. Eu simplesmente não consigo entender. Quando assistia os filmes de segunda guerra mundial, eu pensava que havíamos superado esse tipo de coisa e que nunca aconteceria novamente na história. Mas depois de ver tantos exemplos que eu considero inaceitáveis serem defendidos como sendo a coisa certa a se fazer, eu começo a julgar que não caminhamos como humanidade e que tudo poderia se repetir, não mais como cenas em preto e branco de um passado distante, mas com cores pálidas de um triste presente.

“A vida poderia ser tão simples“ - dizia eu e minha esposa em uma conversa no dia anterior. Mas por que complicamos tanto as coisas?” Eu simplesmente não consigo entender.

Enquanto isso o líder da Coréia do Norte diz que as armas nucleres representam a dignidade e o poder do Estado e que continuarão a desenvolver essas coisas enquanto elas existirem na Terra. Mas se você continuar construindo armas nucleares, elas nunca deixarão de existir, senhor Kim Jong-un!

Nessa onda de negatividade até cheguei a concordar com Putin, quando ele afirma que viveremos a década mais difícil desde o fim da segunda guerra mundial: crise climática; guerras; armas nucleares; ascensão do fundamentalismo-religioso; polarizações políticas; aumento da desigualdade; escassez de alimentos; morte de animais marítimos, perda de diversas espécies de plantas e insetos; poluição… A lista não tem fim.

um respiro…

As mais de 150 pessoas mortas na Coréia do Sul me parecem ser uma analogia para o que estamos fazendo a nós mesmos como “humanidade”: estamos nos conduzindo para um sufocamento coletivo, onde seremos as vítimas uns dos outros em um clima de excitação e delírio.

Uma das ruas de Seoul - Coréia do Sul - onde centenas de jovens morreram pisoteados na comemoração do Halloween na noite de 30 de Outubro de 2022.
Uma das ruas de Seoul - Coréia do Sul - onde centenas de jovens morreram pisoteados na comemoração do Halloween na noite de 30 de Outubro de 2022.