Pra começar, é legal deixar claro que eu não sou um "NFT guy", tá? Sou um empreendedor e heavy user de DeFi, apaixonado por tecnologia e inovação no mundo das finanças descentralizadas. Por isso, no último bull-run estive bem focado no nicho DeFi e acabei deixando os NFTs meio de lado. Algo que aconteceu com muitos colegas do universo DeFi.
A ideia por trás da pesquisa que originou esse post é justamente preencher essa lacuna e entender melhor esse universo. Vou compartilhar com vocês os insights que tive tanto na minha jornada de descoberta e entendimento do universo dos NFTs quanto a busca por entender o impacto das recentes inovações da "Era ZK" nesse mercado.
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Já se é da turma do textão, aqui é o seu lugar. Bora lá?
Eu não sei você, mas ver um NFT como o CryptoPunk 5822 sendo transacionado por mais de $23 milhões de dólares me deixou meio chocado… No dia 12 de Fevereiro de 2022, um usuário Web3 com o domínio deepak.eth ofertou 8.000 ETH pelo NFT abaixo.

Essa magnitude de convicção me fez procurar entender melhor como as pessoas que estão dispostas a pagar tanto de dinheiro por um NFT estão percebendo esses ativos digitais. E uma coisa que me chamou muita atenção foi o relacionamento entre a arte conceitual e os NFTs.
A arte conceitual se baseia na ideia de que o valor de uma obra está na ideia e não no objeto em si. Um exemplo icônico disso é a obra "Comedian", de Maurizio Cattelan, que consiste em uma banana presa com fita adesiva na parede.

Essa banana de $120 mil dólares me ajudou a entender um pouco mais sobre a ideia por trás da arte conceitual. Afinal, não tem exemplo melhor, né? Como alguém pode pagar tanto dinheiro em uma banana que vai apodrecer? Tá certo que a silver tape é uma excelente fita adesiva mas a banana vai apodrecer! rsrs… Esse exemplo deixa claro, que quem está comprando uma obra como o "Comedian" realmente não está preocupado com o valor do objeto em si. Mas sim da ideia que está atrelada a aquele trabalho. Quando olhei para o universo NFT com esse olhar, muitas coisas começaram a fazer um pouco mais sentido…
Com essa filosofia em mente, o que um CryptoPunk representaria? A tecnologia NFT como um todo? Os early adopters desbravadores da Web3? A Web3 em si? E o Bored Ape Yacht Club, o que representa? A cultura Degen que é tão representativa dentro do mundo cripto? E quanto as UniSocks da Uniswap? Será que representariam esse novo conceito de Exchange Descentralizada (DEX) que mudou completamente nossa relação de dependência em relação as Exchanges Centralizadas (CEX) como Binance e a famigerada FTX. Sem dúvida, esse foi grande marco no universo cripto em busca do seu propósito de descentralização.

Tá certo que a própria arte conceitual tradicional merece muitas críticas e os valores astronômicos que as obras são negociadas nos fazem refletir sobre a legitimidade desse mercado. Se você quer entender um pouco mais sobre esse aspecto da arte que se relaciona com o universo dos NFTs, acho que vale muito a pena o conteúdo do canal Art Unplugged. No canal, a artista Boryana Korcheva faz diversas análises desse mercado e críticas ao “establishment” e aos "gate-keepers”. Até mesmo, categorizando o mercado de arte conceitual como uma espécie de Ponzi.
No último bull-run, quando os NFTs explodiram, acredito que nem mesmo os donos de CryptoPunks acreditavam em tamanho sucesso e valorização desses NFTs. O resultado desse volume absurdo de dinheiro nesse nicho, foi o surgimento de ativos ilíquidos dentro do universo web3. Assim como obras de arte e pedras preciosas, os NFTs mais raros e caros se tornaram difíceis de vender e a infraestrutura financeira para facilitar a liquidez desses ativos simplesmente não existia.
No momento atual do mercado, pode-se dizer que o ciclo de preços dos NFTs pode estar muito abaixo do que já esteve em 2021. Porém, o ciclo de produto está muito mais avançado. O que representa um importante indicador fundamentalista de que esse mercado tende a ver novas altas nos preços em 2024 e 2025. Um dos exemplos desse contínuo desenvolvimento no ciclo de produto da tecnologia NFT foram os inúmeros projetos e soluções que têm sido propostos para tornar os NFTs mais líquidos e acessíveis. Desde de soluções de fracionalização até a criação de índices baseados no price floor. Plataformas como NFTX e NFT20 estão trabalhando nesse tipo de proposta que mistura conceitos de DeFi e NFTs. Essas soluções representam um importante avanço para o ecossistema de NFTs.
Outro aspecto que vem evoluído é a infraestrutura de dados e o armazenamento de imagens, com soluções como IPFS e Arweave que também contribuem para a base da evolução do mercado de NFTs.
Mais uma prova de evolução é o surgimento de novos marketplaces como o Blur. Que representa uma enorme pedra no sapato do OpenSea, o mais importante marketplace do nicho que liderou com folga esse segmento no últimos anos. Como podemos ver no dashboard abaixo, o Blur já tomou a liderança do OpenSea em volume de transações.

Sem dúvida, o surgimento do Blur representa uma competição muito bem-vinda e saudável para o nicho dos NFTs. Há quem aposte que OpenSea não vai deixar barato e que um airdrop de tokens para a comunidade está bem próximo. E isso ganha ainda mais sentido quando percebemos que a campanha de airdrop do Blur é apontada como uma das grandes responsáveis pelo crescimento vertiginoso da plataforma.
Em meio a todo esse desenvolvimento, a chamada "Era ZK" surge com a promessa de revolucionar o espaço dos NFTs. As tecnologias Zk-Rollups e Optimistic Rollups são soluções de segunda camada (L2) que visam melhorar a escalabilidade e a eficiência do ecossistema Ethereum. Enquanto ambas compartilham de objetivos semelhantes, elas diferem em seus mecanismos de funcionamento.
Zk-Rollups utilizam Zero-Knowledge Proofs para compactar e validar várias transações fora da L1, enquanto Optimistic Rollups baseiam-se na otimização de transações através de um modelo de disputa e resolução. Atualmente, acredita-se que a tecnologia Zk-Rollups tem mais chances de ser predominante em longo prazo, devido à sua maior capacidade de escalabilidade e segurança.
Para os NFTs, a chegada da Era ZK trás como importante evolução os NFTs 2.0. Novas tecnologias que representam avanços significativos no nicho. Separei as três mais importantes características dessa nova tecnologia, na minha visão:
Multi-formatos: Os NFTs 2.0 permitem diferentes formas de apresentação do mesmo ativo, adaptando-se ao ambiente onde estão sendo exibidos. Isso proporciona maior flexibilidade e versatilidade para artistas e colecionadores, expandindo as possibilidades de interação com as obras. Um cenário de uso dessa tecnologia, poderia ser o uso de NFTs dentro de ambientes de jogos. Imagina se no futuro for possível jogar Counter Strike com o seu Bored Ape ou jogar as missões de GTA com o seu CryptoPunk?
NFT Lego: Os NFTs 2.0 introduzem a possibilidade de trocar características e adereços raros entre diferentes coleções, possibilitando novos mercados e interações entre projetos. Isso cria uma dinâmica semelhante ao "money lego" do DeFi. Como um "art lego" ou "skin lego", elementos únicos podem ser combinados e misturados entre projetos e coleções de maneiras criativas. Seria possível, por exemplo, um jogador de LOL usar uma skin de Fortnite ou um jogador de WOW usar uma skin de CS.
Avatares de Reputação: Os NFTs 2.0 também funcionam como uma nova maneira de organizar informações sobre a participação em ecossistemas, garantindo acesso a recompensas em airdrops, fóruns específicos de governança e outros benefícios. Experimentos iniciais mostraram que a participação na governança dobrou após a implementação dessa ferramenta em alguns DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas).
Os NFTs estão em um momento de forte evolução de tecnologia na Era ZK. Esse forte avanço de infraestrutura e ciclo de produto tem o potencial de impulsionar ainda mais esse mercado e os preços nos próximos 2 anos. Acredito que veremos uma explosão de soluções inovadoras explorando novas possibilidades para artistas, colecionadores, games e outros segmentos.
