
O estrelismo de corretoras não é novidade.
A falecida FTX dominou a narrativa em 2021, com o benevolente altruísmo eficaz de SBF liderando uma manada de seguidores. Até DAO baseado no token da corretora, o FTT, surgiu. Os BFFs (sério, esse era o nome desta galera), fecharam as portas esta semana.
Minhas condolências a comunidade 🙏🏻
Agora, é a vez da Binance. A exchange consolidou-se como a MAIOR do mundo - em liquidez, clientes, produtos e tantas outras métricas. A transparência dada pela corretora, trouxe maior segurança aos usuários.
Com sua nova Prova de Reserva, os holders poderão conferir individualmente se seus ativos estão realmente guardados nos cofres da Binance. É um sistema novo, somente compatível com BTC, mas que pode ser adotado por outras competidoras.
Nós agradecemos 🤝
Além disso, CZ/Binance prometem salvar o cripto-mercado, com um fundo de U$1B pra financiar projetos afetados pela presepada de Sam Bankman-Fried. Animoca Brands, Polygon, Aptos e GSR são algumas das que também contribuíram com $$$ pra salvar a galera. Outras empresas, como a OKX, anunciaram seus próprios fundos com o mesmo intuito.
Será CZ o novo herói da criptosfera? Talvez, mas pra tornar-se herói para a mídia tradicional, vai precisar molhar a mão de muita gente ainda 🤑

Que semana tumultuada em DeFi 🤯
Depois do stress com a FTX, chegou a hora dos protocolos serem postos à prova.
spoiler: tá tudo bem (por enquanto)
Um trader encontrou uma posição de U$48M de CRV, token de governança da Curve, de nada menos que o fundador do protocolo. Começou a shortar o ativo, com empréstimos na Aave de CRV, conversão em USDC, swap novamente para CRV e repetindo este processo em loop.
Esta thread da Paradigma explica + a fundo a estratégia.
A lógica é: lucrar com a queda do CRV.
Curiosamente, após uma queda de 25%, surpreendentemente a Curve publicou o whitepaper da crvUSD, sua nova stablecoin. A notícia pumpou o valor do CRV, f*dendo com a posição do trader.
Não demorou muito, sua posição foi gradualmente liquidada: estima-se que ele teve um prejuízo de + de U$10M.
O problema nisso tudo, era que a Aave não tinha CRV suficiente pra cobrir a posição do trader. Ficou com uma insolvência de U$1.6M.
Parece muito dinheiro, mas a Aave tem + de U$3.8B sob sua gestão. Tem o Safety Module, tesouro da DAO e outros mecanismos para resguardar-se em momentos de stress como estes.
Há propostas para saldar este débito e isto vai ser rapidamente resolvido. Mas serviu para mostrar que nem os mercados de empréstimos on-chain estão livres de manipulação.
A tokenização de satoshis sempre foi um motivo de crítica dos bitcoiners maximalistas. Os pontos de centralização para fazer o onboarding de BTCs na Ethereum incomodava muitos, com razão. Infelizmente, estas pessoas tinham razão.
A Ren, emissora do renBTC, foi comprada pela Alameda Research. A market maker era comandada por SBF e sua ex-namorada amante de jogos de poder e poliamor. Quebrou junto com a FTX e levou todos os projetos em que investiu: inclusive a Ren.
Sua exposição a Alameda comprometeu o protocolo. Ela anunciou que todos os detentores de renBTC tem até o fim do mês para resgatar seus BTCs e está tentando levar uma 💰 para lançar sua v2.
O wBTC também está sob pressão. Sua paridade com o BTC bateu sua mínima histórica, com rumores de que havia exposição da sua emissora + a custodiante dos satoshis, a Bitgo. Insegurança quanto aos responsáveis pelas multisigs que guardam os BTCs também rondou o cripto-twitter.
Pra ajudar, um dashboard do Messari mostra que, entre os top 5 mintadores de wBTC, estão Alameda Research - QUEBRADA - e Three Arrows Capital - QUEBRADA -.
Juntas, emitiram + de 114.000 BTC, ~U$1.8B. É um dinheirinho bom, né? 🤣
Ainda é incerto se é somente o FUD, devido à quebra da FTX, ou se há problemas.
O fato é: diminuir a exposição a BTCs tokenizados e/ou convertê-los para satoshis nativos, é uma precaução a ser tomada.

Meme lendário criado por alguma alma genial no cripto-twitter
A história da Alameda e FTX e todo o conjunto ao redor destas entidades surpreendeu a todos nas últimas semanas.
Poliamor, anfetaminas, imóveis de milhões nas Bahamas e um vegano altruísta eficaz enchendo os bolsos de políticos nos EUA são somente ALGUMAS das peças deste quebra cabeça.
Como toda boa história no cripto-mercado, nada melhor que um bom filme 🎥
Joe e Anthony Russo, diretores de “Vingadores: Ultimato”, querem transformar a história da FTX numa série da Amazon Prime.
Serão 8 episódios narrando o auge da FTX e como o crash desenrolou-se, causando um prejuízo de U$10B a investidores, clientes e ao próprio SBF.
(brincadeira, o Sam continua rico)

A Apple TV+ também quer lançar a sua versão da crise FTX.
Michael Lewis, escritor do “The Big Short”, está escrevendo um livro sobre a falecida corretora. Viajou 6 meses com SBF e narrrou toda a jornada do CEO da FTX em seus escritos.
A Apple comprou os direitos do livro e criará seu próprio filme sobre o crash da exchange.
A disputa pelo melhor filme sobre a história maluca da FTX está apenas começando.
Que vença a melhor. 🤝

Essa semana foi marcada por uma grande incerteza do mercado sobre o futuro do mais antigo Prime Broker (empresa que realiza operações de trading, custódia e empréstimo) do mercado de cripto, a Genesis.
Só para se ter uma ideia, a empresa possuía mais de 130 bilhões de dólares em operações de empréstimos em 2021.
A Genesis, compõe um dos maiores cripto-fundos da atualidade: o Digital Currency Group (DCG).
A empresa tem várias subsidiárias no mercado de cripto. Coindesk, Grayscale e Genesis são somente alguns dos braços desta gigante.

O BO na Genesis ficam mais claros quando comparamos o período de 2021/Q4 ao período de 2022/Q3. Vemos uma diminuição considerável no patrimônio custodiado na empresa, bem como na sua receita.

Tudo normal para um bear market, né? Não.
Somado a essa diminuição de atividade, a Genesis enfrentou uma série de reveses durante o ano de 2022, que podem ter contribuído para formar um rombo financeiro sem precedentes nos cofres da empresa.
As movimentações têm relações rastreáveis on-chain com empresas problemáticas, como a FTX/Alameda e o falido fundo da Three Arrows Capital (3AC).
Nas últimas horas surgiram diversas notícias de que a Genesis estaria procurando por um empréstimo emergencial de mais de US$ 1 bilhão, para cobrir uma “falta de liquidez devido a certos ativos ilíquidos no balancete”.
É bom ficar de olho no que está por vir, pois existem dois caminhos para a Genesis hoje:
1- Acordo entre credores 🤝
2- Pedido de falência ☠️
O acordo com os credores pode ser o melhor cenário, se os credores encontrarem outro meio para levantar liquidez e não existir uma grande alavancagem interna na DCG (Dívidas do DCG com a Genesis).
De acordo com informações do mercado, há a expectativa que 30% das dívidas na Genesis sejam atreladas ao DCG - o que pode ser um fator que aumenta o risco de falência!
Se esse pedido ocorrer, devemos observar mais uma redução significativa na confiança dos investidores institucionais em cripto e uma expansão da crise de liquidez.
Tudo indica que esse problema não é tão grande quanto o da FTX em termos financeiros. Mas uma falência nesses termos, por parte da maior holding de cripto da atualidade, é algo que assustaria bastante o mercado.

