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Preciso falar menos, mais devagar. “Palestrar menos". Há muito tempo venho percebendo que minha ansiedade social se intensifica muito quando falo em público. Mas o problema não é durante a fala. É depois. Um pensamento inflexível fica me assombrando: talvez eu tenha falado demais, certamente falei alguma merda, todos vão me odiar por isso, todos vão me desprezar por pensar assim, falar assim. Em seguida, uma vergonha absurda se apodera do meu corpo. Carrego esse sentimento de culpa por dias seguidos depois da fala. Mesmo falas curtas me assombram assim. Passo o dia inteiro trabalhando, sem falar mais que o mínimo (seis ou sete frases por dia, é a média - alguns dias não falo absolutamente uma palavra). Naturalmente, quando chego em casa começo a falar falar falar. E todos os mais de mil pensamentos que me atingiram no dia, disformes até então, vão ganhando corpo, vão se estruturando em frase atrás de frases. Ensaios. E minha esposa às vezes só para de me ouvir. Ou diz: Você fala demais. Vou percebendo que falo muito, e falo muita besteira. E isso é um tipo de maldição. Invejo as pessoas que são convidadas a falar, a palestrar. Nos poucos minutos que tenho de fala nos meus dias, eu erro, desperdiço. Preciso falar menos. Escrever mais. É, a solução é essa: escrever mais. A escrita tem algo de permamente e voluntário que a fala não tem. Tenho que voltar ao meu diário. Sempre abandono meus diários. Mas vou voltar. Não para registrar tudo que aconteceu nos dias, mais para escrever esses ensaios, esses pensamentos, por mais bobos e absurdos. E evitar que qualquer frase se forme quando estiver com amigos, familiares, conhecidos. Assim vou falar menos, talvez consiga a proeza de não falar mais que dez frases por dia. Talvez assim as pessoas com quem convivo gostem mais de mim, e mais pessoas passem a gostar de mim. Falar pouco pelo menos deve resolver toda essa vergonha e culpa que venho carregando.
Preciso falar menos, mais devagar. “Palestrar menos". Há muito tempo venho percebendo que minha ansiedade social se intensifica muito quando falo em público. Mas o problema não é durante a fala. É depois. Um pensamento inflexível fica me assombrando: talvez eu tenha falado demais, certamente falei alguma merda, todos vão me odiar por isso, todos vão me desprezar por pensar assim, falar assim. Em seguida, uma vergonha absurda se apodera do meu corpo. Carrego esse sentimento de culpa por dias seguidos depois da fala. Mesmo falas curtas me assombram assim. Passo o dia inteiro trabalhando, sem falar mais que o mínimo (seis ou sete frases por dia, é a média - alguns dias não falo absolutamente uma palavra). Naturalmente, quando chego em casa começo a falar falar falar. E todos os mais de mil pensamentos que me atingiram no dia, disformes até então, vão ganhando corpo, vão se estruturando em frase atrás de frases. Ensaios. E minha esposa às vezes só para de me ouvir. Ou diz: Você fala demais. Vou percebendo que falo muito, e falo muita besteira. E isso é um tipo de maldição. Invejo as pessoas que são convidadas a falar, a palestrar. Nos poucos minutos que tenho de fala nos meus dias, eu erro, desperdiço. Preciso falar menos. Escrever mais. É, a solução é essa: escrever mais. A escrita tem algo de permamente e voluntário que a fala não tem. Tenho que voltar ao meu diário. Sempre abandono meus diários. Mas vou voltar. Não para registrar tudo que aconteceu nos dias, mais para escrever esses ensaios, esses pensamentos, por mais bobos e absurdos. E evitar que qualquer frase se forme quando estiver com amigos, familiares, conhecidos. Assim vou falar menos, talvez consiga a proeza de não falar mais que dez frases por dia. Talvez assim as pessoas com quem convivo gostem mais de mim, e mais pessoas passem a gostar de mim. Falar pouco pelo menos deve resolver toda essa vergonha e culpa que venho carregando.
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