
O cego de nascença
Print do texto no folheto da missa de 19/03 da Arquidiocese de SP

Gerações
Os jovens nunca foram velhos
Racismo, chocolate e arroz
Os links para duas notícias do Brasil de Fato (uma sobre o racismo na posse da ALESP e outra sobre o financiamento do arroz Prato Fino à criação da CPI do MST) e uma da Bloomberg Línea (sobre os péssimos impactos sociais na produção de cacau).
Ou eu falo demais e explico bem, ou eu falo de menos e explico mal

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São José, o esposo de Maria, tecnicamente é o ex-marido dela, se Mt 22, 30 for levado em conta. Porém já que a Bíblia é, em segundo lugar, uma obra de arte literária que eterniza (como todos os textos literários o fazem) os personagens que habitam no texto, ele segue sendo o esposo de Maria ao menos neste sentido.
Já houveram críticas quanto ao caráter reservado de Nossa Senhora nos Evangelhos, e uma delas é o aspecto secundário dela em relação a Cristo - uma crítica fundamentada especialmente em uma certa má vontade para com o texto, que afinal é sobre Jesus Cristo e como ele viveu, morreu e ressuscitou para nos salvar.
Apesar da limitada coadjuvação dela em relação a Cristo, com um pouco de atenção é possível delinear os protagonismos dela: o Sim à concepção de Jesus, o cântico inspirador do Magnificat, a visita a Isabel e o episódio das Bodas de Caná são apenas quatro de uma meia dúzia de ocasiões em que ela se manifestou ou das quais participou silenciosamente, sempre em função de Jesus.
Se ela hoje é Nossa Senhora, o é pela maternidade de Cristo, caso muito diferente do seu (ex) esposo, José, que entrou para a História como um marido.
A Sagrada Família não ficou isenta dos dramas familiares que as sagradas famílias comuns enfrentam ao longo de todos os tempos: no caso da família de Jesus, houve uma gravidez suspeita, uma noiva rejeitada (ainda que discretamente - São José deve ter sido a inspiração para Lulu Santos escrever "não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais"), um filho adotivo, uma criança perdida, enfim... aquilo de sempre na maioria das famílias em todo o mundo. É claro que José foi um marido exemplar, e sua função principal foi esta: ser o marido. Certamente a paternidade adotiva teve um peso imensurável, mas enquanto Maria entrou na história por aceitar ser mãe, José entrou por aceitar ser o marido, e somente enquanto tal ser pai adotivo.
Jesus Cristo, mesmo sendo plenamente homem (aqui, no sentido masculino da palavra), não é o que é por isto, mas por ser o Filho de Deus que se fez carne (quer dizer, ele não é "o Filho de Deus que se fez varão", embora o tenha sido inegavelmente); e de qualquer modo, sendo o primeiro a ter ressuscitado de entre os mortos (como primícias etc.), é, eu acho, o primeiro a quem se aplica o que ele mesmo disse em Mt 22, 30: Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu. Mesmo que não seja bem assim, não formos salvos pelos seus sacratíssimos cromossomos XY ou pela testosterona divina, mas pela sua fé e entrega ao Pai.
Já José, diferente de Maria e de Jesus, só teve importância por ser homem, o que por toda a Bíblia é condição para ser marido, e por isto é o modelo de homem que se deve tomar (já que Cristo é o modelo para mulheres e homens, e não se cogita nem sequer por um segundo que ter Cristo por modelo faça da masculinidade a meta feminina).
Se o modelo de mulher é Maria (coadjuvante de Jesus, mãe e discípula, obediente a Deus e solícita para com seus irmãos a ponto de oferecer, em comunhão com o Pai, Jesus para nos salvar), o modelo de homem não é Jesus, e sim José, cuja função dentro da Sagrada Família, nosso modelo, foi ser o marido sem nenhuma fala na história da salvação, exceto aquela se pode ouvir das atitudes que tomou por amor.

São José, o esposo de Maria, tecnicamente é o ex-marido dela, se Mt 22, 30 for levado em conta. Porém já que a Bíblia é, em segundo lugar, uma obra de arte literária que eterniza (como todos os textos literários o fazem) os personagens que habitam no texto, ele segue sendo o esposo de Maria ao menos neste sentido.
Já houveram críticas quanto ao caráter reservado de Nossa Senhora nos Evangelhos, e uma delas é o aspecto secundário dela em relação a Cristo - uma crítica fundamentada especialmente em uma certa má vontade para com o texto, que afinal é sobre Jesus Cristo e como ele viveu, morreu e ressuscitou para nos salvar.
Apesar da limitada coadjuvação dela em relação a Cristo, com um pouco de atenção é possível delinear os protagonismos dela: o Sim à concepção de Jesus, o cântico inspirador do Magnificat, a visita a Isabel e o episódio das Bodas de Caná são apenas quatro de uma meia dúzia de ocasiões em que ela se manifestou ou das quais participou silenciosamente, sempre em função de Jesus.
Se ela hoje é Nossa Senhora, o é pela maternidade de Cristo, caso muito diferente do seu (ex) esposo, José, que entrou para a História como um marido.
A Sagrada Família não ficou isenta dos dramas familiares que as sagradas famílias comuns enfrentam ao longo de todos os tempos: no caso da família de Jesus, houve uma gravidez suspeita, uma noiva rejeitada (ainda que discretamente - São José deve ter sido a inspiração para Lulu Santos escrever "não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais"), um filho adotivo, uma criança perdida, enfim... aquilo de sempre na maioria das famílias em todo o mundo. É claro que José foi um marido exemplar, e sua função principal foi esta: ser o marido. Certamente a paternidade adotiva teve um peso imensurável, mas enquanto Maria entrou na história por aceitar ser mãe, José entrou por aceitar ser o marido, e somente enquanto tal ser pai adotivo.
Jesus Cristo, mesmo sendo plenamente homem (aqui, no sentido masculino da palavra), não é o que é por isto, mas por ser o Filho de Deus que se fez carne (quer dizer, ele não é "o Filho de Deus que se fez varão", embora o tenha sido inegavelmente); e de qualquer modo, sendo o primeiro a ter ressuscitado de entre os mortos (como primícias etc.), é, eu acho, o primeiro a quem se aplica o que ele mesmo disse em Mt 22, 30: Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu. Mesmo que não seja bem assim, não formos salvos pelos seus sacratíssimos cromossomos XY ou pela testosterona divina, mas pela sua fé e entrega ao Pai.
Já José, diferente de Maria e de Jesus, só teve importância por ser homem, o que por toda a Bíblia é condição para ser marido, e por isto é o modelo de homem que se deve tomar (já que Cristo é o modelo para mulheres e homens, e não se cogita nem sequer por um segundo que ter Cristo por modelo faça da masculinidade a meta feminina).
Se o modelo de mulher é Maria (coadjuvante de Jesus, mãe e discípula, obediente a Deus e solícita para com seus irmãos a ponto de oferecer, em comunhão com o Pai, Jesus para nos salvar), o modelo de homem não é Jesus, e sim José, cuja função dentro da Sagrada Família, nosso modelo, foi ser o marido sem nenhuma fala na história da salvação, exceto aquela se pode ouvir das atitudes que tomou por amor.
Marcelo
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